Formação do Monte Everest - Deriva dos Continentes e Placas Tectônicas
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Blog com textos, mapas, vídeos, imagens e sugestões de exercícios sobre geografia, além de ter alguns artigos escritos por mim. O Blog está em construção, sendo atualizado constantemente, onde muitas postagens antigas são acrescentadas de mapas e textos novos. Fiquem à vontade! Boa pesquisa!
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
ARTIGO sobre "BAIRROS-JARDIM" na cidade de SÃO PAULO
Conceito de 'bairro jardim' completa cem anos em
São Paulo
Bairros
como o Jardim América, o Alto da Lapa ou o Pacaembu são um convite para um
passeio peculiar na imensidão que se tornou São Paulo. Grande parte das ruas
são sinuosas, verdadeiros labirintos para os menos familiarizados com a região.
Mas
o trajeto reserva um visual agradável: há uma casa por terreno e as calçadas,
as praças e os quintais têm ampla área verde. Além disso, a ausência de pontos
cegos nas esquinas -que em geral são arredondadas- dão mais tranquilidade (e
segurança) a quem circula por lá.
Esses
bairros seguem a concepção de "bairro jardim", que teve origem no
século 19, na Inglaterra, e se contrapunha ao modelo de cidades industriais,
segundo Regina Maria Prosperi Meyer, professora da FAU-USP (Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da USP).
No
Brasil, o conceito foi inaugurado pela Cia. City, empresa que se instalou em
São Paulo em 1912, um ano após sua fundação em Londres.
Três
anos após chegar à cidade, deu início ao Jardim América. Em parceria com a
empresa canadense Light, levava energia elétrica e ônibus à região.
Com
o sucesso do empreendimento, a Cia. City urbanizou outros bairros, como o Alto
da Lapa, o Alto de Pinheiros e o Pacaembu (ver quadro na pág. 6) e inspirou a
criação de outros não gerenciados por ela, como o Cidade Jardim, o Jardim
Europa e o Jardim Paulistano.
Segundo
José Eduardo de Assis Lefèvre, professor da FAU-USP, a Cia. City teve um papel
importante na vida da cidade, porque introduziu um arranjo de disposição urbana
de organizar lotes e ruas de forma harmônica com a topografia, voltada para
criar ambientes agradáveis e pitorescos.
Para
Meyer, o modelo de bairros jardins são impróprios para a São Paulo de hoje. De
acordo com ela, é necessário implantar ações e legislação de uso do solo que
promovam a cidade compacta e densa, "dois conceitos que vão no sentido
inverso do modelo urbanístico dos 'bairros City'".
Mas
associações de moradores discordam. Para elas, os bairros ainda são viáveis
numa metrópole. "É o nosso Central Park à paulistana", diz o
diretor-executivo da Ame Jardins, João Maradei.
A praça Barão de Pinto Lima, no Alto de Pinheiros (zona oeste) passou por revitalização
Alto da Lapa também integra bairros urbanizados pela Cia. City
Alto de Pinheiros em 1939
Antiga casa na avenida Brasil, no Jardim América
Bairro Jardim América esbanja ruas arborizadas e terrenos grandes ocupados por casas, característica dos projetos da Cia. City
Calçamento da Rua Guadalupe no Jardim América (1929)
Casa tradicional do Jardim América, o primeiro a ser urbanizado pela City
Imagem aérea do Butantã
Imagem do bairro Butantã, na década 50
Lotes à venda na região do Pacaembu em 1926
Moradores dos 'bairros jardins', como o Jardim América (foto), reclamam de as ruas terem se tornado estacionamento de carros
O Jardim América, primeiro bairro urbanizado pela Cia. City, preserva características
Praça em imagem de 1950 no jardim América
Praça no Alto da Lapa em 1928
Região do Pacaembu foi alvo da urbanização da City; na foto, a avenida Pacaembu e movimento de carros
Rua Avanhadava passou por revitalização em 2006; projeto original de urbanização é da Cia. City
Rua Avanhandad, na região do Anhangabaú, em 1941
Ruas do Jardim América têm ampla área verde
Vale do Anhangabaú, em janeiro de 1943
Vista de 1941 da rua Pedroso de Morais, em Pinheiros
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Sugestão de AULAS sobre CLIMA
AULA: “Atmosfera”
1- Divisão da
Atmosfera (“esfera do ar” com cerca de 1.000 Km da superfície terrestre até o
Universo):
2- Gases constituintes da Atmosfera:
Hidrogênio (78,1%), Oxigênio (21%), Vapor D’Água (4%), Argônio (0,93%), Dióxido
de Carbono (0,3%), Néon (0,002%), Hélio (0,0005%), Metano (0,0002%), etc.
3- O Aquecimento Global e o Efeito Estufa são
fenômenos naturais e necessários para a existência de vida no planeta Terra.
a) Sol emite raios solares, através de
explosões em sua atmosfera altamente inflamável;
b) Estes raios atingirão todos os planetas de
seu Sistema Solar, como o planeta Terra;
c) Ao entrar na Atmosfera terrestre estes
raios atingirão o solo, sendo parte deles absorvidos pelo planeta (discutir
ALBEDO) e alguns deles refletidos de volta para o espaço/universo;
d) Os “gases
estufa” da atmosfera (especialmente o vapor d’água, o Ozônio-O³, o metano e o
CO²) impedirão a saída completa destes raios solares, criando um “Efeito Estufa
Natural” no planeta Terra e um “Aquecimento Global” natural do planeta Terra.
AULA: “Aquecimento Global
Natural”.
- O Aquecimento Global sempre existiu e sempre existirá no planeta Terra, sendo inevitável e imprescindível para a existência de vida no Planeta Terra. Estes fenômenos podem ser de maior ou de menor intensidade, devido ao aumento dos gases estufa (que são emitidos em sua grande maioria de maneira natural).
- Existem teorias que sobrevalorizam o papel humano no processo de “Aquecimento Global” e outras teorias que sobrevalorizam o papel da natureza neste processo. Tem pontos positivos nas duas proposições, levantarei algumas considerações:
- os gases estufas são vapor d’água (o principal), o Ozônio-O³, o metano e o CO².
- destes gases estufas, o ser humano emite principalmente o CO².
- O ser humano emite somente 6 bilhões de toneladas de Carbono por ano contra 200 bilhões de toneladas de Carbono por ano por motivos naturais (oceano, biota, bactérias e solos). Molion diz que a contribuição antrópica para o efeito-estufa é de 0,12% (o que é questionável). A emissão de CO² por vias naturais (oceanos, vulcão, plantas, bactérias e animais) é de 150 gigatoneladas/ano e por ação antropogênica é de 6,5 gigatoneladas/ano.
- É errado dizer que o CO² controla o clima global, pois ele é necessário para que haja o “efeito estufa natural” do planeta, ajuda na fotossíntese das plantas, contribuindo na produtividade das plantas e na agricultura. Portanto, o CO² é o “gás da vida”, sendo que o aumento de CO² na atmosfera é ocasionado pelo aumento da temperatura do globo terrestre, que faz com que o CO² saia das águas dos oceanos. Quando os oceanos esquentam emitem mais CO² e se eles esfriam acumulam mais CO².
- É falso o debate sobre a “Camada de Ozônio”, a função filtradora de raios UV e a suposta destruição desta Camada pela ação humana. O buraco da Camada de Ozônio não existe (esta camada que filtraria os raios UV). Quem criou esta teoria (Thompson) não acredita mais, sendo que foi criada por interesses de empresas e governos. As contradições começam por haver uma descontinuidade nesta suposta Camada, que praticamente não existiria na Antártida. Apesar de uma polêmica quanto às datas, o fato é que uma empresa americana chamada Dupont eram quem detinha as patentes do C-F-C até o final da década de 1980 e depois esta patente foi quebrada, diminuindo o preço do C-F-C para U$1,38/Quilo). Neste momento, os cientistas, a ONU, os governos e empresas capitalistas criaram o “mito do C-F-C que quebraria a Camada de Ozônio”. Em seguida, cientistas da empresa americana Dupont criaram o H-C-F-C (que custará U$38,00/Quilo) agora com uma nova patente controlado por eles. Este segundo gás não daria para colocar nas geladeira/ar condicionados antigos, o que fez com que parques industriais mudassem, além da renovação de bens de consumo (mudando todos os aparelhos), etc. As Patentes duram 25 anos e os cientistas/ambientalistas estão dizendo que o H-C-F-C é ruim para o planeta e estaria surgindo um novo gás que agora custaria U$128,00/Quilo.
- O IPCC diz que a temperatura global aumentará de 2 a 4,5% e que em 2100 o nível do mar subirá cerca de 60 cm. Além de muitos dados estão errados, isto são projeções e não previsões científicas, desconsiderando muitos fatores de determinação climática. Estes dados, por exemplo, não tratam do ciclo hidrológico (como na propriedade e estrutura das nuvens), não falam da importância dos oceanos (que são 71% do planeta Terra). O nível do mar sobe ou desce principalmente por causa de um Ciclo Lunar de 18,6 anos. A Lua no máximo deste ciclo puxa gravitacionalmente o nível do mar por mais de 12 cm, retornando posteriormente aos níveis anteriores. Este movimento tem seu ápice no final de um ciclo de 18 anos, tendo depois um declínio. O final do último ciclo ocorreu em 2007, tendo agora um declínio. Para subir o nível do mar no Planeta Terra, a Antártida deveria derreter (pois é um continente com gelo, diferentemente do Ártico que é um oceano congelado), mas isso somente irá acontecer com o aumento da temperatura de 20 a 30 graus Celsius.
- A Urbanização (com suas “Ilhas de Calor”) não influencia muito na temperatura global (somente em cerca de 0,006%), mas influencia nos dados climatológicos locais, sendo que temos 4-5% de maior temperatura nas Cidades do que no campo.
AULAS: “História Climática do Planeta Terra"
- Em 90% da história do Planeta Terra ele está mais frio do que mais quente. Estamos passando por um período de “resfriamento global”, tendo daqui a 20 anos uma diminuição da temperatura global. O planeta Terra passa por ciclos de aumento e resfriamento global, sendo que em um futuro próximo estaríamos passando por um novo ciclo glacial. No último milhão de ano a Terra passou por 9 Glaciações (que duram aproximadamente 100 mil anos) e esta é interrompida por períodos mais quentes, chamados de Inter-Glaciais (que duram de 10 a 12 mil anos). Estamos em um Inter-Glacial (o ultimo que tivemos foi em 130-240 mil anos atrás, com temperaturas muito altas).
- As mudanças globais de temperatura devem ser explicadas por vários fatores, principalmente pela existência de “Ciclos Solares”. Cerca de 98,9% da energia presente no planeta Terra vem do Sol (o grande regulador do clima planetário é o Sol). O surgimento de “manchas solares” (similar a explosões no Sol) significa aumento de temperaturas e a menor quantidade de “nuvens cósmicas” (partículas subatômicas provenientes de explosões de super-novas no universo que entram em contato com o vapor d’água dos oceanos, criando gotículas de água e as nuvens que resfriam a temperatura). Com o Sol mais ativo (com mais “manchas solares” e temperaturas mais altas), temos uma maior quantidade de “ventos solares” que dispersam estas partículas subatômicas, impossibilitando o surgimento destas “nuvens cósmicas” e aumentando a temperatura do Planeta Terra. Em 1893, o astrólogo britânico Edward Maunder percebeu que o período de “pequena era do gelo” (entre 1500 à 1900) não tivemos “manchas solares”. O “Ciclo de Manchas Solares”, que duraria cerca de 11 anos e que aumenta/decresce a temperatura do Planeta Terra (com um máximo em 4 anos e decaindo em 7 anos), além do “Ciclo Solar de Gleisberg” que duraria 90 anos (com picos em 90 anos e teremos uma nova daqui a 22 anos, fazendo com que a temperatura decresça).
- As mudanças globais de temperatura devem ser explicadas por vários fatores, principalmente pela existência de “Ciclos Solares”. Cerca de 98,9% da energia presente no planeta Terra vem do Sol (o grande regulador do clima planetário é o Sol). O surgimento de “manchas solares” (similar a explosões no Sol) significa aumento de temperaturas e a menor quantidade de “nuvens cósmicas” (partículas subatômicas provenientes de explosões de super-novas no universo que entram em contato com o vapor d’água dos oceanos, criando gotículas de água e as nuvens que resfriam a temperatura). Com o Sol mais ativo (com mais “manchas solares” e temperaturas mais altas), temos uma maior quantidade de “ventos solares” que dispersam estas partículas subatômicas, impossibilitando o surgimento destas “nuvens cósmicas” e aumentando a temperatura do Planeta Terra. Em 1893, o astrólogo britânico Edward Maunder percebeu que o período de “pequena era do gelo” (entre 1500 à 1900) não tivemos “manchas solares”. O “Ciclo de Manchas Solares”, que duraria cerca de 11 anos e que aumenta/decresce a temperatura do Planeta Terra (com um máximo em 4 anos e decaindo em 7 anos), além do “Ciclo Solar de Gleisberg” que duraria 90 anos (com picos em 90 anos e teremos uma nova daqui a 22 anos, fazendo com que a temperatura decresça).
- O “Ciclo de Manchas Solares” faz aumentar e abaixar a temperatura global numa escala menor de tempo. Entre 1925 à 1946 houve um aumento de 0,4°C na temperatura global, mas isso não foi ocasionado por ação antrópica, mas por este “Ciclo de Manchas Solares” aumentou a intensidade de raios solares. O que realmente contribuiu no aumento da temperatura neste período (entre 1925 à 1946), foi não haver nenhuma erupção vulcânica significativa no Planeta Terra, o que fez com que a “atmosfera terrestre ficasse transparente”, aumentando radiação solar (aumento da “transmissividade”). O aumento da temperatura neste período foi devido ao aumento da atividade solar e a redução do albedo planetário (relação com o vulcão) e não pela intensificação do “efeito estufa”. No final da Segunda Guerra Mundial, o homem lançava 6% de CO² que lança hoje, mostrando que o CO² não regula tanto a temperatura global. Segundo este “Ciclo de Manchas Solares”, tivemos um “resfriamento global” entre 1947 à 1976, mesmo com a intensidade produtiva industrial e o CO² aumentando. Segundo este “Ciclo de Manchas Solares”, tivemos um aumento da temperatura do planeta entre 1977 à 1998, sendo que este não foi em todo o mundo, mas localmente.
AULAS: "Diferentes Teorias sobre Aquecimento Global e Efeito Estufa”.
- Há duas visões sobre a questão do "Aquecimento Global e Efeito Estufa", uma que desconsidera o ser humano e outra que sobrevaloriza o papel humano na dinâmica climática global. Há pontos negativos e positivos nas 2 visões, sendo que podemos aproveitar muitas coisas destes 2 posicionamentos.
- A visão que desconsidera o ser humano nas dinâmicas climáticas globais é equivocada, pois desvaloriza em demasia a importâncias das sociedades neste assunto.
- A visão hegemônica sobre o assunto diz que somente o ser humano é responsável pelo “aquecimento global exagerado e o efeito estufa exagerado”. Estas são as principais interferências das sociedades no meio ambiente global, estariam interferindo no clima:
AULAS: "Diferentes Teorias sobre Aquecimento Global e Efeito Estufa”.
- Há duas visões sobre a questão do "Aquecimento Global e Efeito Estufa", uma que desconsidera o ser humano e outra que sobrevaloriza o papel humano na dinâmica climática global. Há pontos negativos e positivos nas 2 visões, sendo que podemos aproveitar muitas coisas destes 2 posicionamentos.
- A visão que desconsidera o ser humano nas dinâmicas climáticas globais é equivocada, pois desvaloriza em demasia a importâncias das sociedades neste assunto.
- A visão hegemônica sobre o assunto diz que somente o ser humano é responsável pelo “aquecimento global exagerado e o efeito estufa exagerado”. Estas são as principais interferências das sociedades no meio ambiente global, estariam interferindo no clima:
- Desflorestamento ou Desmatamento;
- Emissão de Gases Poluentes (automóveis, queimadas, metano);
- Ilha de Calor Urbano;
- Efeito Estufa Intensificado.
- “Greenpeace Brasil - Mudanças do clima, mudanças de vidas” (http://www.youtube.com/watch?v=-xUt31hgYKQ),
- “Uma Verdade Inconveniente” (https://www.youtube.com/watch?v=p5MxZnpTHrU).
- As “Conseqüências do Aquecimento Global Exagerado” seriam:
- Derretimento calotas polares e geleiras;
- Desregulação climática (influindo em fenômenos climáticos como o El Niño, furacões, nível de precipitações, etc);
- Aumento do nível dos oceanos e possibilidade de inundação de cidades litorâneas;
- Aumento da temperatura global;
- Prejuízos para a prática agrícola;
- Aumento de doenças respiratórias e doenças tropicais (tais como malária, dengue e febre amarela);
- As “Soluções e Alternativas Climáticas ao Aquecimento Global Exagerado”:
- Diminuição do desflorestamento;
- Diminuição de emissões de gases poluentes;
- Fontes de energia limpas;
- Tratados Climáticos;
- Necessidade de uma mudança de mentalidade na sociedade consumista-predatória-capitalista (antes da seqüência destas 6 aulas eu tinha discutido temas sobre “meio ambiente e sociedade” e “meio ambiente e capitalismo”, passando trabalhos e filmes).
AULA: “Avaliação”
Obs1: ao fim do bimestre, os
alunos poderiam fazer uma prova sobre as discussões.
Obs2: os alunos poderiam fazer
redações dos 2 vídeos passados.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
ARTIGO - Eric Hobsbawm e o futebol
http://blogdojuca.uol.com.br/2012/10/eric-hobsbawm-e-o-futebol/
Eric Hobsbawm e o futebol
Por RAUL MILLIET FILHO*
Eric Hobsbawm, um dos maiores
historiadores do século XX, falecido em 1º de outubro último, trilhou caminhos
pouco frequentados pelo mundo acadêmico. Dentre tantos outros temas, conhecia
jazz, artes plásticas e futebol, jogo que está, por exemplo, no seu A Era dos
Extremos:
“O esporte que o mundo tornou seu foi o futebol de
clubes, filho da presença global britânica… Esse jogo simples e elegante, não
perturbado por regras e/ou equipamentos complexos, e que podia ser praticado em
qualquer espaço aberto mais ou menos plano do tamanho exigido… tornou-se
genuinamente universal.”
Tomei contato e conhecimento do interesse de Hobsbawm
pelo futebol em 1976. Para minha alegria de botafoguense apaixonado e
historiador recém-formado, soube do seu gosto pelo futebol. Torcedor do
Arsenal, ele não só gostava como entendia do jogo. E isto era raro.
Afinal, como disse certa vez Edgar Morin: “o estudo dos
fenômenos desacreditados é igualmente desacreditado”. E, naquela época, nos
meios universitários do Brasil e de todo o mundo, nada mais desacreditado que o
futebol. Os professores doutores, salvo raras exceções, eram típicos
intelectuais de laranja, cunhados por Nelson Rodrigues, que não sabiam bater
nem um reles escanteio. Olhavam o futebol com o nariz em pé.
Assim que soube da novidade, recorri ao amigo e sociólogo
Luciano Costa Neto, que começara a traduzir A Era do Capital para o português.
Encaminhei, por Luciano, algumas perguntas por escrito a
Hobsbawm em um dos encontros que tiveram para ajustar pontos da tradução.
Na resposta, devidamente anotada por Luciano, Hobsbawm
falava que não só o futebol era um assunto de relevo para os historiadores, mas
contava da sua admiração pela seleção brasileira e por dois jogadores em
particular: Gerson e Tostão. E ia além, relembrando dois jogos da Copa de 70:
Brasil x Itália e Brasil x Inglaterra. Deste último jogo retinha na memória a
trama do gol brasileiro feito por Jair.
E não foram citados apenas Tostão e Gerson. Hobsbawm
disse a Luciano da sua decepção em nunca ter visto Garrincha atuar em campo.
Quase 20 anos mais tarde deixaria registrado: “…e quem,
tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à
condição de arte?…” ( A Era dos Extremos)
Para Hobsbawm, o futebol bem praticado não era apenas um
esporte. Era arte e paixão popular, ou culto proletário de massa.
Autor de livros que inovaram a compreensão do mundo
contemporâneo: A Era das Revoluções (1789–1848); A Era do Capital (1848–1875);
A Era dos Impérios (1875–1914) e A Era dos Extremos (1914– 1991), encantou
leitores e críticos de várias correntes do pensamento, independente de filiação
ideológica ou político-partidária.
Marxista, avesso a análises reducionistas e dogmáticas,
Hobsbawm foi um estilista erudito e original, senhor de uma narrativa leve e
sofisticada, respeitado até mesmo por críticos contundentes, como Tony Judt.
Em um dos seus textos afirmou que um historiador social
não podia negligenciar nem a economia nem Shakespeare. Deveria analisar não
somente os aspectos econômicos da vida em sociedade como as idéias, a linguagem
e o imaginário coletivo.
Foi exatamente isto que ele fez em seus escritos. O
contraponto entre as relações econômicas e culturais está presente em sua vasta
obra, inclusive quando aborda o futebol, como nesta passagem de Mundos do
Trabalho, recuando ao período de profissionalização/popularização do futebol
inglês.
“O futebol como esporte proletário de massa – quase uma
religião leiga – foi produto da década de 1880, embora os jornais do norte já
ao final da década de 1870 houvessem começado a observar que os resultados de
jogos de futebol, que eles publicavam somente para preencher espaço, estavam na
verdade atraindo leitores. O jogo foi profissionalizado em meados da década de
1880…”
O surgimento dos Esportes Modernos (dentre os quais o
futebol) na segunda metade do século XIX foi analisado por Hobsbawm em sintonia
à consolidação do Estado-Nação da era moderna.
Em A Invenção das Tradições (escrito com Terence Ranger),
o futebol é identificado como uma entre muitas formas de expressão e símbolo da
nacionalidade, como mais um modo de coesão necessário à nação moderna.
Discorrendo sobre as décadas de 1880 e 1890 na
Inglaterra, Hobsbawm reafirma a importância do tema:
“Pela história das finais do campeonato britânico de futebol
podem-se obter dados sobre o desenvolvimento de uma cultura urbana operária que
não se conseguiram através de fontes mais convencionais.” (A Invenção das
Tradições).
Ainda em A Invenção das Tradições, Eric Hobsbawm volta
seu olhar para o vestuário operário, associando a utilização do boné como meio
de identificação e expressão de classe fora do trabalho. E mais uma vez, o
futebol é mencionado:
“Na Grã-Bretanha, ao menos, segundo indícios
iconográficos, os proletários não eram universalmente relacionados ao boné
antes da década de 1890, mas no fim do período eduardino – como provam fotos de
multidões saindo de jogos de futebol ou de assembléias – tal identificação era
quase completa. A ascensão do boné proletário ainda está à espera de um
cronista. Ele ou ela, supostamente, descobrirá que sua história tem relação com
a do desenvolvimento dos esportes de massa, uma vez que este tipo específico de
chapéu surge a princípio como acessório esportivo entre as classes alta e
média.” (A Invenção das Tradições)
O vínculo entre o boné, o futebol e o vestuário dos
trabalhadores ingleses é ainda mais forte e estreito do que Hobsbawm supunha.
Pelo regramento do futebol inglês, a presença do juiz data de 1863. Mas por 21
anos o poder do juiz ficaria subordinado aos capitães das equipes.
E os capitães ou “reclamadores” utilizavam um bonezinho
para se diferenciarem dos demais. Boné que em inglês é cap. De cap para capitão
foi um pulo. O fato é que o reclamador ficou conhecido como o capitão do time,
produto deste antigo costume britânico.
Assim, é possível depreender que a utilização do boné
(cap) pelo capitão (ou reclamador) no futebol foi um dos fatores que contribuiu
para a disseminação do boné entre as classes populares inglesas e,
posteriormente, em quase toda a Europa Ocidental.
Para Hobsbawm, não apenas a história do vestuário
proletário não foi escrita mas também a da cultura do futebol na transição do
século XIX para o século XX, na Inglaterra:
“A natureza da cultura do futebol neste período – antes
de haver penetrado muito nas culturas urbanas e industriais de outros países –
ainda não foi bem compreendida. Sua estrutura socioeconômica, porém, é mais
compreensível. A princípio desenvolvido como esporte amador e modelador do
caráter pelas classes médias da escola secundária particular, foi rapidamente
(1885) proletarizado e portanto, profissionalizado; o momento decisivo
simbólico – reconhecido como um confronto de classes – foi a derrota dos Old Etonians
pelo Bolton Olympic na final do campeonato de 1883.” (A Invenção das
Tradições).
Entre 1890 e 1914, a popularização do futebol inglês
registrou um crescimento avassalador. Os jogadores de futebol eram oriundos das
fábricas, escolhidos entre os operários mais habilidosos, ao contrário do que
acontecia no boxe, onde o critério de escolha levava mais em conta a força e o
tamanho dos futuros atletas.
Em A Era dos Impérios, Hobsbawm identifica a existência
de cerca de 1 milhão de jogadores de futebol na Inglaterra antes de 1914 frente
a uma população geral de cerca de 31 milhões de habitantes.
Abordando o período entre guerras (1918-1939), destaca o
papel do esporte e do futebol em particular, representando cada vez com mais
força uma expressão de luta nacional e identificação dos indivíduos com a
nação, tendo como símbolos mais próximos os atletas:
“A imaginária comunidade de milhões parece mais real na
forma de um time de onze pessoas com nome. O indivíduo, mesmo aquele que apenas
torce, torna-se o próprio símbolo de sua nação.” (Nações e Nacionalismo desde
1870, p. 171).
Uma lembrança do então menino Eric Hobsbawm, é descrita:
“O autor se lembra quando ouvia, nervoso, à transmissão
radiofônica da primeira partida internacional de futebol entre a Inglaterra e a
Áustria, jogada em Viena em 1929, na casa de amigos que prometeram descontar
nele se a Inglaterra ganhasse da Áustria, o que, pelos registros, parecia
bastante provável. Como o único menino inglês presente, eu era Inglaterra,
enquanto eles eram Áustria. (Por sorte a partida terminou empatada). Dessa
maneira crianças de 12 anos ampliavam o conceito de lealdade ao time para a
nação.” (Nações e Nacionalismo desde 1870).
Mas, para quem, como Hobsbawm, toda História é História
contemporânea disfarçada, o futebol globalizado, controlado por empresas
transnacionais não poderia ficar de fora do alcance de sua pena.
O intrincado jogo de interesses entre a FIFA e os grandes
clubes internacionais, com seus conflitos de grandes proporções, à primeira
vista inconciliáveis, foi abordado em Globalização, Democracia e Terrorismo:
“… a lógica transnacional da empresa de negócios entrou
em conflito com o futebol como expressão de identidade nacional…
… Do ponto de vista dos clubes, provocaram um
considerável enfraquecimento da posição de todos aqueles que não estão no
circuito das superligas internacionais e dos supertorneios e em especial nos
clubes dos países exportadores de jogadores, notadamente nas Américas e na
África. A crise dos outrora altivos clubes de futebol do Brasil e da Argentina
o comprova…” (Globalização, Democracia e Terrorismo).
Apesar da importância e da prevalência dos superjogadores
e dos superclubes sobre os interesses nacionais, o historiador assinala que os
objetivos de poder da FIFA têm tido força para manter, impor e ampliar a
realização das Copas do Mundo como evento mais importante do futebol mundial.
Assinalaríamos apenas, ampliando e aprofundando as
conclusões de Hobsbawm, que a lógica econômico-financeira das Copas do Mundo
acabou por entrelaçar-se com os objetivos do grande capital internacional. Isto
foi possível graças à aliança da FIFA com os mesmos interesses que dirigem os
superclubes, para a realização das Copas do Mundo. Até mesmo a escolha de
países como a África do Sul , Brasil e Qatar, mais maleáveis a negócios
extra-campo, demonstra isso.
Não se sabe até quando este equilíbrio instável e
contraditório de forças no futebol mundial poderá ser mantido, tendo em vista
que não está em jogo apenas a sobrevivência dos interesses nacionais e dos
clubes, mas do próprio futebol como cultura popular.
Em a “História Social do Jazz”, talvez o seu melhor livro
sobre cultura popular, Hobsbawm questiona a pasteurização da cultura
pré-industrial pelo rolo compressor da sociedade contemporânea, citando o jazz
como exemplo de resistência e manutenção de suas origens:
“O jazz é o mais importante desses exemplos. Se eu
tivesse de fazer um resumo da sua evolução em uma só sentença eu diria: é o que
acontece quando a música popular não sucumbe, mas se mantém no ambiente da
civilização urbana e industrial”. (A História Social do Jazz).
Aqui cabem duas indagações: será que o futebol atual, em
particular o brasileiro, tal como o jazz, também não sucumbiu diante das
pressões da civilização urbana e industrial?
Ainda é possível falarmos do futebol como arte e cultura
popular?
*Raul Milliet Filho é doutor em
História pela USP, professor, pesquisador e especialista em políticas sociais
na área pública.
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