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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ARTIGO - Eric Hobsbawm e o futebol

http://blogdojuca.uol.com.br/2012/10/eric-hobsbawm-e-o-futebol/

Eric Hobsbawm e o futebol

Por RAUL MILLIET FILHO*
Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século XX, falecido em 1º de outubro último, trilhou caminhos pouco frequentados pelo mundo acadêmico. Dentre tantos outros temas, conhecia jazz, artes plásticas e futebol, jogo que está, por exemplo, no seu A Era dos Extremos:



“O esporte que o mundo tornou seu foi o futebol de clubes, filho da presença global britânica… Esse jogo simples e elegante, não perturbado por regras e/ou equipamentos complexos, e que podia ser praticado em qualquer espaço aberto mais ou menos plano do tamanho exigido… tornou-se genuinamente universal.”
Tomei contato e conhecimento do interesse de Hobsbawm pelo futebol em 1976. Para minha alegria de botafoguense apaixonado e historiador recém-formado, soube do seu gosto pelo futebol. Torcedor do Arsenal, ele não só gostava como entendia do jogo. E isto era raro.
Afinal, como disse certa vez Edgar Morin: “o estudo dos fenômenos desacreditados é igualmente desacreditado”. E, naquela época, nos meios universitários do Brasil e de todo o mundo, nada mais desacreditado que o futebol. Os professores doutores, salvo raras exceções, eram típicos intelectuais de laranja, cunhados por Nelson Rodrigues, que não sabiam bater nem um reles escanteio. Olhavam o futebol com o nariz em pé.
Assim que soube da novidade, recorri ao amigo e sociólogo Luciano Costa Neto, que começara a traduzir A Era do Capital para o português.
Encaminhei, por Luciano, algumas perguntas por escrito a Hobsbawm em um dos encontros que tiveram para ajustar pontos da tradução.
Na resposta, devidamente anotada por Luciano, Hobsbawm falava que não só o futebol era um assunto de relevo para os historiadores, mas contava da sua admiração pela seleção brasileira e por dois jogadores em particular: Gerson e Tostão. E ia além, relembrando dois jogos da Copa de 70: Brasil x Itália e Brasil x Inglaterra. Deste último jogo retinha na memória a trama do gol brasileiro feito por Jair.
E não foram citados apenas Tostão e Gerson. Hobsbawm disse a Luciano da sua decepção em nunca ter visto Garrincha atuar em campo.
Quase 20 anos mais tarde deixaria registrado: “…e quem, tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?…” ( A Era dos Extremos)
Para Hobsbawm, o futebol bem praticado não era apenas um esporte. Era arte e paixão popular, ou culto proletário de massa.
Autor de livros que inovaram a compreensão do mundo contemporâneo: A Era das Revoluções (1789–1848); A Era do Capital (1848–1875); A Era dos Impérios (1875–1914) e A Era dos Extremos (1914– 1991), encantou leitores e críticos de várias correntes do pensamento, independente de filiação ideológica ou político-partidária.
Marxista, avesso a análises reducionistas e dogmáticas, Hobsbawm foi um estilista erudito e original, senhor de uma narrativa leve e sofisticada, respeitado até mesmo por críticos contundentes, como Tony Judt.
Em um dos seus textos afirmou que um historiador social não podia negligenciar nem a economia nem Shakespeare. Deveria analisar não somente os aspectos econômicos da vida em sociedade como as idéias, a linguagem e o imaginário coletivo.
Foi exatamente isto que ele fez em seus escritos. O contraponto entre as relações econômicas e culturais está presente em sua vasta obra, inclusive quando aborda o futebol, como nesta passagem de Mundos do Trabalho, recuando ao período de profissionalização/popularização do futebol inglês.
“O futebol como esporte proletário de massa – quase uma religião leiga – foi produto da década de 1880, embora os jornais do norte já ao final da década de 1870 houvessem começado a observar que os resultados de jogos de futebol, que eles publicavam somente para preencher espaço, estavam na verdade atraindo leitores. O jogo foi profissionalizado em meados da década de 1880…”
O surgimento dos Esportes Modernos (dentre os quais o futebol) na segunda metade do século XIX foi analisado por Hobsbawm em sintonia à consolidação do Estado-Nação da era moderna.
Em A Invenção das Tradições (escrito com Terence Ranger), o futebol é identificado como uma entre muitas formas de expressão e símbolo da nacionalidade, como mais um modo de coesão necessário à nação moderna.
Discorrendo sobre as décadas de 1880 e 1890 na Inglaterra, Hobsbawm reafirma a importância do tema:
“Pela história das finais do campeonato britânico de futebol podem-se obter dados sobre o desenvolvimento de uma cultura urbana operária que não se conseguiram através de fontes mais convencionais.” (A Invenção das Tradições).
Ainda em A Invenção das Tradições, Eric Hobsbawm volta seu olhar para o vestuário operário, associando a utilização do boné como meio de identificação e expressão de classe fora do trabalho. E mais uma vez, o futebol é mencionado:
“Na Grã-Bretanha, ao menos, segundo indícios iconográficos, os proletários não eram universalmente relacionados ao boné antes da década de 1890, mas no fim do período eduardino – como provam fotos de multidões saindo de jogos de futebol ou de assembléias – tal identificação era quase completa. A ascensão do boné proletário ainda está à espera de um cronista. Ele ou ela, supostamente, descobrirá que sua história tem relação com a do desenvolvimento dos esportes de massa, uma vez que este tipo específico de chapéu surge a princípio como acessório esportivo entre as classes alta e média.” (A Invenção das Tradições)
O vínculo entre o boné, o futebol e o vestuário dos trabalhadores ingleses é ainda mais forte e estreito do que Hobsbawm supunha. Pelo regramento do futebol inglês, a presença do juiz data de 1863. Mas por 21 anos o poder do juiz ficaria subordinado aos capitães das equipes.
E os capitães ou “reclamadores” utilizavam um bonezinho para se diferenciarem dos demais. Boné que em inglês é cap. De cap para capitão foi um pulo. O fato é que o reclamador ficou conhecido como o capitão do time, produto deste antigo costume britânico.
Assim, é possível depreender que a utilização do boné (cap) pelo capitão (ou reclamador) no futebol foi um dos fatores que contribuiu para a disseminação do boné entre as classes populares inglesas e, posteriormente, em quase toda a Europa Ocidental.
Para Hobsbawm, não apenas a história do vestuário proletário não foi escrita mas também a da cultura do futebol na transição do século XIX para o século XX, na Inglaterra:
“A natureza da cultura do futebol neste período – antes de haver penetrado muito nas culturas urbanas e industriais de outros países – ainda não foi bem compreendida. Sua estrutura socioeconômica, porém, é mais compreensível. A princípio desenvolvido como esporte amador e modelador do caráter pelas classes médias da escola secundária particular, foi rapidamente (1885) proletarizado e portanto, profissionalizado; o momento decisivo simbólico – reconhecido como um confronto de classes – foi a derrota dos Old Etonians pelo Bolton Olympic na final do campeonato de 1883.” (A Invenção das Tradições).
Entre 1890 e 1914, a popularização do futebol inglês registrou um crescimento avassalador. Os jogadores de futebol eram oriundos das fábricas, escolhidos entre os operários mais habilidosos, ao contrário do que acontecia no boxe, onde o critério de escolha levava mais em conta a força e o tamanho dos futuros atletas.
Em A Era dos Impérios, Hobsbawm identifica a existência de cerca de 1 milhão de jogadores de futebol na Inglaterra antes de 1914 frente a uma população geral de cerca de 31 milhões de habitantes.
Abordando o período entre guerras (1918-1939), destaca o papel do esporte e do futebol em particular, representando cada vez com mais força uma expressão de luta nacional e identificação dos indivíduos com a nação, tendo como símbolos mais próximos os atletas:
“A imaginária comunidade de milhões parece mais real na forma de um time de onze pessoas com nome. O indivíduo, mesmo aquele que apenas torce, torna-se o próprio símbolo de sua nação.” (Nações e Nacionalismo desde 1870, p. 171).
Uma lembrança do então menino Eric Hobsbawm, é descrita:
“O autor se lembra quando ouvia, nervoso, à transmissão radiofônica da primeira partida internacional de futebol entre a Inglaterra e a Áustria, jogada em Viena em 1929, na casa de amigos que prometeram descontar nele se a Inglaterra ganhasse da Áustria, o que, pelos registros, parecia bastante provável. Como o único menino inglês presente, eu era Inglaterra, enquanto eles eram Áustria. (Por sorte a partida terminou empatada). Dessa maneira crianças de 12 anos ampliavam o conceito de lealdade ao time para a nação.” (Nações e Nacionalismo desde 1870).
Mas, para quem, como Hobsbawm, toda História é História contemporânea disfarçada, o futebol globalizado, controlado por empresas transnacionais não poderia ficar de fora do alcance de sua pena.
O intrincado jogo de interesses entre a FIFA e os grandes clubes internacionais, com seus conflitos de grandes proporções, à primeira vista inconciliáveis, foi abordado em Globalização, Democracia e Terrorismo:
“… a lógica transnacional da empresa de negócios entrou em conflito com o futebol como expressão de identidade nacional…
… Do ponto de vista dos clubes, provocaram um considerável enfraquecimento da posição de todos aqueles que não estão no circuito das superligas internacionais e dos supertorneios e em especial nos clubes dos países exportadores de jogadores, notadamente nas Américas e na África. A crise dos outrora altivos clubes de futebol do Brasil e da Argentina o comprova…” (Globalização, Democracia e Terrorismo).
Apesar da importância e da prevalência dos superjogadores e dos superclubes sobre os interesses nacionais, o historiador assinala que os objetivos de poder da FIFA têm tido força para manter, impor e ampliar a realização das Copas do Mundo como evento mais importante do futebol mundial.
Assinalaríamos apenas, ampliando e aprofundando as conclusões de Hobsbawm, que a lógica econômico-financeira das Copas do Mundo acabou por entrelaçar-se com os objetivos do grande capital internacional. Isto foi possível graças à aliança da FIFA com os mesmos interesses que dirigem os superclubes, para a realização das Copas do Mundo. Até mesmo a escolha de países como a África do Sul , Brasil e Qatar, mais maleáveis a negócios extra-campo, demonstra isso.
Não se sabe até quando este equilíbrio instável e contraditório de forças no futebol mundial poderá ser mantido, tendo em vista que não está em jogo apenas a sobrevivência dos interesses nacionais e dos clubes, mas do próprio futebol como cultura popular.
Em a “História Social do Jazz”, talvez o seu melhor livro sobre cultura popular, Hobsbawm questiona a pasteurização da cultura pré-industrial pelo rolo compressor da sociedade contemporânea, citando o jazz como exemplo de resistência e manutenção de suas origens:
“O jazz é o mais importante desses exemplos. Se eu tivesse de fazer um resumo da sua evolução em uma só sentença eu diria: é o que acontece quando a música popular não sucumbe, mas se mantém no ambiente da civilização urbana e industrial”. (A História Social do Jazz).
Aqui cabem duas indagações: será que o futebol atual, em particular o brasileiro, tal como o jazz, também não sucumbiu diante das pressões da civilização urbana e industrial?
Ainda é possível falarmos do futebol como arte e cultura popular?


*Raul Milliet Filho é doutor em História pela USP, professor, pesquisador e especialista em políticas sociais na área pública.




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

LINK - Mudanças Paisagem de São Paulo em 90 anos

O panorama de São Paulo, 90 anos depois

Repasso link do site "G1" que refez, em formato digital, aquela que um dia foi a "maior photographia do mundo" realizada pelo fotógrafo carioca Valério Vieira em 1922.
Interessante por visualizar as mudanças na paisagem urbana da cidade de São Paulo, percebendo a industrialização, o crescimento urbano desordenado, a verticalização do centro da cidade, etc.

http://g1.globo.com/fotos/panorama-de-sao-paulo/infografico/platb/


sábado, 6 de outubro de 2012

Brasil Com P - GOG

http://www.youtube.com/watch?v=bf2ltz434Qs 

Brasil Com P - GOG






Pesquisa publicada prova:
Preferencialmente preto, pobre, prostituta
Pra polícia prender
Pare, pense, por quê?
Prossigo,
Pelas periferia praticam perversidades: PMs!
Pelos palanques políticos prometem, prometem,
Pura palhaçada. Proveito próprio?
Praias, programas, piscinas, palmas...
Pra periferia? Pânico, pólvora, pápápá!
Primeira página.
Preço pago?
Pescoço, peito, pulmões perfurados.
Parece pouco?
Pedro Paulo,
Profissão: pedreiro,
Passatempo predileto: pandeiro,
Preso portanto pó, Passou pelos piores pesadelos.
Presídios, porões, problemas pessoais, psicológicos...
Perdeu parceiros, passado, presente,
País, parentes, principais pertences.
PC: político privilegiado
Preso, parecia piada.
Pagou propina pro plantão policial,
Passou pela porta principal.
Posso parecer psicopata,
Pivô pra perseguição,
Prevejo populares portanto pistolas,
Pronunciando palavrões,
Promotores públicos pedindo prisões...
Pecado, pena,
Prisão perpétua!
Palavras pronunciadas pelo profeta, periferia.

Pelo presente pronunciamento,
pedimos punição para peixes pequenos,
poderosos pesos pesados.
Pedimos principalmente paixão pela pátria
prostituída pelos portugueses.
Prevenimos,posição parcial poderá provocar
protestos, paralisações, piquetes, pressão popular.
Preocupados?
Promovemos passeatas pacificas, palestras,
panfletamos.
Passamos perseguições, perigos por praça, palcos...
Protestávamos porque privatizaram portos,
pedágios... (precisamos produzir)... proibidos.
Policiais petulantes, pressionavam, pancadas,
pauladas, pontapés (precisamos produzir).
Pangarés pisoteando, postulavam prêmios, pura
pilantragem.
Padres, pastores, promoveram procissões
pedindo piedade,paciência para população.
Parábolas, profecias, prometiam pétalas,
paraíso, predominou predador.
Paramos, pensamos profundamente:
Porque pobre pesa plástico, papel, papelão,
pelo pingado, pela passagem, pelo pão?
Porque proliferam pragas, pestes pelo país?
Porque Presidente? Predominou o Predador? Por quê?

Infográfico da Menor Partícula até a imensidão infinita do UNIVERSO

Infográfico da Menor Partícula até a imensidão infinita do UNIVERSO 



http://htwins.net/scale2/lang.html


Um dos infográficos mais geniais que eu conheço foi feito por dois meninos de 14 anos, inspirados por uma aula de ciências, na sétima série. Cary e Michael Huang são gêmeos e moram em Moraga, Califórnia, nos Estados Unidos. Eles levaram um ano e meio para fazer esse infográfico sobre a escala do universo, comparando grandezas a partir de células.

Quando a página carregar, clique em “Iniciar” e, em seguida, use a barra deslizante na parte inferior do quadro, ou a rodinha do seu mouse, para ter uma experiência curiosa sobre o tamanho do universo – e o que conhecemos dele.

Os dados, naturalmente, são assustadores, pela imensidão inimaginável das escalas e pela constatação da pequenez ínfima do planeta em que vivemos.

Não esqueça de clicar nos objetos que aparecem.

E, para a minha surpresa, o infográfico já foi traduzido para diversos idiomas, entre eles o português.

sábado, 29 de setembro de 2012

Cartilha O Olho do Consumidor - Ziraldo

repasso cartilha feita pelo cartunista Ziraldo, cartilha esta que defende os produtos orgânicos, critica os transgênicos e foi derrubada pela agroindústria.



http://www.redezero.org/cartilha-produtos-organicos.pdf



http://www.slideshare.net/mariare/o-olho-do-consumidor-cartilha-sobre-orgnicos-ilustrada-pelo-ziraldo


De Onde Vem o Lixo Produzido no Mundo



De Onde Vem o Lixo Produzido no Mundo



Apesar da imagem ser "questionável", pois faz pensar que o critério para lixo foi "alargado" para fazer a conta ficar desse jeito, além de que "a ossada de um boi não tem o mesmo impacto no ambiente do que todo o plástico usado por dia num comércio urbano".


 Entretanto, esta imagem nos ajuda a refletir além do senso comum, pois se produz muito lixo na agropecuária (principalmente na agroindústria) e na mineração. 

  Percebemos que a tendência do planeta é de concentração urbana em metrópoles, mas em boa parte do planeta temos cidades pequenas-médias (cerca de metade das áreas ainda são rurais). Mas o mais importante é compreender que o lixo não é produzido pelo cidadão, afinal de contas ele é apenas um elo da cadeia de produção. Em geral, as políticas ambientalistas sempre tem como foco o mais fraco, em vez de atacar o real poluidor.


 



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

IMAGENS DE FEUDOS




Mudanças de paisagem - Charge de Robert Crumb

Charge de Robert Crumb, mostrando as mudanças de paisagem de uma sociedade rual para uma sociedade urbanizada e capitalista.

Também tem um vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=mRkq595NhD0&feature=related

Artigo mostrando visão burguesa de mundo

http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-da-analise-tecnica/2012/09/04/orgulho-de-ser-um-especulador/


Orgulho de ser um especulador - Leandro Ruschel

 

Opero no mercado financeiro há mais de uma década. Já ensinei para muitas pessoas as minhas técnicas de trade. Dessas, apenas uma parcela conseguiu alcançar o sucesso no mercado. Sempre me pergunto o motivo de algumas pessoas ganharem dinheiro no mercado e outras não, utilizando as mesmas estratégias. A diferença não reside apenas na capacidade intelectual e numa melhor preparação. Um aspecto extremamente importante é a estrutura mental do trader.
A nossa estrutura mental é formada pelos nossos valores e crenças, que são desenvolvidas a partir de toda a experiência de vida. Desde antes do nascimento passamos por experiências que são registradas e moldam a nossa percepção. Ainda não existe uma definição exata para a consciência, mas sabemos que a forma como percebemos algum estímulo externo está intimamente ligada com as nossas experiências de vida e crenças formadas pelas mesmas.
Por exemplo, se em algum momento da sua vida a pessoa passa por uma experiência negativa como um acidente rodoviário, ela pode desenvolver uma reação negativo ao ruído de um automóvel. O fato de estar em movimento dentro de um carro pode passar a ser uma experiência muito desagradável. Talvez a pessoa tenha dificuldades em dirigir, ficando com medo de se envolver num acidente novamente. Os psicólogos chamam isso de trauma.
No mercado, experiências negativas como perdas numa determinada situação podem gerar também o mesmo mecanismo. O trader pode passar a ter medo de operar e incorrer em novas perdas. Esse medo pode dificultar a execução das estratégias, mas existe outro componente psicológico que pode ser ainda mais danoso.
As crenças negativas sobre a possibilidade de ganhar muito dinheiro, ou mesmo sobre a especulação (praticamente um palavrão), podem gerar um conflito interno que será resolvido no formato de prejuízos nas operações. Por incrível que pareça, às vezes é mais difícil aceitar os ganhos do que aceitar as perdas.
No Brasil esse é um problema ainda maior. Talvez por conta da nossa formação cultural ibérico-católica, de onde herdamos uma condenação à riqueza material e um estado paternalista que não estimula os empreendedores. Somos ensinados nos colégios católicos que é mais difícil um rico entrar no céu que um camelo passar pelo buraco de uma agulha. Nas novelas os ricos sempre são egoístas e malvados enquanto os pobres são os heróis. Chegar numa festa e falar para um amigo que você ouviu falar que ele está ganhando muito dinheiro é praticamente um xingamento. A própria palavra “ganhar” envolve a idéia de receber algo de alguém, em contraste com o “make money” usado nos EUA, literalmente produzir dinheiro.
Enfim, somos programados para desenvolver uma aversão à riqueza e a santificar a pobreza. Com essas crenças formando a estrutural mental de um trader, como será o seu resultado no mercado? Afinal de contas, através de uma série de decisões, poderemos ver dinheiro entrando na conta da corretora na forma de lucros ou saindo dela, que são os prejuízos nas operações. Crenças limitantes são inconscientes a maior parte das vezes. O sujeito pode ficar triste por perder na bolsa num primeiro momento, mas inconscientemente pode estar alcançando exatamente aquilo que desejava.
Outra crença limitante é o sentimento de culpa. Muitas vezes esse sentimento vem da condenação da especulação. Especular foi visto ao longo da história como algo errado, parecido com o jogo ou algo até mais criminoso. O preconceito em países atrasados é ainda maior. As crises são sempre culpa dos especuladores, mas um ciclo de crescimento na economia não.
Nada mais injusto. O mercado financeiro talvez seja a melhor invenção da humanidade. A bolsa de valores é um grande gerador e distribuidor de riquezas, além de premiar os agentes eficientes e penalizar os ineficientes. Através do mercado, os empreendedores podem encontrar uma fonte de financiamento para os seus projetos. Através da competição, a eficiência aumenta e todos enriquecem. As práticas modernas de governança corporativa acontecem graças à pressão dos investidores, que querem saber como as empresas nas quais são acionistas estão sendo administradas. Aquelas que são mal administradas acabam sendo punidas por preços descendentes das suas ações e vêem secar as suas fontes de financiamento, enquanto no longo prazo as empresas bem administradas são premiadas com preços ascendentes nas suas ações e uma maior facilidade para levantar recursos.
O especulador é o óleo que lubrifica as engrenagens do mercado, oferecendo liquidez em troca de oportunidades de ganho. Sem especulador, não existe mercado para os investidores e para os tomadores de recursos. Os especuladores podem catalisar um movimento, mas não são responsáveis pelas bases econômicas que tornam esse movimento possível. Quando a moeda de um país é desvalorizada, a culpa final é pela má administração desse país, e não dos especuladores que vendem essa moeda em busca do lucro. A especulação apenas deixa a verdade vir à tona. Sem contar o fato que os especuladores correm riscos e a maior parte deles acaba tendo prejuízos na busca por um lucro maior. O risco é a mãe da evolução tecnológica e econômica e são os especuladores que sempre assumem riscos, alimento o crescimento. Apenas uma parcela deles acaba por lucrar no processo.
Claro que existem crises e falhas no sistema. Algumas vezes a busca do lucro a qualquer custo pode trazer ciclos artificiais de ganhos com grandes prejuízos no fim do processo, como foi na última crise do subprime nos EUA. Mas no final das contas o mercado se corrige, ou pelo menos seria corrigido se ele fosse mais livre.
Precisamos aceitar a especulação como uma atividade honesta. Tenho orgulho de ser um especulador e fomentar o crescimento do mercado financeiro do meu país. A minha busca pelo lucro em operações de curto prazo lubrificam todo um sistema que gera riqueza para a sociedade. No meu trabalho, uso informações públicas, que podem ser acessadas por qualquer um. Concorro em igualdade de condições. Trabalho duro e tenho os meus resultados. O que há de errado nisso?
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Artigo originalmente publicado no site wwww.leandrostormer.com.br em 08/08/2010

 Leandro Ruschel
Sócio-fundador da Leandro&Stormer, opera e desenvolve estratégias de investimento para o mercado de ações e derivativos, com base na análise técnica e quantitativa.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mapa das favelas que sofreram incêndio desde 2004 X Especulação Imobiliária em SP

http://racismoambiental.net.br/2012/09/fogo-no-barraco-saite-mostra-mapa-das-favelas-que-sofreram-incendio-desde-2004-x-especulacao-imobiliaria/

 

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Fogo no Barraco: saite mostra “Mapa das favelas que sofreram incêndio desde 2004 x especulação imobiliária” em SP

 

As duas fotos abaixo foram garimpadas do saite http://fogonobarraco.laboratorio.us/, a partir de uma ótima informação de Marina MacRae. Se as fotos falam por si, no endereço pode-se encontrar também uma “Planilha com o levantamento dos incêndios” e três textos: um de 2011 (“Arquitetura da Destruição”) e dois atuais, sendo um da PUC-SP (“Não acredite em combustão espontânea”). Em respeito ao belo trabalho feito feito pela turma do saite, deixo as informações sem links. Quem quiser saber mais, visite fogonobarraco. Não perderá seu tempo. TP.

A localização dos incêndios entre 2004 e 2012.




 Valorização imobiliária entre 2004 e 2012.


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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mapas e Estatísticas BRASIL - MINÉRIOS



Mapas Brasil - recursos minerais, garimpos, etc






Brasil - jazimento de rochas e materiais para construção




Mapas e Estatísticas BRASIL - ÁGUA


 Uso de Água no Brasil - Fonte_Caminho das Aguas, 2006, p33




Bacias Hidrográficas Brasileiras 






Mapa das Bacias Hidrográficas do Brasil
Legenda
Bacia Amazônica
Bacia do Araguaia-Tocantins
Bacia do rio Paraíba
Bacia do rio São Francisco
Bacia do rio Paraná
Bacia do rio Paraguai
Bacia do rio Paraíba do Sul
Bacia do rio Uruguai




 Mapa das Bacias Hidrográficas do Brasil - 2



 Potencial Hidrelétrico por bacia hidrográfica no Brasil
Fonte: http://geografalando.blogspot.com.br/2013/05/ola-pesoal-nessa-aula-vamos-estudar.html?m=1
Vazão das bacias hidrográficas brasileiras
Fonte http://geografalando.blogspot.com.br/2013/05/ola-pesoal-nessa-aula-vamos-estudar.html?m=1

Quanto se gasta de água por dia







Como é Usada a Água na Grande São Paulo





  Domicílios abastecidos de água por rede geral, segundo as Grandes Regiões - 2000/2008









Municípios sem rede geral de abastecimento de água, 2008






 Número de pessoas sem acesso à rede coletora de esgoto, segundo as Grandes Regiões - 2008





Municípios com serviço de rede coletora de esgoto - Brasil - 2008

Mapas e Estatística Brasil - Fontes de Energia




Mapa Brasil - energia



Mapas Brasil - geração e consumo de energia







Mapas Brasil - geração e consumo de energia - 2






Fonte_Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de energia elétrica do Brasil.





Usina Hidrelétrica de Tucuruí - PA




nova fronteira elétrica




 Brasil - produção de petróleo em barris-ano, em milhões





Mapa das Bacias Hidrográficas do Brasil
Legenda
Bacia Amazônica
Bacia do Araguaia-Tocantins
Bacia do rio Paraíba
Bacia do rio São Francisco
Bacia do rio Paraná
Bacia do rio Paraguai
Bacia do rio Paraíba do Sul
Bacia do rio Uruguai




 Mapa das Bacias Hidrográficas do Brasil - 2







Bacias Hidrográficas Brasileiras 




 Mapa das hidrelétricas do PAC 1 e do PAC 2 pelo Brasil




Matriz energética Brasil - por fonte





Matriz energética Mrasil e mundo





matriz eletrica Brasil



usinas hidreletricas - construção, concluídas, operação parcial






usinas hidreletricas








Mapa Extrativismo no Brasil