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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mapas comparativos: Trabalhadores X Máquinas na Agricultura Mundial

Mapa-gráfico - trabalhadores e máquinas na agricultura mundial -  L’atlas du monde diplomatique




Distribuição de água doce no mundo - AGRICULTURA, INDÚSTRIA, DOMÉSTICO





 AGRICULTURA - Distribuição de água doce no mundo – Fonte_UNEP-GRID-Arendal Maps and Graphics Library, 2002





 DOMÉSTICO - Distribuição de água doce no mundo – Fonte_UNEP-GRID-Arendal Maps and Graphics Library, 2002





 INDÚSTRIA - Distribuição de água doce no mundo – Fonte_UNEP-GRID-Arendal Maps and Graphics Library, 2002



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Artigo - Foi um erro inventar a Agricultura?

repasso artigo publicado na "Revista Superinteressante", edição especial ("Os Maiores Erros da Humanidade - 39 decisões que não deveríamos ter tomado"), nº296B de out 2011.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Questão Agrária Brasileira - TEXTO

repasso texto que eu fiz.

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Historicamente a existência de conflitos fundiários no Brasil ocorre pela organização produtiva da sociedade. Quando se necessitou de trabalhadores para as indústrias do Sudeste, aumentava-se a especulação imobiliária no campo e a modernização agrária.

Sempre existiram formas opressoras de expulsão ou regularização fundiária, podendo ser através de falsificações de documentos em cartórios (realizado pelos grileiros), na especulação imobiliária ou fundiária (aumentando o preço do aluguel ou impostos) ou mesmo com violências físicas sob desdém de muitos policiais e governantes.

O Brasil é um país com 600 milhões de hectares de terras cultiváveis. Desse total quase 50% está nas mãos de apenas 2% dos proprietários rurais. Os 98% restantes (cerca de 4,5 milhões de pessoas, são os pequenos proprietários). Num extremo estão os grandes proprietários. No outro extremo estão os pequenos proprietários (4,5 milhões de pessoas) e os trabalhadores sem nenhuma terra (15 milhões de pessoas).

Para defender os interesses do agricultor sem terra ou do pequeno agricultor, eles constituíram vários sindicatos rurais, se destacando o “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” (MST, fundado em 1984), cujo objetivo central é a realização de uma verdadeira reforma agrária no Brasil.

Além do MST existe a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agrícolas do Brasil), Sindicato que defende os direitos dos trabalhadores assalariados rurais.

Antes do MST, os trabalhadores rurais se organizaram e lutaram pela terra no Brasil: nas décadas de 1950 e 1960, o precursor do MST foram as “Ligas Camponesas”, movimento que mobilizou milhões de camponeses em defesa do direito à terra. No entanto, após o golpe militar de 1964 centenas de líderes das Ligas e trabalhadores do campo foram assassinados pelos latifundiários e pelos órgãos de repressão do governo. Em 1988, o grande líder sindical dos trabalhadores seringueiros no Acre, Chico Mendes, que lutava por melhores condições de trabalho e pela defesa da floresta amazônica contra sua destruição pelas empresas madeireiras foi assassinado pro latifundiários. 

Atualmente vem ocorrendo uma série de conflitos de terra no Brasil resultado da falta de uma política de reforma agrária que resulte numa melhor distribuição de terras, no fim do latifúndio improdutivo e na melhoria das condições de vida do trabalhador rural.

Uma das formas de pressão do MST tem sido a ocupação de propriedades improdutivas. Forma-se assim, um conflito de interesses entre os grandes fazendeiros e os trabalhadores sem terra. Esse conflito tem gerado enfrentamentos violentos entre o MST e a polícia militar dos estados, além do assassinato de líderes sindicais rurais a mando de fazendeiros, sobretudo no Norte e Nordeste.

A Constituição do Brasil, promulgada em 1988 fala no “uso social da terra”, ou seja, uma grande extensão de terra que é subaproveitada deve ser desapropriada para efeito de reforma agrária. No entanto o que nós vemos é uma reforma agrária a passos de tartaruga e, entra governo e sai governo a questão da distribuição de terras no Brasil permanece inalterada, como há 500 anos.

A hegemonia política na sociedade capitalista está voltada a quem mais tiver poder econômico ou dinheiro no bolso, minimizando o papel dos “direitos iguais”. Compreende-se que o direito pressupõe desigualdade, pois imputa a mesma regra a indivíduos diferentes, mas é um importante instrumento político-social.

O Estatuto da Terra foi criado pela lei 4.504, de 30/11/1964, sendo por tanto uma obra do regime militar, que acabava de ser instalado no país, através do golpe militar de 31/03/1964. Sua criação esteve intimamente ligada ao clima de insatisfação reinante no meio rural brasileiro e ao temor do governo e da elite conservadora, pela eclosão de uma revolução camponesa. Afinal, os espectros da Revolução Cubana (1959) e da implantação de reformas agrárias em vários países da América Latina (México, Bolívia, etc.) estavam presentes e bem vivos na memória dos governantes e das elites. Queriam apaziguar camponeses e tranqüilizar os grandes proprietários de terra.

As lutas camponesas no Brasil começaram a se organizar desde a década de 1950, com o surgimento de organizações e ligas camponesas, de sindicatos rurais e com atuação da Igreja Católica e do Partido Comunista Brasileiro. O movimento em prol de maior justiça social no campo e da reforma agrária generalizou-se no meio rural do país e assumiu grandes proporções no início da década de 1960.

No entanto, esse movimento foi praticamente aniquilado pelo regime militar instalado em 1964. A criação do Estatuto da Terra e a promessa de uma reforma agrária foram a estratégia utilizada pelos governantes para apaziguar os camponeses e tranqüilizar os grandes proprietários de terra.

As metas estabelecidas pelo Estatuto da Terra eram basicamente duas: a execução de uma reforma agrária e o desenvolvimento da agricultura. Três décadas depois, podemos constatar que a primeira meta ficou apenas no papel, enquanto a segunda recebeu grande atenção do governo, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento capitalista ou empresarial da agricultura.

O Estatuto da Terra resultou na necessidade de classificar imóveis rurais por categorias, semelhante ao que o censo do IBGE faz com a população periodicamente, no entanto, a principal variável de classificação, no caso da terra, é a unidade de medida (tamanho), mas logo apareceu a primeira dificuldade, que é a grande dimensão territorial de nosso país e as enormes diferenças regionais, tanto no que diz respeito à aspectos naturais, como clima, relevo e solo e também econômico-tecnológicas e sociais. Porque um hectare de terra no solo ácido do Cerrado, no clima semi-árido do Sertão Nordestino e no Oeste Paulista apresentam realidades agrícolas muito diferentes.

Na tentativa de tratar cada “região” de modo particularizado, foi criado o sistema de módulo rural, definido como “uma área explorável, que em determinada porção do país direta e pessoalmente explorada por um conjunto familiar, equivalente a 4 pessoas adultas, correspondendo a 1000 jornadas anuais, lhe absorva toda a força de trabalho, em face do nível tecnológico empregado naquela posição geográfica e conforme o tipo de exploração considerado, proporcione um rendimento capaz de lhe prover a sobrevivência, o progresso social e econômico”. A partir daí foram criadas 4 categorias de imóveis rurais: minifúndio, latifúndio por dimensão, latifúndio por exploração e a empresa rural.

Em 1988 é feita a última Constituição brasileira, a que está vigente nos nossos dias. Os direitos de cidadania que deveriam ser respeitados, protegidos e garantidos a todos pelo Estado estão expressos no Artigo 6° da Constituição Brasileira de 1988, estando especificadas dentro do Titulo sobre os Direitos e Garantias Fundamentais da nossa Constituição Federal (ARTIGO 6 = direito à moradia, direito à uma habitação permanente que possua condições dignas para se vive).

Uma das diretrizes deste artigo legisla sobre o Direito a Propriedade, que é sobrevalorizada e muitas vezes não respeitada por todos, fazendo com que haja a desigualdade na distribuição de terra.

Além da Constituição de 1988, temos a Lei Agrária (nº 8.624/93), que fala sobre a desapropriação das propriedades com áreas improdutivas.

Tanto a Constituição quanto a Lei Agrária só respeitam o artigo 17 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (aprovada na Assembléia Geral da ONU em 10/12/1948). Este artigo diz que “Todo homem tem direito à propriedade. Só ou em sociedade com outros. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade”.

 

Ao mesmo tempo em que se dá terra aos camponeses produzirem esta política apazigua a luta dos camponeses ou uma revolução socialista (fato observado na Coréia durante a “Guerra da Coréia” e no Japão durante o Plano Columbu).

A reforma agrária pode ser um instrumento das classes dominantes para se reproduzir no poder, apaziguando ímpetos revolucionários. No período do Império Romano houve uma reforma agrária dando terras para escravos libertos, mas esta ocorreu para fins de povoamento e para manter ordem social. Durante a Guerra de Secessão dos EUA foi realizado uma reforma agrária nas terras do Sul dos EUA, para desestruturar politicamente os fazendeiros desta região, que tinham seu poder pautado na terra. Durante a Revolução Francesa a burguesia prometeu para o Povo uma reforma agrária, que foi realizada em 1790, lembrando que o poder da nobreza se dava na terra e com a reforma agrária a burguesia desestruturava-a. Durante a Guerra do Paraguai, o governo paraguaio fez uma reforma agrária para unificar os camponeses para a resistência durante a guerra (Solano Lopes além de ter feito a reforma agrária, aboliu a escravidão, estava construindo ferrovias e incentivando a industrialização, inclusive siderúrgicas).

Importante destacar as reformas agrárias realizadas no México, pois ocorreram duas distintas, sendo que a primeira foi realizada pela burguesia após a independência mexicana (em 1821) e a outro foi popular-indígena (ocorrida em 1916, na revolução camponesa liderada por Emiliano Zapata).

Podemos dizer que a primeira reforma agrária popular do mundo foi no México (1938), depois tivemos em Guatemala (1954), Brasil (1964, de João Goulart, que foi anulada pelos militares no golpe), Chile (1973), Honduras (1975) e Nicarágua (1980).

A reforma agrária no Brasil nunca se consolidou. Existem duas opiniões distintas sobre a reforma agrária, a primeira é de Ignácio Rangel fala que esta deva ocorrer para beneficiar o camponês e o povo das cidades, mas mediante pagamento de indenização aos latifundiários expropriados. Uma segunda opinião sobre reforma agrária é o das Ligas Camponesas, que também concordavam com a tese de que esta beneficiaria o camponês e o povo das cidades, mas não se deveria pagar nenhuma indenização aos latifundiários expropriados. Importante destacar que as Ligas Camponesas não tinham ligação direta com o PCB (tal como o Ignácio Rangel, que eram influenciados pelas teses soviéticas-stalinistas) e estes ideais das Ligas Camponesas se perpetuou para outros movimentos que reivindicam a reforma agrária (tal como o MST), onde creio ser a posição mais acertada.

Uma Reforma Agrária “de fato” deve exigir transformações sociais mais profundas e não aceitar a “Reforma Agrária ruim” (feita em lugares ruins ou pra expandir a fronteira agrícola). Esta reivindicação anda junto com as reivindicações de preços mínimos, incentivos ao pequeno agricultor (crédito e assistência técnica).

Como disse José Graziano da Silva em “O que é Questão Agrária?”, a Reforma Agrária não pode ser reduzida à uma reivindicação do desenvolvimento capitalista, mas um questionamento da forma do desenvolvimento capitalista. Não é um direito legalista por propriedade, mas o direito dos trabalhadores ao resultado da sua produção, de ter a apropriação dos frutos de seu trabalho. Só a Reforma Agrária poderá acabar com o inchaço das cidades, deixaria os alimentos mais baratos, aumentaria oferta de emprego na cidade, dará empregos pra quem quiser trabalhar no campo, ajuda a dar um fim na miséria no Brasil, pressiona para uma mudança estrutural na sociedade.

 

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Caracterização da produção agropecuária nos EUA e na Europa (UE)


 
Em 1929 temos o esgotamento do padrão do liberalismo clássico e tivemos uma grande crise do capitalismo com Quebra da Bolsa de Valores de Nova York. O Keynesianismo ou Intervencionismo foi influenciado na experiência soviética e é um planejamento macro-capitalista, surgindo para salvar o capitalismo, solucionando e amenizando nas crises cíclicas do capital. Este diz que o Estado tem de ser regulador, indutor e organizador, mas não deve intervir nas empresas.
No espaço agrário, o Keynesianismo incentiva a modernização agrícola, como nos subsídios, créditos, incentivos fiscais e cambiais, protecionismos, aumento de taxas alfandegárias, etc. Os subsídios existem para garantir produção, fixação do produtor rural no meio rural, elevar e manter padrão de renda para a produção camponesa, incentivando também o mercado interno.
O Keynesianismo se utiliza da social-democracia (e o Estado do Bem-Estar Social) para ser reformista e humanizar o capitalismo. Ele deixará alguns serviços gratuitos e contribuirá para que outros serviços sejam ofertados por empresas privadas, fato que também contribuirá no consumismo.
Os EUA na década de 1930 fará práticas Keynesianistas através do programa New Deal, que foi implementado pelo presidente F. Rooseevelt. O Keynesianismo esteve presente em praticamente todos os países do mundo entre as décadas de 1930 à 1980 (podemos citar o Keynesianismo belicista na Alemanha de Hitler, o Keynesianismo do Plano Columbu no Japão, o Keynesianismo na Coréia). O Keynesianismo brasileiro se deu com Getulio Vargas e com o nacional-desenvolvimentismo de Juscelino Kubitchek (Plano de Metas).
Importante destacar que tanto no Japão, quanto na Coréia, os programas keynesianistas foram financiados pelos EUA, lembrando que estávamos no contexto da Guerra Fria. Este Keynesianismo aliado com a social-democracia no Japão e na Coréia realizou reformas agrárias para frear revoluções socialistas nestes países.
Na pós-segunda guerra mundial o Keynesianismo é mantido, mas abrandado e suavizado nos EUA e nem tanto na Europa. A Guerra Fria foi um motivo para a continuidade do Keynesianismo nos países capitalistas.
Com a crise do petróleo na década de 1970 temos um esgotamento do Keynesianismo e surgirá assim o neoliberalismo. As empresas que tinham se tornado muito poderosas, perceberam que o Estado virara obstáculo para o avanço delas mesmas. A derrocada da Guerra Fria também facilita neste esgotamento do Keynesianismo.
O neoliberalismo surge com as retomadas dos ideais do liberalismo clássico, mas com adaptações, como nas idéias de liberalição, desregulamentalização, flexibilização, precarização, privatizações, etc. Apesar de se buscar o “estado mínimo”, é errôneo afirmar que o neoliberalismo acabou com o Estado, pois este ainda define o preço da força de trabalho (salário), redistribuição da mais-valia (jurídica e fiscal-impostos), tem importância ideológica (nação, escolas e repressão), etc.
Não podemos afirmar que o Keynesianismo foi deixado totalmente de lado, só deram uma suavizada nele, pois ele é operante na agropecuária mundial (principalmente na Europa).
Na Europa, as práticas keynesianistas sustentam a renda agropecuária dos agricultores familiares (camponeses), que tem importância estratégica. No Japão temos um Keynesianismo nas intervenções estatais na produção do arroz (deixam preço alto no arroz de outros países) e na indústria pesqueira. No Brasil temos um Keynesianismo nas práticas de incentivo ao consumo, como na redução do IPI. Nos EUA, o presidente Barak Obama pratica o Keynesianistmo ao privatizar a GM e propor um pacote de ajustes fiscais.
A crise capitalista de 2008-09 foi uma crise de esgotamento do padrão neoliberal. O capitalismo já está se mobilizando para achar soluções para mais esta contradição. Percebe-se, que se busca articular ideais do neoliberalismo com ideais do Keynesianismo, sendo o primeiro voltado à economia global e o segundo voltado às economias nacionais.
CASO DOS EUA
Segundo Ricardo Abramovay em “Paradigmas do Capitalismo Agrário em questão”, os EUA passam por um “Mito jefersoniano”, que pode ser compreendido em duas idéias centrais “quanto mais propriedade de terra privadas, melhor para o Estado Nacional” e a idéia de “democracia agrária”.
Trabalho assalariado no campo era muito grande no começo do século XX nos EUA, depois vai diminuindo com o assalariamento reduzido a um numero limitado de pessoas em certa época do ano. Temos uma luta de classes no campo entre quem vive de vender seu próprio trabalho e quem depende da exploração do trabalho alheio. Cada vez mais as grandes corporações (que recebem subsídios públicos) dominam cada vez mais a venda de insumo, o processamento, a distribuição, o armazenamento de produtos agrícolas e a produção de alimentos.
O que caracteriza uma propriedade familiar é a gestão do trabalho nesta propriedade (se é familiar ou não), a quantidade de trabalho assalariado (que não pode ultrapassar a media de moradores do estabelecimento) e o tempo de trabalho familiar (que deve ser maior ao do tempo de trabalho de assalariados). Nesta classificação não deve se preocupar em demasia com o tamanho físico da propriedade, ou no volume de vendas ou no montante de recursos investidos.
A produção familiar nos EUA está concentrada na região central (exercendo atividades cerealíferas importantes de trigo-soja-cereais, produção de leite e suínos) e a produção ultrafamiliar e patronal está concentrada na “lua crescente periférica” (que sai da Flórida, percorrendo a região pecuária do Texas, as hortas e pomares da Califórnia e vai até o estado de Washington).
Há uma tendência de se ter uma grande mecanização nas propriedades familiares, mas não significando a extinção destas propriedades familiares (elas nunca acabarão porque tem importância estratégica). Esta mecanização significa uma necessidade de aumento de produtividade.
As propriedades familiares estão diminuindo como conseqüência do próprio funcionamento da economia de mercado, mas jamais acabarão. O trabalho familiar (realizado nas propriedades familiares) vai diminuindo muito em relação ao trabalho assalariado (principalmente os de longa duração, realizados nas grandes corporações), mas ainda é o hegemônico e o mais produtivo.
A natureza social do estabelecimento está vinculada ao tipo de relação com a terra e não apenas no tipo de trabalho nele realizado ou no volume de venda. Não é propriedade familiar os estabelecimentos onde operadores não sejam proprietários (caso de parceiros e arrendatários), são fontes de mão-de-obra barata para as grandes empresas. Temos uma estrutura agrária bimodal, com propriedades familiares (ainda maioria e responsáveis pela maior quantidade de produção) e as grandes corporações (menores, mas em expansão). Temos de distinguir as propriedades familiares em que temos trabalho familiar daquelas vinculadas com as grandes corporações (com alta produtividade). Nem toda grande propriedade está vinculada com as corporações. As grandes corporações não são majoritárias na totalidade de propriedades e nem na quantidade de produção.
O caso americano revela uma ausência das grandes corporações nos setores tradicionalmente dominados pela produção familiar (em alguns estados dos EUA as grandes corporações são proibidas por legislação). Temos recursos públicos e mão-de-obra barata (de imigrantes asiáticos ou latino-americanos) em muitas destas corporações.
Nas propriedades familiares dos EUA concluímos a existência de uma grande modernização e tecnificação da produção agropecuária, com grande produtividade. Estas propriedades não ocorrem somente em pequenas propriedades ou em “produção camponesa”. É sobre a base da unidade familiar que se processa boa parte da própria concentração do processo produtivo. A expressão capitalista no campo não se dá somente com as grandes corporações, mas também nas pequenas propriedades, sendo que nas corporações temos precarização do trabalho e recursos subsidiados.
CASO DA EUROPA
Segundo Abramovay, a Europa conseguiu se reestruturar economicamente da Segunda Guerra Mundial de maneira rápida. Os agricultores europeus spfrem até hoje com problemas ligados por esta modernização acelerada, como superprodução, armazenamento de excedentes, danos ambientais pelo uso de fertilizantes e agrotóxicos, endividamento de agricultores, etc. A Europa é hoje o segundo maior exportador mundial de produtos agrícolas, só ficando atrás dos EUA.
Alguns países europeus diminuíram substancialmente sua produção agrícola por achar onerosa demais (caso da França). Entretanto, a Europa é um dos principais produtores do mundo em cereais, carne (principalmente de porco), leite, trigo, açúcar, batata e vinho.
Pela criação do Bloco Econômico da União Européia (U.E.), temos na Europa uma política agrícola única, com especializações em regiões (como as hortaliças na Península Ibérica, leite na Escandinávia, uva/laranja/limão na Itália, etc).
A UE fortaleceu muito os países-membros na escala global. Não se descarta a possibilidade da existência de uma “União dos Estados Europeus”, pois já temos moeda única, Parlamento europeu e Banco Central europeu. Entretanto, não temos executivo e nem legislativo, muito menos unidade nacional. Muitos fatores podem impedir, principalmente no problema da unidade nacional, pois não se pode ter uma língua única e não dá pra ter convívio pacifico entre nações européias neste propalado “único país”.
Verificamos uma baixa produtividade em muitas das médias e grandes propriedades, que se opões historicamente à modernização agrícola. As pequenas propriedades são responsáveis pela parte mais importante da agropecuária do continente europeu, tendo alta lucratividade.
A alta produtividade em pequenas propriedades tem gerado um êxodo rural e um êxodo agrícola (fazendo com que a população rural na Europa exerça atividades não-agrícolas). O responsável por esta alta produtividade é a modernização intensiva e a cooperação entre agricultores.
Sendo o oposto do ocorrido nos EUA, os trabalhadores assalariados permanentes no campo estão diminuindo substancialmente na Europa (como na França, Dinamarca, Reino Unido, Holanda, Itália, Irlanda, Bélgica, etc). A população agrícola ativa está bem reduzida, mas temos um pequeno destaque em alguns países tradicionalmente agrícolas e subdesenvolvidos economicamente (como em Portugal e Grécia).
Em boa parte das unidades agrícolas européias, verifica-se a realização de outras atividades produtivas, ou seja, há um parcelamento na atividade produtiva e não há uma prioridade integral à prática agrícola. A agricultura se dá em “tempo parcial”, não significando precariedade técnica ou atraso econômico, mas uma estratégia de reprodução social onde a preservação da situação do agricultor tem um peso importante. A agricultura e o campo não podem acabar muito menos o camponês, pois eles todos possuem importância estratégica.
O Estado não quer que ocorra uma “desertificação rural” e intervêm para isso não ocorrer (principalmente nas propriedades familiares). A realização de atividades não-agrícolas ajuda na sobrevivência do campo, as famílias e os agricultores europeus estão cada vez menos agrícolas e menos interessados (ou com grandes dificuldades) em fazer seus herdeiros continuarem sua produção (fazer a sucessão na propriedade).
Tradicionalmente o Estado está presente na agricultura européia, auxiliando nas relações comerciais entre estados, orientando e incentivando a produção agropecuária (sobretudo a familiar). Há uma organização, enquadramento e disciplina sob o comando centralizado do Estado.
O Estado nos vários países europeus interfere diretamente na organização dos mercados e na evolução e modernização das estruturas fundiárias. Temos uma forte prática keynesianista de intervenção estatal para que a atividade agropecuária continue. As práticas keynesianistas sustentam a renda agropecuária dos agricultores familiares (camponeses), que tem importância estratégica.
O Estado nos países europeus tem interferido keynesianamente no espaço agrário, incentivando a modernização agrícola, como nos subsídios, créditos (como o Crédito cooperativo), incentivos fiscais e cambiais, protecionismos, o aumento de taxas alfandegárias, controle e regulação coletiva da oferta, etc. Os subsídios existem para incentivar o mercado interno, garantir a produção e a fixação do produtor rural no meio rural, elevar e manter padrão de renda para a produção camponesa.
Entre a década de 1950-70 tivemos uma crise de superprodução na agropecuária européia, fazendo reduzir preços e lucros. Isso ocorreu porque estavam desvalorizando a produção familiar, incentivando produtividade, a escala técnica, redução de custos, expulsando os menos eficientes, patrocinando o êxodo rural, aumentando propriedades, etc.
Para resolver esta crise, o Estado começou a “administrar socialmente e politicamente o êxodo rural”, indenizou antigos proprietários desapropriados, fez “reforma agrária” destas terras (utilizando-se critérios técnicos), políticas de aumento de renda para os agricultores (subsídios à renda agrícola). Foi uma valorização do agricultor familiar por parte do Estado para que não houvesse crises de superprodução. Esta valorização do agricultor familiar não significou retroceder historicamente e valorizar o camponês feudal, mas valorizar o meio rural e fazer deste agricultor familiar um sujeito disciplinado, estratégico estruturalmente e diversificado em suas atividades econômicas.
Não se espera somente lucros da agricultura, mas contenções da luta de classe e persistências de paradigmas estruturais. Em contrapartida, o camponês deveria se contentar em retirar do solo somente o correspondente à renda das outras categorias de trabalhadores na sociedade (aceitando uma redução produtiva e uma precarização).
Portanto, tanto nos EUA quanto na Europa, a agricultura familiar tem uma vital importância para a sociedade capitalista, sendo que nestes locais temos uma significativa modernização e produtividade.

A Cadeia produtiva da Laranja - setores produtivos, etc





A distribuição da população ativa se distribui pelos setores de atividades primário, secundário e terciário. Entretanto, é necessário articular estes setores, pois eles se organizam em um Complexo Agro-Industrial (CAI), como no CAI da Laranja.











Primário – é o conjunto de atividades econômicas que produzem matéria-prima. Isto implica geralmente a transformação de recursos naturais em produtos primários. Muitos produtos do setor primário são considerados como matérias-primas levadas para outras indústrias, a fim de se transformarem em produtos industrializados. Os negócios importantes neste setor incluem agricultura, a avicultura, a pesca, a pecuária, a silvicultura, a mineração e agronegócio em geral.








Secundário – abrange as indústrias de transformação, a construção civil e a extração mineral. 




 

Terciário – abrange as atividades ligadas à prestação de serviços: comércio, transportes, comunicações, atividades liberais, funcionalismo público, educação e outras.