Blog com textos, mapas, vídeos, imagens e sugestões de exercícios sobre geografia, além de ter alguns artigos escritos por mim. O Blog está em construção, sendo atualizado constantemente, onde muitas postagens antigas são acrescentadas de mapas e textos novos. Fiquem à vontade! Boa pesquisa!
Mostrando postagens com marcador INDÚSTRIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador INDÚSTRIA. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 25 de setembro de 2018
terça-feira, 31 de julho de 2018
segunda-feira, 2 de maio de 2016
TEXTO e ATIVIDADE sobre TOYOTISMO e a 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
TEXTO e ATIVIDADE sobre TOYOTISMO e a 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
PS: As perguntas foram boladas por mim.
___
PS: As perguntas foram boladas por mim.
___
TOYOTISMO
Publicado por: Rodolfo F. Alves Pena
Geografia
humana (http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/toyotismo.htm)
O toyotismo é um sistema de produção industrial difundido a partir da
década de 1970 e caracterizou-se por flexibilizar a fabricação de mercadorias.
O Toyotismo – também conhecido como acumulação flexível – é um modelo de produção industrial
idealizado por Eiji Toyoda (1913-2013)
e difundido pelo mundo a partir da década de 1970 após a sua aplicação pela
fábrica da Toyota, empresa japonesa que se despontou como uma das maiores
empresas do mundo na fabricação de veículos automotivos.
A
característica principal desse modelo é a flexibilização da produção, ou seja,
em oposição à premissa básica do sistema anterior — o fordismo, que defendia a
máxima acumulação dos estoques. Já o toyotismo preconiza a adequação da estocagem dos
produtos conforme a demanda. Assim, quando a procura por uma determinada
mercadoria é grande, a produção aumenta, mas quando essa procura é menor, a
produção diminui proporcionalmente.
Podemos
dizer que o Toyotismo surgiu no Japão em virtude das condições
geográficas do país e das transformações históricas relacionadas ao término da
Segunda Guerra Mundial. Assim, dispondo de um espaço geográfico reduzido e de
um mercado consumidor menor do que o das potências ocidentais, o Japão não
conseguia se adequar ao modelo fordista de produção em massa.
Ainda na década de
1950, Eiji Toyoda visitou algumas fábricas norte-americanas a fim de melhor
conhecer os seus respectivos processos produtivos. Lá se deparou com empresas
gigantescas que detinham grandes espaços para a estocagem de produtos
industrializados. Ao fazer as suas constatações, Toyoda não tardou em perceber
que o seu país, o Japão, vivendo um complicado período pós-guerra, não
conseguiria se adequar àquele modelo industrial. Esse foi o início para que,
mais tarde, ele viesse a idealizar um sistema em que a produção ocorresse de
forma mais flexibilizada.
Mas além das
condições geo-históricas, para o sistema toyotista existir também era
necessário um avançado sistema tecnológico nos meios de transporte e
comunicação, algo impensável nos tempos em que o fordismo havia sido
idealizado. Isso porque a rapidez no deslocamento e no fluxo de mercadorias era
uma das bases para que a produção flexibilizada fosse direcionada para o
consumo sem atrasos.
Assim,
uma das técnicas mais utilizadas por esse modelo industrial foi o Just in time, que
significa “em cima da hora”, em tradução livre. Esse modelo funciona na
combinação entre os sistemas de fornecimento de matérias-primas, de produção e
de venda. Assim, apenas a matéria-prima necessária para a fabricação de uma
quantidade predeterminada de mercadorias é utilizada, que deve ser realizada em
um prazo já estabelecido, geralmente muito curto.
Com
a adoção do just in time, as fábricas passaram a
economizar dinheiro e espaço na estocagem de matérias-primas e mercadorias,
além de agilizar a produção e a circulação.
Outro ponto importante referente ao sistema
toyotista é a diminuição da oferta de empregos, haja vista que o processo de
trabalho também se flexibiliza e, ao longo do processo produtivo, um mesmo
trabalhador realiza diversas funções, diferentemente do fordismo, em que o
trabalho era mecânico e repetitivo. Isso serviu para ampliar o desemprego no
setor secundário da economia (que é o setor das indústrias) e transferir a mão
de obra para o setor terciário (o setor de serviços), onde os empregos se
concentram mais na distribuição de mercadorias do que propriamente em sua
produção.
O toyotismo, em linhas gerais, pode ser
considerado como o sistema responsável pela terceirização da economia, algo que
já ocorreu nos países desenvolvidos e que vem se acelerando também no mundo
subdesenvolvido.
_____________
QUESTÕES
1) Quem idealizou o toyotismo?
2) O que é toyotismo? Qual a característica principal do toyotismo?
3) Aonde surgiu o toyotismo? Por que surgiu lá (condições "geo-históricas")?
4) O que as fábricas ganharam com a adoção do "sistema just-in-time"?
5) Relacione toyotismo com o emprego na sociedade capitalista moderna.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Artesanato, Manufatura e Indústria
A burguesia no feudalismo era comerciante e não detinha o poder político na sociedade. Esta precisava acumular capitais para
acabar com a sociedade feudal. Ela acumulará capitais com a Grande Navegação e
com o comercio de produtos.
Neste período, estes produtos eram produzidos pela prática do artesanato.
> Artesanato (primeira forma de produção):
-
ausência
de divisão do trabalho;
-
trabalho
manual e individualizado;
-
instrumentos
de trabalho simples que pertenciam ao próprio trabalhador;
-
Os
preços dos produtos são altos, porque temos pequena produção, menos produtos em
um intervalo de tempo grande. (Produção demorada);
-
Pela pouca produção, a burguesia achava ruim o artesanato, não sendo viável para seus interesses
econômicos e políticos.
>Manufatura (Europa, século XVI):
- máquinas
simples e manuais;
-
pequena
divisão de trabalho;
-
aumento
da produção (Produção em menos tempo);
- Com a Manufatura, a burguesia conseguirá ter mais
produtos em menos tempo, mas ela queria ter mais produtos pra vender no seu
comercio, queria acumular mais capital.
> Indústria (Manchester, Inglaterra, século XVIII):
-
grande
mecanização, com trabalhador servindo como ferramenta, servindo à máquina;
-
trabalho
assalariado, processo de mais-valia com lucro para o patrão;
-
grande divisão do trabalho, com especialização/organização/disciplina;
-
produção
em larga escala e em série;
- alienação do trabalho: onde o trabalhador não tinha o controle sobre o processo e as condições do trabalho;
- alienação do trabalho: onde o trabalhador não tinha o controle sobre o processo e as condições do trabalho;
RUY MOREIRA - “Inovações Tecnológicas e Novas Formas de Gestão do Trabalho”
repasso texto do grande Ruy Moreira.
___
___
Texto
extraído de Ruy Moreira. “Inovações Tecnológicas e Novas Formas de Gestão do
Trabalho”. (Palestra promovida no Depto. de Geografia da UFF em 24/10/95 pela
AGB-Niterói)
Nosso
cotidiano atual está invadido de expressões indicativas de que o mundo entra
neste [início] de século num novo período de estruturação da técnica e de alinhamento
das relações entre capital e trabalho. Fala-se de uma nova revolução industrial.
Conhecemos
até agora duas revoluções industriais. Está em curso a terceira. Veremos as
duas primeiras para poder situarmos a terceira.
A primeira
revolução industrial ocorre na Inglaterra no século XVIII (1780-1830). A
Inglaterra é o primeiro país a passar por esta revolução paradigmática e assim
a organizar-se maduramente no seu padrão.
Por volta de
1830, a primeira revolução industrial se completa na Inglaterra, e daí imigra
para o continente europeu. Chega à Bélgica e França, países próximos do
arquipélago britânico. por volta dos meados deste mesmo século XIX, atravessa o
Atlântico e ruma para os Estados Unidos. E, no final do século, retorna ao continente
europeu para retomar seu fio tardio na Alemanha e na Itália e ao mesmo tempo
saltar terras e mares para chegar ao Japão.
Quando chega
aos Estados Unidos e países do capitalismo tardio(Alemanha, Itália e Japão), a
primeira revolução industrial já está cedendo lugar à segunda revolução
industrial. De modo que o sistema industrial desses países vai combinar às
características da primeira elementos característicos já da segunda revolução industrial.
A segunda
revolução industrial começa pelos fins do século XIX. Por volta de 1870. Mas a
transparência de um novo ciclo só se dá nas primeiras décadas do século XX. O
século XIX transita para o século XX governado por essa transição de um período
técnico e de trabalho para outro, o da primeira para o da segunda revolução
industrial. É por isso que a segunda revolução industrial é tomada como um
fenômeno muito mais dos Estados Unidos que dos países europeus.
“É a segunda
grande guerra o grande impulsionador da sua expansão e mundialização. As
necessidades bélicas empurram a tecnologia da segunda revolução industrial a se
desenvolver tão rapidamente, que nem bem a guerra termina e as velhas
indústrias da primeira revolução industrial já começam sua migração dos Estados
Unidos, da França, da Alemanha, da Inglaterra e do próprio Japão para os países
ainda agrários de então. É a vez de se industrializarem a América Latina, a
Ásia e mesmo países da África. É assim que quando estes países se industrializam,
se industrializam misturando paradigmas da primeira e da segunda revolução
industrial.
“A década de
50 marca a chegada da revolução ao Brasil. A indústria fabril já aparece no
Brasil nos finais do século XIX. São indústrias que vão aparecendo em São Paulo,
Porto Alegre, Rio de Janeiro, típicas ainda da primeira revolução industrial,
com incorporações de poucas das características da organização e administração
da segunda revolução industrial. Mas só na década de 50 é que a revolução
industrial vai realmente se instalar no Brasil(idem América Latina, Ásia e
partes da África) e incorporar toda a sociedade ao seu sistema de economia.
“Acontece
então que quando a segunda revolução se instala entre os países do chamado
Terceiro Mundo, o mundo industrial já manifesta os sinais da terceira revolução
industrial. E chega assim com características misturadas da segunda com as da
terceira revolução industrial. De modo que quando a segunda revolução
industrial chega trazendo para o Brasil a sua revolução industrial, nos Estados
Unidos já está se começando a produzir o computador, que é o elemento
característico de sinalização já de um terceiro ciclo de revolução industrial,
a terceira revolução paradigmática. Hoje, quando o Brasil se torna um país
altamente industrializado, seu sistema industrial combina elementos
característicos da técnica e do trabalho da segunda e da terceira revolução
industrial.(...)
A primeira
revolução industrial e o paradigma manchesteriano
O ramo
característico da primeira revolução industrial (1780-1830) é o têxtil de
algodão. Ao seu lado aparece a siderurgia, dado a importância que o aço tem na
instalação de um período técnico apoiado na mecanização do trabalho.
A classe
trabalhadora típica desse período técnico e de trabalho é por isso o operariado
das fábricas têxteis.
O sistema de
técnica e de trabalho desse período é o paradigma manchesteriano, nome dado por
referência a Manchester, o centro têxtil por excelência representativo desse
período...
A tecnologia
característica é a maquina de fiar, o tear mecânico, o descaroçador do algodão.
Todas são máquinas movidas a vapor originado da combustão do carvão, forma de
energia por excelência desse período técnico. ...
A base do
sistema manchesteriano é o trabalho assalariado, cujo cerne é o trabalhador por
ofício. Um trabalhador qualificado e geralmente pago por peça.(...)
Uma
característica básica dessa organização é a porosidade. Isto é, a grande
quantidade de tempos de interrupção que o trabalhador precisa fazer no seu trabalho.
Uma vez que realiza o seu trabalho utilizando diversos tipos de ferramenta e
executa sua função se deslocando entre diferentes pontos da fábrica, o
trabalhador de ofício é obrigado a interromper seus movimentos para pegar esta
ou aquela ferramenta que usa, este ou aquele material que manipula como
matéria-prima, bem como para deslocar-se entre este e aquele lugar onde vai
executar sua ação. Este espaço de tempo que medeia entre uma parada e outra é
um poro, sendo comum um dia de trabalho ser intercalado de muitos poros. Ao
final da jornada, estas interrupções somam um tempo parado expressivo que
interfere no ritmo e velocidade do desempenho do trabalho, influindo
determinantemente no custo e na produtividade do sistema.
É um
trabalho pesado, estafante e extremamente insalubre, por realizar-se em prédios
em regra sem uma luminosidade mínima e um mínimo de ventilação, numa jornada
que se alonga às fezes por mais de 12 horas.(...)
O elemento
articulador das relações e determinador da distribuição da riqueza social
produzida é a relação de mercado. O Estado deixa a regulação da economia para
as regras do mercado...
A relação de
mercado regula assim desde o nível salarial dos patrões e empregados até o da
formação e redistribuição dos lucros entre as empresas em sua competição nos
mercados local, nacional e internacional.
Diz-se
liberal esta forma de regulação, porque neste período técnico e de trabalho
impera a regra do liberalismo político(o Estado só atua no plano do funcionamento
geral do sistema do capitalismo) e econômico (as relações entre patrões e
empregados são diretas e são livres as disputas de mercado).(...)
A segunda
revolução industrial e o paradigma fordista
A segunda
revolução industrial tem suas bases nos ramos metalúrgico e químico. Neste
período o aço se torna um material tão básico que é nele que a siderurgia ganha
sua grande expressão. Fala-se de uma era do aço... A imagem da segunda
revolução industrial está associada à indústria automobilística, ramo dependente
dos ramos básicos, mas que assumirá o centro de gravidade desse período
técnico.
O
trabalhador típico desse período é o metalúrgico, tipo de operário que encontraremos
espalhado pelos ramos metalúrgico, metal-mecânico e eletromecânico.
O sistema de
técnica e de trabalho desse período é o paradigma fordista. Termo que remete ao
empresário Ford, criador na sua indústria de automóveis em Detroit, Estados
Unidos...
A tecnologia
característica desse período é o aço, a metalurgia, a eletricidade, a
eletromecânica, o petróleo , o motor a explosão, a petroquímica. A eletricidade
e o petróleo são as formas de energia que movimentam as máquinas e um sistema
de transportes de grande rapidez e capacidade de deslocamento onde a rodovia e
a navegação aérea vêm se somar a ferrovia e à navegação marítima.
A segunda revolução
muda e transforma por inteiro ...a sociedade.
Encarnando a
novidade da automação, Ford cria a linha de montagem. Apoiada numa esteira
rolante, a linha de montagem, típica do fabrico de automóveis, é o processo
técnico que ficará registrado como a forma mais característica de automação,
com a qual introduz na indústria a produção padronizada, em série e em massa.
O efeito
sobre a organização do trabalho é o de uma radical reestruturação. Com o
fordismo um trabalhador desqualificado surge no lugar do velho trabalhador de
ofício com função puramente de executar dentro da fábrica uma tarefa de trabalho
específica, simples e integrada, que qualquer trabalhador pode realizar em um
tempo curto e repetidas vezes com grande ritmo de velocidade. O trabalhador
qualificado por ofício do paradigma manchesteriano desaparece para dar lugar
assim ao trabalhador de tarefas especializadas e que desnecessita de qualquer
qualificação profissional.
O exemplo é
a esteira da linha de montagem do automóvel. Ao longo da rolagem da esteira o
automóvel vai sendo montado peça a peça. Começa numa ponta com a primeira peça,
na medida que a esteira se desloca as peças vão se juntando umas às outras, até
que ao final se junta a última peça e o automóvel está pronto. Os trabalhadores
ficam dispostos ao longo da esteira rolante, cada qual num posto de
trabalho(daí a origem desse termo e da expressão “eliminação de postos de trabalho”
usada em época de desemprego), esperando com uma peça na mão que chegue até ele
o conjunto de peças já acopladas para que junte a um ritmo de velocidade
acelerada e ininterrupta. Uma função mecânica, extenuante e para a qual não se
precisa pensar. Pensar é função de um especialista, o engenheiro, que planeja
para o conjunto dos trabalhadores dentro do sistema da fábrica.
Temos aqui a
principal característica do período técnico da segunda revolução: a separação
entre concepção e execução, separando quem pensa( o engenheiro) e quem
executa(o trabalhador massa). É pois o taylorismo o que está na base do fordismo.(...)
Observando o
sistema do trabalho existente nas indústrias dos Estados do final do século
XIX, e notando sua porosidade, Taylor elabora um sistema que designa de
organização científica do trabalho(OMT). Consiste esta organização em separar o
trabalho de concepção e o trabalho de execução, com o intuito de, a um só
tempo, retirar dos trabalhadores de ofício a autonomia própria do paradigma manchesteriano
de que ainda desfrutam dentro do trabalho fabril e assim submetê-los a um forte
controle patronal através dos seus engenheiros. Em passar para a classe
patronal e seus engenheiros a função de pensar e deixar para a massa dos trabalhadores
a função exclusiva de executar. Desqualificando e massificando o trabalho e
qualificando o capital. O alvo são os movimentos gestuais do trabalhador e as
ferramentas que utiliza. Para isso, o trabalho manual é reduzido ao máximo da
sua simplificação. Gestos e ferramentas são decompostos e reduzidos nos seus aspectos
mais simples, de modo a assim poderem ser reduzidos à especialização mais
absoluta. O trabalhador fica limitado a uns poucos movimentos corporais e ao
uso das poucas ferramentas a eles correspondentes. E o trabalho é transformado
numa rotina de repetição ao infinito dos mesmos gestos e numa cadência de velocidade
crescente.
Daí o
trabalho taylorizado ser especializado, fragmentado, não-qualificado, intenso,
rotineiro, insalubre e herarquizado. Sobretudo hierarquizado. Há um engenheiro
em cima, projetando no escritório, para que os de baixo executem no chão da
fábrica. Para que chegue aos trabalhadores de execução o projeto deve passar
por toda uma rede intermediária de (técnicos) e chefias. A fábrica é dividida
em vários setores, cada setor tendo um chefe. Se o número de trabalhadores do
setor é ainda grande, as chefias são dividias em comando de grupos de quatro ou
cinco trabalhadores de execução. (...) Uma tal hierarquia, dita engenharia
gerencial, implica uma face de vigilância que é quase uma condição da
organização do trabalho do período técnico do trabalho da segunda revolução
industrial e uma de suas mais fortes características.
O
investimento nas empresas da segunda revolução industrial é por isso muito
alto. A começar pela grande soma que pede de tempo e recursos de pesquisa
necessária à geração de sua tecnologia. Por isso que no centro desse período técnico
estão a ação do Estado e o poder dos monopólios. Grandes empresas estatais e
privadas dominam o sistema econômico no seu todo, da escala nacional à
internacional, a escala local praticamente desaparecendo.
Morre então
o liberalismo clássico de Adam Smith e Ricardo como ideologia de época. É, ... substituído pelo keynesianismo, o
Welfare State, o discurso macroeconômico do monopolismo empresarial e do Estado
que passa a vigorar após 1930.
A terceira revolução
industrial e o paradigma toyotista
O século XX
termina com a crise do paradigma taylorista-fordista. No lugar do seu sistema
rígido de regulação técnica e do trabalho vai surgindo o sistema flexível da
terceira revolução industrial, baseado no TQC, CCQ, JIT
(just-in-time/produção-a-tempo), kanban, reengenharia. Expressões do paradigma
em formação.
Os ramos
básicos da terceira revolução industrial são os ligados à microeletrônica. Mas,
assim como no caso da segunda, é a indústria automobilística o ramo que forma o
paradigma técnico e do trabalho. Denomina-se toyotismo, nome tirado da fábrica
Toyota.
A tecnologia
característica desse período técnico que no Japão se inicia é a
microeletrônica, a informática, a máquina CNC(de controle numérico computadorizado),
o robô, o sistema integrado, a telemática(telecomunicações informatizadas), a
biotecnologia. Sua base mistura à Física e à Química, a Engenharia Genética e a
Biologia Molecular.
Mas dessa
tecnologia faz parte também um conjunto de novos materiais, em particular os
semicondutores, importantes na montagem do próprio sistema tecnológico.
O computador
ocupa um lugar central. O computador é uma máquina. Mas de novo tipo.
Diferente. A máquina paradigmática das duas revoluções industriais anteriores é
uma máquina de movimentos rígidos e incapaz de mínima reciclagem que no decurso
da produção se faça necessário. O computador é uma máquina flexível. Composto
de duas partes. O hardware e a do software...
A
organização do trabalho sofre uma profunda reestruturação. Uma conseqüência
imediata do emprego do computador é a reaproximação entre o trabalho de
concepção e o trabalho de execução. E
que vai ser uma característica central do novo paradigma. Disso resulta um
sistema de trabalho polivalente, flexível, integrado em equipe, menos
hierárquico. computadorizada, a programação de conjunto é passada a cada setor
da fábrica para discussão e adaptação em equipe(CCQ), onde se converte num
sistema de rodízio de tarefas que restabelece a possibilidade de uma ação criativa
dos trabalhadores ao nível de setor.
Todavia, os
problemas de esgotamento e estenuação do trabalhador ainda mais ampliam em
relação ao sistema fordista. Como o sistema de trabalho toyotisma se dá em
rodízio dentro do setor para o fim de alternagem das tarefas, cada trabalhador
passa operar com duas ou três máquinas de um só vez, daí resultando um grau
ainda maior de estressamento.
Toda essa
flexibilização técnica e do trabalho entretanto flexibiliza no todo o sistema
econômico. Sobretudo a relação entre produção e consumo através do TIP(just-in-time) e do kanban. No sistema
JIT(produção-a-tempo), a produção é regulada pela demanda do consumo. Produz-se
na medida do que a demanda peça, evitando-se a superprodução e consequinte
formação de estoques. O JIT se apóia no kanban, um sistema de controle da
reposição de mercadorias adotado nos supermercados, que é levado para a fábrica
toyotista. Cada mercadoria vendida é reposta pelo setor de estoque a partir da
etiqueta destacada no ato da venda e a ele remetida. A venda orienta o
movimento de compras e de restabelecimento de estoque. Adaptado, este mecanismo
é introduzido na fábrica em relação à compra e estoque de peças e também à
venda dos produtos fabricados. O estoque é reposto na medida da quantidade que
sai para uso na linha de montagem. Do mesmo modo o do automóvel produzido. O
resultado é uma radical redução do volume dos estoques, seja de peças e seja de
automóveis produzidos dentro da fábrica.
É assim que
a introdução do paradigma flexível retoma e leva para muito além de antes a
taxa da expansão de capitalismo. E acelera a sua globalização. O monopolismo
fica ainda maior. E muda de forma. A verticalização do tempo fordista cede
lugar à horizontalização. Os veículos são a terceirização e a subcontratação.
Com a horizontalização terceirizada e subcontratada o problema dos altíssimos investimentos
que a nova tecnologia pede é contornado e o controle da economia agora
transnacionalizada fica nas mãos de um punhado ainda menor de empresas. Sob a
condução delas a velha divisão imperial do planeta cede lugar a uma geopolítica
globalizada.
Um primeiro
efeito dessa estratégia globalizada se refere aos Estados Nacionais. Sujeitos
ao poder da empresa globalizada estes perdem a expressão de antes e se tornam o
alvo da ação do neoliberalismo. Um conjunto de reformas baseada na privatização
das empresas estatais criadas sob inspiração keynesiana.
Os períodos
técnico e de trabalho e a classe trabalhadora.
Toda vez que
o período técnico muda, correlatamente muda a forma correspondente de trabalho.
E, então, tem início uma fase de desmonte das estruturas existentes e de
montagem das estruturas novas. Foi assim na passagem do paradigma
manchesteriano(seç. XVIII-XIX) para o taylorista-fordista(séc. XIX-XX). E está
sendo assim nesta passagem do paradigma taylorista-fordista para o paradigma
toyatista(séc.XX).
A cada um
desses momentos de trânsito paradigmático corresponde uma fase de perplexidade
e desarrumação no seio da classe trabalhadora. Uma nova classe trabalhadora está
nascendo, sem que a velha disso tenha se dado conta. É que se mudam as bases
técnicas da sociedade, as formas de trabalho e o paradigma de mundo, é de
esperar que mude a classe trabalhadora, sua mentalidade e formas
instituicionais de organização. As relações de trabalho estão se desfazendo. As
regras de gestão de trabalho se refazendo. E os padrões industriais estão se
reestruturando. Mas o entendimento da classe trabalhadora raramente é contemporâneo.
Daí a sua
reação inicial de perplexidade e desarrumação instituicional. A recuperação só
vem a seguir. E em cada época sob uma forma própria. A passagem da fase da
manufatura para a da fábrica manchesteriana foi marcada pela formação das
associações e cooperativas de ajuda mútua, de quebra das máquinas e por fim da
criação dos sindicatos de ofícios. A passagem da fase do paradigma
manchesteriano para a do paradigma taylorista-fordista, pela busca de
manutenção do emprego e integração da ação sindical com os movimentos sociais
para somar um arco mais amplo em defesa da permanência dos benefícios sociais
conquistados.
Também a
classe patronal segue em cada época uma estratégia igualmente própria . Na fase
de introdução do paradigma manchesteriano a estratégia foi o pagamento do
salário por peça, de modo a instalar a concorrência entre os trabalhadores de
ofício e a explorar a sua estimulação por mais salários. Na de introdução do
paradigma taylorista, foi o despojamento do saber o perário pela usurpação do
trabalho intelectual de concepção e a troca do salário por peça pelo salário
padrão. E agora na da introdução da estratégia toyotista, é a ação repressiva
destinada a desmontagem do sindicalismo de massa(Toyota responde à greve de
1950 e a Nissan a de 1952 com prisões e desemprego generalizado) e a pulverização
coercitiva do sindicato por empresas.
Na passagem
atual do paradigma taylorista-fordista para o paradigma flexível do toyotismo
um novo mundo do trabalho, uma nova forma de classe trabalhadora e uma nova
institucionalidade de organização estão nascendo. É tarefa dos olhos atentos
percebê-las. E isso de modo tão rápido quanto é preciso sair da perplexidade
que hoje novamente se instala.
domingo, 20 de maio de 2012
MAPAS TOYOTA - produção, distribuição, consumo
Rede geográfica de produção e de distribuição da Toyota - Atlas de la mondialisation - 2007
Mapa locais produção e mercados Toyota - DURAND_MF_Atlas da mundialização_compreender o espaço mundial contemporâneo
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Mapas sobre Indústria - Brasil
Mapa Distribuição espacial da indústria brasileira - Atlas geográfico escola, IBGE, 2007
Mapa Brasil - indústrias fundadas após 1995 - Atlas do Brasil disparidades e dinâmicas do território
Concentração industrial em 1960 - Indústria e território em SP_a estruturação do Multicomplexo
Concentração industrial em 2005- Indústria e território em SP_a estruturação do Multicomplexo
Mapa Brasil - indústrias fundadas antes de 1969 - Atlas do Brasil disparidades e dinâmicas do território
Anamorfose-Cartograma do PIB por estado em 2006
BRASIL - Localização das Unidades Fabris
Brasil_Localização da Indústria_Automobilística
Brasil_PIB industrial
Brasil_distribuição espacial da indústria
Expansão_Indústria_estado_SP
Mapa Brasil - indústrias
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
A Geografia das Revoluções Industriais, do Capitalismo e do Estado-burguês
repasso texto que eu fiz.
___
Wladimir
Jansen Ferreira
A
Burguesia queria possuir poder político no modo de produção feudal, fato que
era privilégio de outras classes sociais (nobreza e o clero). Era necessário
que a burguesia acumulasse “capital mercantil” (até porque eram comerciantes)
para que pudesse obter as condições materiais para as mudanças na sociedade e
se tornasse, enfim, hegemônica socialmente.
A
acumulação de “capital mercantil” acontecerá significativamente durante a
“expansão comercial e marítima”, também conhecida como o período das Grandes Navegações
(ocorrida aproximadamente entre séculos XI e XVIII). Esta acumulação de
“capital mercantil” também ocorria nos comércios locais, que sofrerá uma
revolução com a criação das primeiras Indústrias em meados do século XVIII.
A
criação das Indústrias será decisiva para a burguesia, pois criará as condições
materiais para realizar as mudanças estruturais na sociedade. Até então, as
formas de produção utilizadas para a burguesia vender em seus comércios eram
insuficientes. O Artesanato não atendia aos interesses da
burguesia porque os preços dos produtos eram altos, pela pequena
produção (menos produtos em um intervalo de tempo grande). Este tipo de
produção também era caracterizado pela ausência de divisão do trabalho, pelo
trabalho manual e pelos instrumentos de trabalho simples que pertenciam ao
próprio trabalhador.
Pela pouca produção, a
burguesia achava o Artesanato ruim, não sendo viável para seus interesses
econômicos e políticos. Neste sentido, esta criará a Manufatura, que significou um aumento da produção em um
intervalo menor de tempo. As características da produção na Manufatura foram a
introdução de máquinas simples e manuais, uma pequena divisão de trabalho, além
de um aumento da produção.
No
entanto, a burguesia queria possuir mais produtos para vender no seu comércio,
fato este que a faria acumular mais capital mercantil. Isto ocorrerá somente
com a criação da Indústria em meados do século XVIII.
Com
a criação da Indústria, em meados de 1750-80, teremos a “Primeira
Revolução Industrial” e não será à toa
que a “Revolução Francesa” (que significou a derrocada do feudalismo e o início
do capitalismo) ocorrerá depois desta em 1789. O surgimento da
primeira Indústria será na cidade de Manchester (localizada na Inglaterra) e em
um primeiro momento se espalhará para Bélgica, França e EUA e em um segundo
momento para a Alemanha, Itália e Japão. A primeira indústria que surgiu foi
uma “têxtil”, só ocorrendo porque a Inglaterra tinha uma vasta plantação de
algodão na suas colônias (principalmente nos EUA). Aliás, a Indústria só
poderia surgir na Inglaterra, pois ela tinha as condições materiais, tais como
matéria-prima (carvão mineral, etc), colônias, grande força de trabalho,
burguesia desenvolvida, máquinas à vapor, cientistas como Isaac Newton (o “pai
da física”, mecânica, maquinas), etc.
Segundo MOREIRA (1995),
o período da “Primeira
Revolução Industrial” ocorreria entre 1780 à 1830, destacando-se
as indústrias têxteis e siderúrgicas, o transporte através de ferrovias e
navegação marítima, máquinas movidas pelo vapor do carvão mineral e provocando
inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades
(criando enormes concentrações urbanas).
Segundo VITA (1989), as
primeiras fases da Revolução Industrial foram marcadas por uma enorme
exploração, descritas na literatura por romancistas do século XIX como Charles
Dickens (e em filmes como “Daens – um
grito de justiça” de 1993). Homens, mulheres e crianças eram confinados em
fábricas, minas e oficinas durante jornadas de trabalho de até 12 e 14 horas,
em deploráveis condições sanitárias e de trabalho. Tendo um cortiço como
moradia, os operários ficavam submetidos a jornadas de trabalho enormes, que
chegavam até à 80 horas por semana. O salário era medíocre (em torno de 2,5
vezes o nível de subsistência) e tanto mulheres como crianças trabalhavam
recebendo um salário ainda menor.
A
produção será agora em larga escala e dividida em várias etapas, fato que
distanciaria cada vez mais o trabalhador do produto final, já que cada grupo de
trabalhadores passava a dominar apenas uma etapa da produção, apesar de sua
produtividade ficar maior. Com a Indústria teremos a chamada “alienação no trabalho” e a
instituição de uma “jornada de
trabalho”, sendo esta possível com a dissociação do trabalhador de seus
meios de produção.
Desde
a criação das primeiras Indústrias no mundo verifica-se que o Estado (agora
vivente sob o modo de produção Capitalista) preocupava-se em colocar algum tipo
de ordenamento espacial para a melhor realização das relações capitalistas.
Para que o capitalismo ocorra na sociedade, é necessário que o espaço ou a
geografia dos lugares estejam adaptados para as necessidades produtivas da
sociedade capitalista. O capitalismo vai transformando os espaços públicos como
uma extensão do espaço da fábrica.
Apesar
do Liberalismo Clássico (depois o Neoliberalismo) se opor a autoridade do
Estado essencialmente nas leis que determinam o que deva ser produzido, o
Capitalismo utiliza-se do Estado nos momentos de crise econômica e no seu poder
coercitivo[1].
Aparentemente a “filosofia liberal” entraria em contradição com a existência do
Estado e o seu papel absoluto e organizador, mas não é bem assim como se
parece. HUNT & SHERMAN (1977, p. 60) disseram que:
(...) um dos princípios do liberalismo clássico era que os homens
(sobretudo os homens de negócio) deveriam dispor de liberdade para dar vazão a
seus impulsos egoístas, o que implicava a supressão dos mecanismos de controle
e coerção impostos pela sociedade, exceto os dispensáveis.
Portanto
“existem os dispensáveis”, coisas que o Estado nunca deixará de buscar
organizar. Neste sentido, os autores HUNT & SHERMAN (1977, p. 67) disseram
que a coerção estatal é essencial à própria existência do capitalismo, pois:
(...) Atribuir ao governo a função de proteger as relações de
propriedade significava atribuir a missão de proteger a fonte de onde emanava o
poder que fazia dos capitalistas a classe política e economicamente dominante.
A função de zelar pela execução dos contratos era também essencial para
o bom funcionamento do capitalismo. (...) Em vista disso a execução dos
contratos, indispensáveis para o funcionamento do sistema capitalista
transformou-se em dever do Estado, exercido por meio da coerção.
A burguesia do começo do século XX queria acumular
mais capitais e achava que poderia otimizar ou aperfeiçoar a produção,
reduzindo o desperdício de tempo, até porque “tempo era dinheiro”.
MOREIRA (1995) diz que havia uma “porosidade” durante a produção da época da
“Primeira Revolução Industrial”,
ou seja, uma grande quantidade de tempo de interrupção que o trabalhador fazia
no trabalho, gastando tempo e diminuindo a produção.
Para
que ocorra este aperfeiçoamento produtivo é criado no interior das Indústrias o
chamado de Fordismo. Para que este se devolvesse foi criado o “Taylorismo”, que
seria a base do Fordismo, introduzindo noções de trabalho especializado,
fragmentado, não qualificado, intenso, rotineiro, insalubre e hierarquizado.
O
Taylorismo foi uma ordenação da produção fabril concebida por Frederick
W. Taylor (1856/1915) buscando o aumento da produção através da
“organização cientifica do trabalho” (OMT), que era uma nova organização
espacial do processo produtivo nas fábricas. Tivemos o início da divisão das
atividades do processo produtivo nas especializações, tendo uma divisão do
trabalho intelectual e do trabalho manual-braçal. O
método “taylorista” simplificava ao máximo as tarefas dos operários, de modo
que o seu grau de dificuldade fosse o mínimo possível. O fluxo de produção
deveria ser dividido e subdividido até que cada trabalhador só realizasse uma
ínfima parte do processo como um todo.
Segundo VITA (1989), o Taylorismo
dizia que os operários não deveriam perder tempo pensando sobre o que faziam.
Planejar, controlar e introduzir melhorias nos processos era responsabilidade
de uma equipe de engenheiros e aos operários cabia somente usar as mãos, nunca
os cérebros. Esse método trata o trabalhador como se fosse máquina, mas na
verdade ele tem até menos status que as próprias máquinas, já que tem que
adaptar o seu ritmo de trabalho ao dos equipamentos. Nesse tratamento
combinava-se com a dificuldade do trabalhador em identificar-se com o produto
do seu esforço. Segundo VITA (1989), um homem que simplesmente fixava para-lamas
não via o automóvel pronto como obra sua, ele não era nem ao menos capaz de
entender o funcionamento do carro. A única coisa que ele sabia era fixar para-lamas
e como resultado o operário não sentia orgulho nem entusiasmo pelo seu
trabalho.
Com
o modelo taylorista-fordista teremos a “Segunda Revolução
Industrial”, que MOREIRA (1995) diz começar a
partir de 1870 (com destaque para o início do século XX). Destacam-se as
indústrias metalúrgica, química, siderúrgica e automobilística. As fontes de
energias em ebulição eram o petróleo e a eletricidade. O transporte será o
aéreo e o rodoviário.
O método de Taylor foi
levado às últimas conseqüências por Henry
Ford (1862-1947), que criará um método que ficou conhecido como Fordismo. O Fordismo foi concebido nas fábricas de automóveis
de Henry Ford (1863/1947) e rapidamente seu método produtivo
se espalharia para outras Indústrias dos mais variados tipos de produção em
massa. Este revolucionaria a linha de produção com a incorporação da esteira
rolante na linha de montagem. Ao longo da linha de montagem, trabalhadores
realizam operações geralmente simples, o que simboliza o total desmembramento
da produção, sempre objetivando cada vez mais produtividade (com grandes
estoques) e maiores lucros.
Com
o Fordismo necessariamente há de ocorrer um aumento da especialização do
trabalho, padronização e produção em série, uma superprodução,
um superestoque e um superconsumo.
A
superespecialização do trabalho gera o aumento da alienação do trabalho e o
surgimento de doenças relativas ao trabalho repetitivo. Os corpos estão ficando
cada vez mais automatizados
Esta
superprodução foi ruim para a burguesia, pois haveria um superestoque e a
conseqüente redução do preço dos produtos. As leis do preço e da oferta-procura
dizem “se tem uma produção alta os preços devem ser rebaixados e se a produção
é baixa os preços devem ser elevados”.
No
começo do século XX tivemos uma grande crise do capitalismo, pois os preços dos
produtos estavam caindo, as empresas falindo, os trabalhadores sendo
desempregados. Foi uma crise de esgotamento do padrão do liberalismo clássico
na economia. Esta crise culminou na Crise de 1929 (da Quebra da Bolsa de
Valores de Nova York). O mercado não estava possibilitando a circulação produtiva
por ter uma saturação (oferta era maior do que a demanda).
O
Fordismo também tem a sua dimensão social e espacial, até porque território é
um reflexo da sociedade e a sociedade não é estática. O “espaço ou território
fordista” buscará uma integração produtiva para a sociedade capitalista. A
integração territorial é o objetivo almejado pela burguesia, pois isto
significaria um desenvolvimento do “espaço fordista” e conseqüentemente uma
melhor realização das relações produtivas capitalistas.
O
“espaço fordista” subsume um território integrado horizontalmente (as chamadas
economias de integração), criando uma rede urbana com pleno acesso, pleno
consumo, pleno emprego e plena produção. É um território onde ocorre de fato o
“meio técnico científico informacional”, ou seja, a globalização em grandes
proporções. É um território da inclusão produtiva e também de exclusão social,
as fragmentações espaciais entre as classes sociais ficam mais do que evidentes.
MOREIRA
(2004, p.103) diz que: “nas sociedades capitalistas a ordem geométrica exprime
o jogo das relações criadas para disciplinarizar a hegemonia do capital sobre o
trabalho”. Portanto a forma e a ordem geométrica das geografias dos lugares são
uma expressão do Modo de Produção das sociedades, além de serem essenciais para
a manutenção das relações produtivas.
Voltando
à crise de esgotamento do Fordismo com a Crise de 1929, a resposta para esta
crise terá duas frentes: uma no interior das fábricas (com a “Terceira
Revolução Industrial”) e outra no campo político. Esta segunda é expressa pelo
Keynesianismo (Intervencionismo Estatal), a Segunda Guerra Mundial e a
intensificação da Colonização nos países africanos e asiáticos.
O capitalismo precisou
passar a partir da segunda metade do século XX, por um processo chamado de “reestruturação produtiva”. Havia uma
necessidade de a burguesia acumular mais capital de forma mais “flexível”.
A
“Terceira Revolução Industrial” teve uma dimensão nas fábricas chamada de
Toyotismo. Esta se desenvolveu nas fábricas japonesas da Toyota
baseadas nas ideias do engenheiro Taiichi Ohno (1912-1990). Caracterizava-se pelo desenvolvimento tecnológico da
produção (robótica, microinformática, internet, meios de comunicação e
transporte), pelo sistema just-in-time/JIT (subordinando demanda ao consumo, ou
seja, a produção está subordinada à demanda do mercado consumidor, quase nunca
produzindo excedentes ou superestoques) e
de Kanbam (sistema de controle da reposição de mercadorias, com estoque reposto
na medida da quantidade que sai para uso na linha de montagem).
Com
o Toyotismo temos um aceleramento da globalização, com economia
transnacionalizada e monopolizada nas mãos de poucas empresas. Se no “fordismo”
tínhamos “verticalização do tempo”, no “toyotismo” teremos “horizontalização do
tempo”. É posta a noção de que se pode “produzir mais com menos”, ou seja, reduzir o número de empregados
para se fazer o trabalhador operar mais de uma função. Surge a concepção do “trabalho multi-função”.
Segundo
MOREIRA (1995), destaca-se também neste período as indústrias automobilísticas,
a microeletrônica, a informática, a máquina CNC (“controle numérico
personalizado”), a robótica, o sistema integrado, a biotecnologia, a telemática
(telecomunicações informatizadas), etc. O trabalho é polivalente,
flexível, integrado em equipe, menos hierárquico, computadorizado, CCQC
(programação de conjunto é passada a cada setor da fábrica para discussão e
adaptação em equipe, com rodízio de atividades e tarefas que restabelece a
possibilidade de uma ação criativa do trabalho ao nível do setor). Há uma
ampliação do esgotamento e extenuação do trabalhador, com cada trabalhador
operando de 2 a 3 máquinas de uma só vez, aumentando a terceirização do
trabalho, a subcontratação e precarização dos direitos dos trabalhadores.
Ocorreu
um processo de terceirização da economia, com os empregos passando cada vez
mais a serem do tipo “informal” ou precário, ou seja, sem registro em carteira
e sem direitos trabalhistas. Proliferam as terceirizações e os “bicos”. Segundo
o DIEESE[2] muitos empregos
foram criados no período petista na presidência brasileira (de 2002 à 2013),
mas a grande maioria destes empregos é composta por empregos precarizados e de
baixíssima remuneração. Entre 2000 e 2010 foram criados 20 milhões de postos de
trabalho com carteira assinada de até 1,5 salários mínimos, mas foram extintos
4 milhões de empregos que pagavam 3 salários mínimos ou mais. Se entre 1970
a 2000
os empregos de até 1,5 salários mínimos caíram de 77% para 45,8%, de 2000
a 2012,
estes empregos subiram para 59%. Dos trabalhadores que ganhavam até 1,5
salários mínimos na década de 2000, 31% eram do setor de serviços, sendo que
2/3 destes trabalhadores eram temporários, sendo demitidos antes de completar 1
ano de serviço. Houve uma precarização do emprego, uma desvalorização dos
salários e uma redução dos diretos da classe trabalhadora.
O
Neoliberalismo como modelo de economia é posta em prática pelo Estado
Capitalista com privatização das empresas estatais criadas sob inspiração Keynesianista.
Entretanto, antes do surgimento do Neoliberalismo, é necessário se falar do
Keynesianismo.
O
Keynesianismo ou Intervencionismo foi influenciado na experiência soviética e é
um planejamento macro-capitalista, surgindo para salvar o capitalismo,
solucionando e amenizando nas crises cíclicas do capital. Este diz que o Estado
tem de ser regulador, indutor e organizador, mas não deve intervir nas
empresas. O Keynesianismo é necessário para que seja instalado o “espaço
fordista” no território.
MOREIRA
(2004, p.56) diz que o Estado Liberal é convertido no Welfare-State (o Estado
do Bem-Estar Social). O Estado geraria a sociedade “para viabilizar a
acumulação do capital pelos grandes monopólios econômicos”, tendo a “tarefados
investimentos em infra-estrutura (transportes, indústrias de equipamento,
comunicações, etc) e em meios de consumo coletivo (escolas, hospitais,
transportes urbanos de massa, etc), com recursos públicos”. Temos a
socialização de recursos para a maior acumulação privada dos grandes monopólios
econômicos.
O
Keynesianismo se utiliza da social-democracia (e o Estado do Bem-Estar Social)
para ser reformista e humanizar o capitalismo. Ele deixará alguns serviços
gratuitos e contribuirá para que outros serviços sejam ofertados por empresas
privadas, fato que também contribuirá no aumento do consumismo.
Os
EUA na década de 1930 lançará as práticas Keynesianistas através do
programa New Deal, que foi implementado pelo presidente F.
Rooseevelt. O Keynesianismo esteve presente em praticamente todos os países do
mundo entre as décadas de 1930 à 1980[3].
Na
pós-segunda guerra mundial o Keynesianismo é mantido, mas abrandado e suavizado
nos EUA e nem tanto na Europa. A Guerra Fria foi um motivo para a continuidade
do Keynesianismo nos países capitalistas.
Com
a “Crise do Petróleo” na década de 1970 (que vinha ocorrendo desde a criação da
OPEP em 1960) temos um esgotamento do Keynesianismo e surgirá assim o
Neoliberalismo. GENTILLI (s/d)[4] diz
que o neoliberalismo significou “(...) estratégias políticas, econômicas e jurídicas
orientadas para encontrar uma saída dominante para a crise capitalista que se
inicia ao final dos anos 60 e que se manifesta claramente já nos anos 70”.
Os politicos que aplicarão integralmente a cartilha
neoliberal serão a Primeira Ministra da Inglaterra Margaret Thatcher, o
Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, o Presidente da Alemanha Helmut
Khol e o ditador chileno Augusto Pinochet.
Um
pouco antes, verificava-se que o projeto neoliberal começa a ser aplicado com o
então presidente norte-americano Richard Nixon, que, em 1971 decidiu acabar com
a paridade do dólar com o ouro, desligando todo o sistema monetário da
contrapartida em valor real. Esta desregulamentação “neoliberal” dará corda à explosão
da especulação financeira e faz com que o imperialismo norte-americano despeje
o custo de sua sobrevivência sobre o mundo inteiro.
A
partir deste período, as empresas que tinham se tornado muito poderosas,
perceberam que o Estado virara obstáculo para o avanço delas mesmas. A
derrocada da Guerra Fria também facilita neste esgotamento do Keynesianismo.
Os
grandes teóricos do neoliberalismo são Friedrich A. Hayek e Milton
Friedman que se preocupam com a reforma econômica e uma mudança nas mentalidades
e na cultura dos povos. Segundo GENTILI (s/d), tanto Hayek (em “O caminho da servidão”) quanto Milton
Friedman (em “Liberdade de Escolher”)
dizem que “toda forma de intervenção estatal constitui um sério risco para a
liberdade individual e o caminho mais seguro para a imposição de regimes
totalitários corno o da Alemanha nazista e o da União Soviética comunista” e
“só quando a sociedade reconhece o verdadeiro desafio da liberdade é possível
evitar as armadilhas do coletivismo”.
O
neoliberalismo surge com as retomadas dos ideais do liberalismo clássico, mas
com adaptações, como nas idéias de liberalização, desregulamentação,
flexibilização, precarização, privatizações, etc. Segundo GENTILI (s/d), o
neoliberalismo é um sistema politico que possibilita:
(...) permitir aos indivíduos
desenvolver sua inesgotável capacidade de livre escolha na única esfera que
garante e potencializa a referida capacidade individual: o mercado. A crise
social se deriva, fundamentalmente, de que os sistemas institucionais
dependentes da esfera do Estado (da política) não atuam eles mesmos como
mercados. Isto ocorre, segundo a perspectiva neoliberal, no campo da saúde, da
previdência, das políticas de emprego e também, é claro, da educação.
Apesar
de se buscar o “Estado Mínimo”, é errôneo afirmar que o neoliberalismo acabou
com o Estado, pois este ainda define o preço da força de trabalho (salário),
redistribuição da mais-valia (jurídica e fiscal-impostos), tem importância
ideológica (nação, escolas e repressão), etc.
ABRAMOVAY
(1992) diz que não podemos afirmar que o Keynesianismo foi deixado totalmente
de lado. Só deram uma suavizada nele, pois ainda é operante na agropecuária
mundial (principalmente na Europa).
Na
Europa, as práticas keynesianistas sustentam a renda agropecuária dos
agricultores familiares (camponeses), que tem importância estratégica. No Japão
temos um Keynesianismo nas intervenções estatais na produção do arroz (deixam
preço alto no arroz de outros países) e na indústria pesqueira. No Brasil temos
um Keynesianismo nas práticas de incentivo ao consumo (como na redução do IPI),
o financiamento dos custos de produção para a redução
de tarifas de energia (sendo que para a população varia de 16-18% e para as
indústrias foram de até 32%). Nos EUA, o
presidente Barak Obama pratica o Keynesianistmo ao privatizar a GM e propor um
pacote de ajustes fiscais.
A
crise capitalista de 2008-09 foi uma crise de esgotamento do padrão neoliberal.
O capitalismo já está se mobilizando para achar soluções para mais esta
contradição. Percebe-se, que se busca articular ideais do neoliberalismo com
ideais do Keynesianismo, sendo o primeiro voltado à economia global e o segundo
voltado às economias nacionais.
Estamos
agora na era “pós-fordista” ou na “sociedade do conhecimento”. No Brasil, o
“espaço fordista” só se consolidará totalmente durante o segundo governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006-2010), pela consolidação do consumo
(destacando programas de aumento de renda familiar, tal como a “Bolsa
Família”). Atualmente temos em nosso território o “espaço pós-fordista ou
toyotista”, levando a globalização produtiva da sociedade capitalista às
últimas conseqüências, integrando horizontalmente vários locais distantes
localmente. A exclusão e a desigualdade social e territorial estão ainda
maiores e cada vez mais planejadas.
O
super-consumo gera um consumismo e um endividamento das pessoas. O brasileiro teve um incremento de renda
principalmente pela aplicação das políticas de transferências de renda, que são
práticas paliativas e compensatórias, que foram iniciadas nos governos tucanos
de Fernando Henrique Cardoso e possuem a aprovação do Banco Mundial. Esta
política era necessária para incrementar renda para as classes menos abastadas,
entretanto, esta virou uma importante fórmula de controle social. Os
brasileiros com esta verba à mais está consumindo mais, obtendo mais bens
materiais. É importante deixar claro que "ter não é ser", pois possuir
bens materiais não significa uma emancipação social, fato que somente ocorrerá
com a derrocada da sociedade capitalista. Ter bens materiais gerou uma falsa
sensação de liberdade, mas aguçou o individualismo na sociedade brasileira,
fato que freia mobilizações sociais e reproduz o egoísmo “ostentatório” entre
as pessoas. A fetichização da mercadoria está em suas últimas
consequências. Ao incentivar alienadamente os programas assistencialistas,
o PT despolitiza os debates e a necessária crítica às contradições da sociedade
capitalista. Segundo o DIEESE[5], o brasileiro pode estar com mais renda, mas está cada vez
mais endividado, onde 118 milhões de brasileiros são endividados, sendo 37
milhões com contas atrasadas e 12 milhões que não podem pagar suas dívidas. Por
estarmos entre os países com maiores taxas de juros no mundo, se uma pessoa
pegasse R$ 100 emprestados no início do ano, pagaria R$ 188 no final.
O
“espaço pós-fordista ou toyotista” cria territórios de exclusão, levando o
processo de globalização às últimas conseqüências. Apesar
do “mercado aberto”, o poder econômico está cada vez mais centralizado nas mãos
de poucas empresas. Segundo VITA (1989)
um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais
outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
As 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas
do mundo nos mercados de ações. Estas empresas detêm um controle sobre a
economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo. Uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente
inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo
central de 1.318 empresas. Menos de 1% das companhias controla 40% da rede
inteira.
Nesta mesma toada, segundo
dados do DIEESE[6]
as
transnacionais dominam a economia no Brasil, representando 100% das montadoras,
92% do setor eletroeletrônico, 75% das autopeças, 74% das telecomunicações, 68%
do setor farmacêutico, 60% da indústria digital 57% do setor de Bens de
Capital, 55% do setor de bens de Consumo, 50% da siderurgia e metalurgia, 47%
da petroquímica, etc. No agronegócio 30 empresas dominam o complexo
agroindustrial e mais de 70% destas empresas são multinacionais.
A
globalização, as “redes geográficas” e o "meio técnico-científico-informacional"
estão mais desenvolvidos na sociedade capitalista, até para que a produção
capitalista ocorra de maneira mais lucrativa para a burguesia, fazendo com que
o capital se reproduza de maneira mais potencializada. Com o advindo do
espaço toyotista, teremos um “embaralhamento de territorialidades” em uma “rede
produtiva”, cujo sentido pode ser visualizado na passagem de MOREIRA (1997,
p.3) a seguir:
(...) Extinguem-se, assim, os espaços do mundo organizados em
regiões singulares e de compartimentos fechados, a intensidade e a globalidade
das interligações ainda mais aumentam, a mobilidade territorial mais se
agiliza, a distância entre os lugares e suas coisas mais se encurta, a
espessura do tecido espacial mais se adensa, e o espaço do planeta se comprime.
Para
que esta “rede produtiva” seja instalada, o Estado deve exercer importante
função, como pode ser visto nesta passagem de MOREIRA, (1985, p.107):
É embaixo da pesada repressão policial-militar que
sobrevém aos confrontos de 1934-1935 que o bloco industrial agrário impõe ao
movimento operário esta ampla tutela: a jurídico política (tutela
sindical-trabalhista) e a ideológico-cultural (tutela escolar). Desarticulado
organicamente pelos aparatos repressivos do Estado, o operariado e igualmente
desarticulado em seus parâmetros de existência. Progressivamente, completa-se a
desagregação da sua condição de classe, sob um modo de vida imposto pelas
articulações do capital, via Estado corporativo: no espaço-fabril-bairro se
dissolve no espaço-mercado, e a consciência de classe se dissolve na cultura
formal-escolar.
Principalmente
através destes aparatos, temos uma verdadeira “globalização” produtiva e de
territórios, com unificação de lugares e de espaços regionais dantes isolados.
Esta globalização em rede também se dá na padronização dos modos de vida dos
moradores das cidades e dos campos, possibilitando a perda da individualidade e
muito da identidade local destas pessoas. Podemos refletir sobre como se
constrói e dinamiza o tecido de relações da rede produtiva capitalista nesta
passagem de SANTOS (1978-a, p.16):
(...) Em todo o lugar a tendência é a
concentração do capital, mesmo que, excepcionalmente, haja possibilidade de
descentralizar um pouco a produção. Ora, o excedente é antes de tudo um fluxo.
No regime capitalista, onde a lei fundamental é a da acumulação de capital o
mais rápido possível, os fluxos de excedentes só podem convergir para o lugar
onde se encontram os mecanismos mais eficazes para sua multiplicação.
Nestas duas passagens de SANTOS (2002, p.244 e p.336), ele ressaltará que as fronteiras
dos territórios nacionais estão sendo ultrapassadas e transcendidas, além de
mostrar o poder das transnacionais na sociedade moderna:
(...) os territórios nacionais se transformam num espaço
nacional da economia internacional e os sistemas de engenharia mais modernos,
criados em cada país, são mais bem utilizados por firmas transnacionais que
pela própria sociedade nacional.
(...)
(...) O interesse das grandes empresas é economizar
tempo, aumentando a velocidade da circulação. (...) corporação do território,
com a destinação prioritária de recursos para atender as necessidades
geográficas das grandes empresas, acaba por afetar toda a sociedade.
A
organização em redes torna-se cada vez mais
necessário para o capitalismo, pois o permitiu as “vantagens comparativas”, ou seja, localidades
onde a redução dos custos do
trabalho e da produção trazem mais vantagens para o capital. Para se reduzir os
custos de produção e aumentar seus lucros, as empresas se reorganizam, mudando
suas sedes, “relocalizando-se” constantemente.
Compreender
a rede geográfica é determinante para compreender o fenômeno de globalização, a
sociedade e o espaço contemporâneo. As exclusões e desigualdades espaciais
e sociais são a raiz do Modo de Produção Capitalista e é uma contradição do
capital compreendida na “lei do desenvolvimento desigual e combinado”. Só há
uma igualdade aparente no mercado, que desaparecerá na esfera da circulação,
com a desigual distribuição de renda ou das riquezas (ao patrão cabe a riqueza
e ao empregado a pobreza). Há também uma desigualdade nas taxas de mais-valia
entre os capitalistas nas diferentes empresas. Esta desigualdade combinada só
tende a ampliar na reprodução da acumulação do capital.
A
crise capitalista de 2008-09 foi uma crise de esgotamento do padrão neoliberal
e o capitalismo está tendo dificuldades para sair desta situação. Vivenciamos
uma “Crise do emprego”, pois o
modelo pós-fordista passou a exigir qualificação do trabalhador, mas não a
garantia do emprego. A qualificação da mão-de-obra passou a tornar-se um
sistema não de seleção de mercado, mas de exclusão de milhares de pessoas, pois
além de jogar sob as costas do trabalhador individual a necessidade de
qualificação, milhares estão excluídos da qualificação e do mercado,
abandonados pela falta de investimento do Estado em políticas públicas. Também
passaríamos por uma “Crise do capital”,
que faz com que diversos governos, seguindo as exigências dos organismos
financeiros internacionais do
capital (coo o Banco Mundial, etc), passassem a defender a redução do
investimento público (“reduzir o tamanho do Estado”), às privatizações,
demissões no setor público, redução de salários, aumento da idade de
aposentadorias e/ou manutenção de altas taxas de juros.
A superação e a extinção do
modo de produção capitalista tornou-se uma necessidade para a superação destas
contradições.
REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS
ABRAMOVAY, Ricardo. Paradigmas do
capitalismo agrário em questão. São Paulo/Rio de Janeiro/Campinas:
HUCITEC/ANPOCS/UNICAMP, 1992.
CORRÊA, Roberto Lobato. Interações
Espaciais. In: Explorações Geográficas – percursos no fim do século
(organizadores: Iná Elias de Castro, Paulo César da Costa Gomes, Roberto Lobato
Corrêa), Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
FERREIRA, Wladimir Jansen. Uma Leitura
Geográfica da Formação da Cidade de São Paulo na Obra de Adoniran Barbosa.
Trabalho de Conclusão de Curso de Geografia na PUC-SP. São Paulo: PUC-SP, 2005.
_________________________. Uma Análise Crítica
do Conceito de Natureza no Currículo de Geografia do Estado de São Paulo. Trabalho
de Conclusão do Curso de Especialização em Ensino de Geografia na PUC-SP. São
Paulo: PUC-SP, 2011.
GENTILI,
Pablo. Neoliberalismo e educação: manual do usuário. Retirado
do site http://firgoa.usc.es/drupal/node/3036. S/D.
HARVEY, David. Condição pós-moderna.
São Paulo: Edições Loyola, 2001.
HUNT, E. K. & SHERMAN, Howard J., O
Liberalismo Clássico e o Triunfo do Capitalismo industrial. In: História do
Pensamento Econômico, Rio de Janeiro: 1977, Vozes.
MOREIRA, Ruy. O movimento operário e a
questão cidade-campo no Brasil. Petrópolis/RJ: Vozes, 1985.
_______________. Inovações Tecnológicas e Novas Formas de
Gestão do Trabalho. Niterói: AGB-Niterói, 1995.
_____________. Da região à rede e ao lugar: a
nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. In: Ciência
Geográfica, N° 6, Bauru: AGB-Bauru, 1997.
______________. O círculo e a espiral –
para a critica da geografia que se ensina. Niterói: Edições AGB-Niterói, 2004
______________. Para onde vai o pensamento
geográfico? – por uma epistemologia crítica. São Paulo: Contexto,
2006.
SANTOS, Milton. Espaço e Dominação.
In: Seleção de Textos Nº 4 da AGB-SP, Junho de 1978, São Paulo: AGB-SP, 1978-a.
_____________. Por Uma Geografia Nova, São
Paulo: Hucitec, 1978-b.
_____________. A Natureza do Espaço: espaço
e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002.
VITA, Álvaro. Sociologia da Sociedade Brasileira.
São Paulo: Ática, 1989
[1]
Adam Smith em “Riqueza das Nações, livro de referência do Liberalismo
Clássico, já dizia que os governos teriam 3 funções: proteger o país contra
invasores estrangeiros, proteger os cidadãos contra “injustiças” cometidas por
outros cidadãos e do dever de erigir e manter as instituições e obras públicas.
[2] Extraído de “A cara
do emprego no governo do PT” (18
de Julho de 2013) em http://www.pstu.org.br/node/19681.
[3]
Podemos citar o Keynesianismo belicista na Alemanha de Hitler, o
Keynesianismo do Plano Columbu no Japão, o Keynesianismo na Coréia. O
Keynesianismo brasileiro se deu com Getulio Vargas e com o nacional-desenvolvimentismo
de Juscelino Kubitchek (Plano de Metas).
[4]
Extraído do site http://firgoa.usc.es/drupal/node/3036. Originalmente está presente em: “GENTILI, Pablo. Neoliberalismo e
Educação: manual do usuário. In: SILVA, Tomaz Tadeu da & GENTILLI, Pablo
(orgs). Escola S.A.: quem ganha e quem perde no mercado educacional do
neoliberalismo. Brasília: CNTE. 1996”.
[5] Extraído em http://www.pstu.org.br/node/19672
(“Brasil mais endividado que nunca”, de 18
de Julho de 2013)
[6]
Extraído de http://www.ilaese.org.br/wp-content/uploads/2013/03/APRESENTA%C3%87%C3%83O-CONGRESSO-PETROLEIROS-SERGIPE-MAIO-2013.pdf
Assinar:
Postagens (Atom)





















