Isso sem falar da "Operação Condor" que levou à muitas ditaduras na América Latina.
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INVASÕES dos EUA em todo mundo, de 1846 ao século XXI
E vários de seus presidentes já receberam o prêmio Nobel da Paz!!!
INVASÕES DOS EUA NO MUNDO
Entre as várias INVASÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:
1846 – 1848 – MÉXICO – Anexação, pelos EUA, da República do Texas. (Ao longo dos séculos XIX e XX, os EUA usurparam quase 50% do território mexicano – Ver Nota do Contraponto!).
1890 – ARGENTINA – Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos.
1891 – CHILE - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas.
1891 – HAITI - Tropas americanas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.
1893 – HAWAI - Marinha enviada para suprimir o reinado independente e anexar o Hawaí aos EUA. (Hoje o Hawaí é um Estado dos EUA).
1894 – NICARÁGUA - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.
1894 – 1895 – CHINA - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.
1894 – 1896 – CORÉIA - Tropas permanecem em Seul durante a guerra.
1895 – PANAMÁ - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.
1898 – 1900 – CHINA - Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.
1898 – 1910 – FILIPINAS - As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas – 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas 11/15/1913) – 600.000 filipinos mortos.
1898 – 1902 – CUBA - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana.
1898 até hoje- PORTO RICO – Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje ‘Estado Livre Associado’ dos Estados Unidos. (Na prática, Porto Rico é mais um ‘Estado’ dos EUA).
1898 – ILHA DE GUAM - Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.
1898 – ESPANHA - Guerra Hispano-Americana – Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.
1898 – NICARÁGUA - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.
1899 – ILHA DE SAMOA - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.
1899 – NICARÁGUA - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).
1901 – 1914 – PANAMÁ - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.
1903 – HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.
1903 – 1904 – REPÚBLICA DOMINICANA - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
1904 – 1905 – CORÉIA - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.
1906 – 1909 – CUBA -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
1907 – NICARÁGUA - Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.
1907 – HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.
1908 – PANAMÁ - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.
1910 – NICARÁGUA - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.
1911 – HONDURAS - Tropas americanas enviadas para proteger interesses mericanos durante a guerra civil, invadem Honduras.
1911 – 1941 – CHINA - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.
1912 – CUBA - Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.
1912 – PANAMÁ - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
1912 – HONDURAS - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
1912 – 1933 – NICARÁGUA - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.
1913 – MÉXICO - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.
1913 – MÉXICO - Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.
1914 – 1918 – PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.
1914 – REPÚBLICA DOMINICANA - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.
1914 – 1918 – MÉXICO - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
1915 – 1934 – HAITI - Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
1916 – 1924 – REPÚBLICA DOMINICANA - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.
1917 – 1933 – CUBA - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos. (A partir deste período cassinos foram liberados e Cuba se tornou um verdadeiro bordel dos EUA).
1918 – 1922 – RÚSSIA - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
1919 – HONDURAS - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.
1918 – IUGOSLÁVIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.
1920 – GUATEMALA - Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.
1922 – TURQUIA - Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
1922 – 1927 – CHINA - Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.
1924 – 1925 – HONDURAS - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.
1925 – PANAMÁ - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.
1927 – 1934 – CHINA - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.
1932 – EL SALVADOR - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional – FMLN – comandadas por Marti.
1939 – 1945 – SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Hiroshima e Nagasaki (causando aproximadamente 200 mil mortes e um número ainda maior de sobreviventes contaminados pela radiação nuclear).
1946 – IRÃ - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.
1946 – IUGOSLÁVIA - Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.
1947 – 1949 – GRÉCIA - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.
1947 – VENEZUELA - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.
1948 – 1949 – CHINA - Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
1950 – PORTO RICO - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.
1951 – 1953 – CORÉIA - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul.
1954 – GUATEMALA - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.
1956 – EGITO - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense- britânica, a retirar-se do canal.
1958 – LÍBANO - Forças da Marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.
1958 – PANAMÁ - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.
1961 – 1975 – VIETNÃ - Aliado aos sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático, que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas. (Os EUA deixaram no Vietnã um rastro de mais de um milhão de mortos).
1962 – LAOS - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.
1964 – PANAMÁ – Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.
1965 – 1966 – REPÚBLICA DOMINICANA - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.
1966 – 1967 – GUATEMALA - Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.
1969 – 1975 – CAMBOJA - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.
1971 – 1975 – LAOS - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.
1975 – CAMBOJA - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.
1980 – IRÃ - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.
1982 – 1984 – LÍBANO - Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel – e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.
1983 – 1984 – ILHA DE GRANADA - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.
1983 – 1989 – HONDURAS - Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras.
1986 – BOLÍVIA - Exército americano invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína.
1989 – ILHAS VIRGENS - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
1989 – PANAMÁ - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 – LIBÉRIA - Tropas americanas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil.
1990 – 1991 – IRAQUE - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.
1990 – 1991 – ARÁBIA SAUDITA - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.
1992 – 1994 – SOMÁLIA - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
1993 – IRAQUE - No início do governo Clinton é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.
1994 – 1999 - HAITI – Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.
1996 – 1997 – ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ?Marines evacuam civis? iniciou.
1997 – LIBÉRIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.
1997 – ALBÂNIA - Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.
2000 – COLÔMBIA - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").
2001 – AFEGANISTÃO - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.
2003 – IRAQUE - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.
Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).
(Organizado por Alberto da Silva Jones, professor da UFSC)
NOTA DO IZB: Embora a lista contenha alguns ‘furos’, como a falta de mais detalhes sobre a usurpação de mais da metade do território do México pelos EUA e necessidade mais detalhes da ‘compra’ do Alaska e da ‘ocupação’ de Porto Rico, por exemplo, a lista do professor Alberto Jones nos dá uma excelente visão do que é a versão moderna do ‘Império Romano’, ou do mais recente Imperialismo Inglês (que levou a Rainha Vitória a proclamar que no Reino Unido o sol nunca se punha). No ‘Reino USA’ as armas nunca deixam de disparar, em todas as partes do planeta, ‘engordando’ um punhado de empresas e corporações estadunidenses, que vivem às custas da guerra permanente (a propósito, veja a matéria abaixo). Um exercício interessante seria a tentativa de contagem das vítimas dos EUA em todas estas intervenções militares.
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Fonte: internet
Blog com textos, mapas, vídeos, imagens e sugestões de exercícios sobre geografia, além de ter alguns artigos escritos por mim. O Blog está em construção, sendo atualizado constantemente, onde muitas postagens antigas são acrescentadas de mapas e textos novos. Fiquem à vontade! Boa pesquisa!
terça-feira, 11 de março de 2014
terça-feira, 4 de março de 2014
MAPA - Relevo do Estado de São Paulo
Relevo do Estado de São Paulo
O território do Estado de São Paulo é formado, basicamente, de uma planície litorânea estreita, limitada pela serra do Mar, e de planaltos e depressões no resto do território.
O relevo do estado de São Paulo é subdividido nas seguintes unidades geomorfológicas:
PROVÍNCIA COSTEIRA - Inclui as baixadas litorâneas, as serras da costa (Serra do Mar, de Paranapiacaba e de Itatins) e os morros da costa e do Vale do Ribeira;
PLANALTO ATLÂNTICO - Abrange a faixa de rochas cristalinas que vai da região sul do Estado (Guapiara) até a região nordeste, na divisa com o Estado de Minas Gerais (Campos do Jordão);
DEPRESSÃO PERIFÉRICA - Compreende a região que se estende desde o Planalto Atlântico para o oeste paulista, pelos vales do Médio Tietê, Paranapanema e Mogi-Guaçu;
CUESTAS BASÁLTICAS - Formadas pelos remanescentes erosivos das camadas de rochas vulcânicas basálticas da Bacia do Paraná, na faixa que vai desde Ituverava e Franca a nordeste, até Botucatu e Avaré a sudoeste;
PLANALTO OCIDENTAL - Inclui os planaltos das regiões de Marília, Catanduva e Monte Alto.
Fonte: bibliotecavirtual.sp.gov.b
Iugoslávia - composição étnica
Iugoslávia - composição étnica
Bósnia - divisão étnica
A Guerra na Iugoslávia
Depois da morte de Tito, que durante décadas governara a Iugoslávia e dela tentara fazer um estado unido na diversidade das suas componentes étnicas, as diversas etnias do país, organizadas politicamente à sombra de partidos radicais, entraram em conflito armado. Manifestaram-se irredentismos e ódios étnicos e o país mergulhou numa guerra sangrenta, em que reeditou algumas das mais ferozes tendências da Segunda Guerra Mundial: o uso de civis como reféns, a limpeza étnica (de que os muçulmanos foram as maiores vítimas), o bombardeamento deliberado de alvos civis e o assassinato de civis e de prisioneiros de guerra.
A comunidade internacional, através da ação de organizações como a NATO, a#ONU e a União Europeia, procurou intervir no sentido de evitar o alastramento do conflito e de levar a uma solução negociada de paz, mas sem êxito assinalável durante muitos meses. A proclamação de independências (Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina, em 1991-1992) levou à destruição da federação e os combates tiveram início em março de 1992. A 5 de abril de 1992 começava o cerco da cidade de Sarajevo, que seria martirizada por bombardeamentos indiscriminados, ação de atiradores especiais que tomavam como alvo deliberado civis indefesos com o objetivo de espalhar o pânico, destruições de grande vulto e dificuldades de abastecimento em bens de primeira necessidade.
O ano de 1993 viu o aparecimento de dois planos de paz da autoria de diplomatas ocidentais, que não surtiram qualquer efeito, dado o boicote dos beligerantes. No mesmo ano, e tendo em vista a impossibilidade de arbitrar o #conflito, diversas instâncias internacionais começaram a tomar uma postura mais interventiva; a NATO, particularmente preocupada com o perigo para a paz europeia que a guerra na Iugoslávia representava, criou zonas de segurança, que os contendores desrespeitaram impunemente, acabando a organização internacional por lançar ataques aéreos para os obrigar a manter-se dentro de limites geográficos predeterminados, ao mesmo tempo que a diplomacia continuava a trabalhar para conseguir um acordo que pusesse termo aos combates. Tal só foi possível com os acordos assinados em Dayton, nos EUA, em novembro de 1995, os quais criaram condições para o acantonamento dos combatentes e para o desarmamento das forças em confronto, o encerramento dos campos de prisioneiros e a libertação e troca dos mesmos. Previa o acordo, enfim, a realização de eleições, sujeitas a fiscalização internacional, com a interposição de forças militares e policiais internacionais como garantia da segurança dos eleitores.
O conflito provocou a maior catástrofe na Europa depois da Segunda Guerra Mundial: pensa-se que o número de mortos ascenda a mais de 250 000, calculando a Amnistia Internacional que haja cerca de 27 000 desaparecidos (civis e militares presumivelmente assassinados e sepultados secretamente em valas comuns, das quais se localizaram umas 300), a violação de mais de 20 000 mulheres muçulmanas (componente particularmente sórdida da “limpeza étnica”, pela primeira vez usada sistematicamente num conflito), enquanto o número de refugiados, obrigados a abandonar as suas terras natais e o país, deve andar pelos 2 milhões e meio e os serviços médicos assinalam a existência de traumatizados necessitados de assistência psiquiátrica em número próximo do milhão.
A comunidade internacional procurou levar a julgamento os responsáveis pelos crimes de guerra, instalando em Haia um tribunal internacional semelhante ao de Nuremberg, mas sem o dotar dos meios necessários e suficientes para a detenção dos responsáveis, que se sabia serem grandes figuras de Estado, como generais e chefes de governo; os resultados obtidos por este tribunal até ao momento das eleições foram bem irrisórios, pois só conseguiu iniciar procedimentos judiciais contra elementos da base da cadeia de comando, cuja responsabilidade é diminuta. Por esse motivo, prevaleceu na opinião pública um grande ceticismo quanto à eficácia dos mecanismos de punição dos criminosos de #guerra.
Fonte: Wordpress e https://www.facebook.com/470757176305577/photos/a.470768346304460.98791.470757176305577/615192695195357/?type=3&src=https%3A%2F%2Ffbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net%2Fhphotos-ak-ash3%2Ft1%2F1900151_615192695195357_1158966131_n.jpg&size=531%2C480&fbid=615192695195357
Bósnia - divisão étnica
A Guerra na Iugoslávia
Depois da morte de Tito, que durante décadas governara a Iugoslávia e dela tentara fazer um estado unido na diversidade das suas componentes étnicas, as diversas etnias do país, organizadas politicamente à sombra de partidos radicais, entraram em conflito armado. Manifestaram-se irredentismos e ódios étnicos e o país mergulhou numa guerra sangrenta, em que reeditou algumas das mais ferozes tendências da Segunda Guerra Mundial: o uso de civis como reféns, a limpeza étnica (de que os muçulmanos foram as maiores vítimas), o bombardeamento deliberado de alvos civis e o assassinato de civis e de prisioneiros de guerra.
A comunidade internacional, através da ação de organizações como a NATO, a#ONU e a União Europeia, procurou intervir no sentido de evitar o alastramento do conflito e de levar a uma solução negociada de paz, mas sem êxito assinalável durante muitos meses. A proclamação de independências (Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina, em 1991-1992) levou à destruição da federação e os combates tiveram início em março de 1992. A 5 de abril de 1992 começava o cerco da cidade de Sarajevo, que seria martirizada por bombardeamentos indiscriminados, ação de atiradores especiais que tomavam como alvo deliberado civis indefesos com o objetivo de espalhar o pânico, destruições de grande vulto e dificuldades de abastecimento em bens de primeira necessidade.
O ano de 1993 viu o aparecimento de dois planos de paz da autoria de diplomatas ocidentais, que não surtiram qualquer efeito, dado o boicote dos beligerantes. No mesmo ano, e tendo em vista a impossibilidade de arbitrar o #conflito, diversas instâncias internacionais começaram a tomar uma postura mais interventiva; a NATO, particularmente preocupada com o perigo para a paz europeia que a guerra na Iugoslávia representava, criou zonas de segurança, que os contendores desrespeitaram impunemente, acabando a organização internacional por lançar ataques aéreos para os obrigar a manter-se dentro de limites geográficos predeterminados, ao mesmo tempo que a diplomacia continuava a trabalhar para conseguir um acordo que pusesse termo aos combates. Tal só foi possível com os acordos assinados em Dayton, nos EUA, em novembro de 1995, os quais criaram condições para o acantonamento dos combatentes e para o desarmamento das forças em confronto, o encerramento dos campos de prisioneiros e a libertação e troca dos mesmos. Previa o acordo, enfim, a realização de eleições, sujeitas a fiscalização internacional, com a interposição de forças militares e policiais internacionais como garantia da segurança dos eleitores.
O conflito provocou a maior catástrofe na Europa depois da Segunda Guerra Mundial: pensa-se que o número de mortos ascenda a mais de 250 000, calculando a Amnistia Internacional que haja cerca de 27 000 desaparecidos (civis e militares presumivelmente assassinados e sepultados secretamente em valas comuns, das quais se localizaram umas 300), a violação de mais de 20 000 mulheres muçulmanas (componente particularmente sórdida da “limpeza étnica”, pela primeira vez usada sistematicamente num conflito), enquanto o número de refugiados, obrigados a abandonar as suas terras natais e o país, deve andar pelos 2 milhões e meio e os serviços médicos assinalam a existência de traumatizados necessitados de assistência psiquiátrica em número próximo do milhão.
A comunidade internacional procurou levar a julgamento os responsáveis pelos crimes de guerra, instalando em Haia um tribunal internacional semelhante ao de Nuremberg, mas sem o dotar dos meios necessários e suficientes para a detenção dos responsáveis, que se sabia serem grandes figuras de Estado, como generais e chefes de governo; os resultados obtidos por este tribunal até ao momento das eleições foram bem irrisórios, pois só conseguiu iniciar procedimentos judiciais contra elementos da base da cadeia de comando, cuja responsabilidade é diminuta. Por esse motivo, prevaleceu na opinião pública um grande ceticismo quanto à eficácia dos mecanismos de punição dos criminosos de #guerra.
Fonte: Wordpress e https://www.facebook.com/470757176305577/photos/a.470768346304460.98791.470757176305577/615192695195357/?type=3&src=https%3A%2F%2Ffbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net%2Fhphotos-ak-ash3%2Ft1%2F1900151_615192695195357_1158966131_n.jpg&size=531%2C480&fbid=615192695195357
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
O funk ostentação, a “nova classe média” e a luta de classes no Brasil
Fonte:
http://capitalismoemdesencanto.wordpress.com/2014/02/20/o-funk-ostentacao-a-nova-classe-media-e-a-luta-de-classes-no-brasil/
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O funk ostentação, a “nova classe média” e a luta de classes no Brasil
Já faz algum tempo que o funk não é mais uma “grande descoberta” ou uma “grande novidade” a ser apreciada pela classe média e pela rede Globo com um sabor de exotismo. Ainda assim, não custa lembrar que desde o seu surgimento (em fins dos anos 1980) o funk era encarado pelos setores dominantes da sociedade de forma preconceituosa que contribuía para a criminalização de seus apreciadores, os funkeiros. A preocupação em coibir o consumo de drogas nos bailes e a prática do “corredor” (Lado A X Lado B), levou, em 1998, à formação da CPI do funk na ALERJ, com o objetivo de apurar a incitação à violência e o suposto envolvimento entre os donos das equipes de som e traficantes de drogas. Estudava-se a possibilidade de proibir a realização dos bailes. No entanto, essas e outras tentativas de disciplinar o funk e os funkeiros não impediram que o ritmo fosse aceito e reproduzido em massa para outros segmentos sociais.
Desde quando o ritmo se consolidou como uma manifestação cultural criada pela/para juventude da classe trabalhadora carioca (que habitava as periferias e as favelas do Grande Rio), o mercado, que envolvia apenas algumas equipes de som (e seus técnicos), alguns DJ`s e poucos Mc’s, cresceu imensamente e, hoje, envolve produtoras de videoclipes e emissoras de rádio e de televisão, por exemplo. Essa expansão mercadológica contribuiu para que o funk se nacionalizasse, ultrapassando os limites do Rio de Janeiro, entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000. Até aí, o estado do Rio era praticamente o único centro criador e difusor de novas tendências estéticas. No entanto, a partir da segunda metade dos anos 2000, o funk também passou a ser produzido com fôlego nas periferias de São Paulo, de onde surgiu a última inovação estética, conhecida como ostentação.
Essa nova vertente chegou ao Rio em 2012 e, desde então, vem conquistando um espaço importante no cenário carioca, influenciando tanto a temática de suas letras, quanto o visual e o comportamento dos Mc’s. Partindo do princípio de que qualquer tipo de manifestação cultural seja fundamental para entender os valores, as contradições e os conflitos de qualquer sociedade, este texto tem como objetivo analisar essa nova estética do funk e tentar compreender de que forma as relações aí representadas se associam às questões que permeiam a sociedade brasileira.
Na primeira metade dos anos 1990, as letras do funk carioca abordavam temas como a desigualdade social, o racismo, a violência e a criminalização da pobreza. A batida (produzida em baterias eletrônicas) era diferente daquela que se ouvia em São Paulo com os Racionais, e o flow (o “encaixe” das rimas na batida) dos Mc’s cariocas era mais rápido e menos carregado, mas, apesar disso, o som que se produzia no Rio também era chamado de rap. Dessa época, datam o “Rap da Felicidade”, o “Rap do Silva” e o “Rap das Armas”, por exemplo. Nesse período, o Brasil vivia a consolidação do Neoliberalismo, momento em que a inflação elevada, os juros altos e o arrocho salarial aprofundaram as desigualdades sociais e contribuíram para a explosão da violência urbana – reforçada pela falida política de guerra às drogas, que criminaliza a pobreza. Num momento em que a classe trabalhadora tinha um poder de consumo muito baixo (limitando-se, praticamente, aos bens mais necessários) e poucas opções de lazer, os bailes funk realizados nos subúrbios e nas favelas cariocas eram um tipo de divertimento barato e interessante, pois as músicas eram dançantes e, ao mesmo tempo, falavam sobre uma realidade bastante próxima daquela vivida por esses jovens.
Com o sucesso dos bailes entre os jovens da classe trabalhadora, o funk começou a tocar nas emissoras de rádio, que passaram a reservar um horário exclusivo para o ritmo. Na segunda metade da década de 1990, com a influência do freestyle americano, o funk assumiu um caráter mais melódico e as letras passaram a falar, principalmente, de amor. O funk melody – como ficou conhecido – teve grande aceitação do público carioca e viabilizou a inserção do ritmo no mercado das grandes gravadoras, com o lançamento do álbum“Claudinho e Buchecha”, em 1996, pela Universal Music. A dupla de Mc’s participou de programas de TV de grande audiência, o que deu projeção nacional para suas músicas. A partir daí, abriu-se o caminho para que o funk passasse a ocupar um lugar cada vez mais importante na grande mídia e na indústria da cultura.
No entanto, a partir de 1995, o mercado musical brasileiro passou a ser fortemente dominado pelo axé music, proveniente da Bahia. Com letras e coreografias extremamente sensualizadas, o axé batia recordes de vendas e tinha um espaço considerável na mídia. Por conta disso, o funk, que começava a se nacionalizar, acabou sendo deixado de lado pelas grandes gravadoras. O funk retornou para os limites das favelas cariocas e voltou a cantar os temas que faziam parte da realidade vivida por seus moradores. Os limites impostos à circulação do funk no circuito mainstream contribuíram para que um grande volume de produções circulasse quase que exclusivamente dentro das favelas – excetuando-se aquelas músicas que chegavam a tocar nas rádios. Isso acabou favorecendo o crescimento do estilo proibidão – que não tocava nas rádios oficiais porque exaltava as facções criminosas locais, porque radicalizava a sensualidade trazida pelo axé ou, simplesmente, por ser considerado muito violento.
Após a febre do axé, o funk foi redescoberto pela indústria cultural no início dos anos 2000 – dessa vez, com o Bonde do Tigrão. O ritmo retornava à grande mídia esbanjando sensualidade e duplo sentido em suas letras, o que soava ainda mais intenso com a introdução do som do tamborzão (um sample de som de atabaque ou de sua reprodução em beat box). O Bonde do Tigrão levou o funk de volta à TV, junto com outros artistas que seguiram pela mesma vertente. O funk passou a ser tocado em boates de todo o Brasil e a procura pelos shows dos Mc’s aumentou consideravelmente. Assim, o funk passou a ter uma distribuição mais regular e mais capilarizada para o resto do país, atingindo a uma parcela mais ampla da classe média.
Enquanto o funk se desenvolvia no Rio de Janeiro, em São Paulo o sucesso entre os jovens da periferia ficava por conta do rap. Durante os anos 2000, o rap americano – que era uma das principais referências para o rap paulista – adotou uma estética de ostentação da riqueza, com a exibição de carros e motocicletas de luxo, mulheres, bebidas caras e roupas de grife alcançados pelos rappers. Com a chegada do funk na capital paulista, os jovens que cresceram ouvindo Racionais Mc’s e que viam, agora, o novo comportamento P.I.M.P dos rappers americanos, acabaram criando uma nova tendência para o ritmo, combinando a sonoridade do funk carioca (tamborzão e flow, que já estavam presentes no funk da Baixada Santista) à estética da ostentação. A inspiração, segundo o Mc Boy do Charmes – um dos pioneiros do estilo –, também vinha dos Racionais, principalmente da música “Vida Loka (parte 2)”, na qual Mano Brown fala sobre como a vida deve ser mais confortável dentro de um carro importado.
Na segunda metade dos anos 2000, o funk partiu da Baixada Santista para a Zona Leste da cidade de São Paulo, de onde saíram muitos Mc’s importantes, tais como Mc Lon, Bonde da Juju, Mc Daleste e Mc Guimê (que, atualmente, é o principal nome do funk paulista). Essa vertente já circulava pelas periferias de São Paulo e de outras grandes capitais – como Porto Alegre e Belo Horizonte –, quando despertou o interesse da grande mídia, após oassassinato do Mc Daleste e a onda dos rolezinhos. Vale lembrar que, antes disso, esses Mc’s já tinham um grande público e alguns já faziam mais de 50 shows por mês. Isso porque eles apostaram no lançamento de clipes no YouTube, gravados pela produtora KondZilla. Nos vídeos – que têm mais de um milhão de acessos –, os Mc’s aparecem ostentando os carros, as motos, as joias, as bebidas caras, o dinheiro, as roupas e os acessórios de grife e as mulheres que já conquistaram ou que ainda sonham em conquistar. No Rio, a estética da ostentação chegou em 2012 e já conta com a adesão de alguns Mc’s, como o Menor do Chapa, o Nego do Borel e a Pocahontas, que falam diretamente das marcas e grifes de sua preferência. Mesmo que a maioria dos Mc’s cariocas não tenha aderido a essa temática, ainda assim, a estética da ostentação está cada vez mais presente nos videoclipes gravados pela produtora Tom Produções. Paralelamente a isso, o funk de caráter reivindicatório continuou existindo, mas sem receber, no entanto, a mesma atenção da mídia e da indústria cultural.
O sucesso dessas músicas entre os jovens da classe trabalhadora e a reação de alguns setores da sociedade brasileira a essa nova estética envolvem questões de extrema importância para entendermos a dinâmica da luta de classes no Brasil, principalmente nessa última década. Em primeiro lugar, deve-se destacar que, desde 2002 (com a ascensão do PT ao governo federal), a classe trabalhadora teve seu poder de compra ampliado, decorrente do esforço do governo em fomentar a expansão do mercado interno, adotando políticas de valorização do salário mínimo, de caráter compensatório (Bolsa Família), de estímulo ao crédito, de controle da inflação e da relativa redução dos juros. Isso permitiu que uma parcela significativa da classe trabalhadora tivesse acesso a inúmeros bens e serviços, que antes sequer poderiam ser cobiçados como sonhos de consumo. O aumento da renda dos trabalhadores logo despertou o interesse das grandes corporações que atuam no mercado brasileiro. Muitas empresas encomendaram estudos sobre os hábitos de consumo daqueles que foram classificados como “nova classe média” – que, na verdade, nada mais é do que a antiga classe trabalhadora com o poder de compra ampliado, mas com a mesma dificuldade de acesso a outros elementos definidores de sua inserção social, como educação e assistência médica de qualidade. O efeito das propagandas agressivas (direcionadas especialmente para esse segmento social), a possibilidade de realizar os sonhos de consumo (há muito tempo reprimidos) e de ter acesso aos mesmos bens materiais que a classe média tradicional já ostentava – cuja falta lhes designava uma posição inferior na hierarquia social – também fizeram com que as famílias da classe trabalhadora tivessem acesso a tecnologias importantes como computadores, celulares e uma boa conexão à internet.
A partir desse cenário, passou a ser comum ouvir pessoas da classe média tradicional fazendo comentários recalcados a respeito dos hábitos de consumo daqueles que costumavam ser chamados de “baixa renda”. Muitas madames e muitos “cidadãos de bem” passaram a se incomodar com a perda da exclusividade no consumo de certos bens e serviços. Muitos se indignaram com a suposta falta de visão e de planejamento daqueles que, ao invés de investirem em seus estudos e na sua formação profissional, preferiam comprar um telefone celular de última geração, um carro ou uma roupa de marca. Essa mentalidade preconceituosa veio à tona com muita força no ano de 2013, quando os mesmos jovens das periferias de São Paulo que já curtiam o funk ostentação resolveram sair em grupo para dar um rolé nos shoppings mais próximos de suas comunidades. Mas a tentativa de levar seus modos de vida e seu comportamento para lugares tradicionalmente ocupados pela classe média, levou a grande imprensa a tratar do caso como uma questão policial, afirmando que se tratava de um arrastão (ainda que não tenha sido registrada nenhuma ocorrência de roubo ou de furto). Com a onda dos rolezinhos, o funk ostentação virou assunto midiático, mas foi abordado sob uma ótica preconceituosa, que corroborava a mentalidade elitista manifestada por muitas pessoas da classe média tradicional.
As músicas do Mc Gumiê como “Tá Patrão”, “Plaquês de 100” e “Na Pista Eu Arraso” dão uma boa dimensão de como essa nova vertente do funk retrata os efeitos da fetichização da mercadoria associada ao aumento do poder de consumo da classe trabalhadora. Mas, o clipe do Mc Nego do Borel feito para a música “Diamante da Lama” é aquele que reúne, de forma mais complexa, as contradições sociais debatidas até aqui. Leno Maycon – o Nego – é um jovem morador da favela do Borel, localizada na Zona Norte do Rio, que começou a carreira dançando com o Mc Menor do Chapa, mas que logo resolveu se aventurar na vida de Mc, cantando músicas que, na versão proibida, faziam referência aos traficantes do Comando Vermelho, como “Cheguei no Pistão” e “O Brinquedo Não”. As versões lights dessas músicas tocaram nas rádios e fizeram muito sucesso, principalmente depois da parceria de Nego com o Bonde das Maravilhas. Daí para frente, suas músicas alcançaram um público mais amplo e ele acabou se enveredando pela estética da ostentação, como pode ser percebido nos clipes das músicas “Bonde dos Brabos” e “Os Caras do Momento”, de 2013. O interessante é que, mesmo com toda a ostentação, o discurso de suas músicas não deixa de afirmar o caráter efêmero e artificial do prazer proporcionado pela fruição desses bens, quando ele diz, por exemplo, que “no palco tem um moleque feio/Com o bolso cheio de dinheiro/Chamado de Leno Maycon/Conhecido como MC Nego” ou que “as mulheres que eu pego/São mulher do meu bolso/Faz amor comigo/Pede pra tirar foto com o meu ouro”. Em “Quero Usufruir”, ele afirma diretamente que seu sucesso e seus fãs são passageiros.
O clipe de “Diamante da Lama” foi lançado em janeiro desse ano – mais uma vez em parceria com a Tom Produções. Nesse clipe, Nego conta sua trajetória de vida, com o objetivo exaltar sua atual condição financeira. O título faz referência à letra de “Negro Drama”, música em que os Racionais Mc’s expressaram com visceralidade a opressão cotidiana sofrida pelos jovens negros moradores das periferias brasileiras – discriminados por sua cor e por sua condição social, mas que são, ao mesmo tempo, seduzidos pelas propagandas de um estilo de vida idolatrado e pelo exemplo relativamente exitoso daqueles que optaram pela vida no crime. O vídeo procura mostrar com humor e leveza essas mesmas contradições apontadas por Edy Rock e Mano Brown, mas, ao fazer isso partindo da lógica da ostentação, provoca uma sensação angustiante. No clipe, Nego assume sua origem humilde e as dificuldades que passou durante sua infância, quando não tinha nem a chuteira para tentar a sorte jogando futebol. Em seguida, ele aparece de branco, agradecendo a Deus por ter sido escolhido, entre muitos outros, para fazer sucesso – o que também pode ser entendido como uma forma de tentar se redimir pelos proibidões que cantou. Além de narrar as privações materiais por que passou, Nego também fala sobre ter sido rejeitado pelas meninas que cobiçava e que não lhe davam atenção, pelo fato de ser negro e pobre – e que, hoje, dançam ao som de suas músicas e se insinuam para ele. Depois, ele mostra como está bem de vida e cercado por tudo aquilo com que sempre sonhou, inclusive mulheres com “cabelo que voa”.
Como já foi dito, o funk ostentação revela a ânsia da classe trabalhadora de se sentir próxima, ainda que simbolicamente, do estilo de vida que sempre lhe foi vendido como ideal, mas que sempre lhe foi negado. Não restam dúvidas de que essa exaltação do consumo contribui para a fetichização da mercadoria e, como consequência disso, para a reprodução da lógica de funcionamento do sistema em que vivemos hoje. Mas não podemos ignorar que a exaltação do aumento do poder de consumo de quem, até pouco tempo, mal conseguia garantir o mínimo necessário a sua sobrevivência, também é uma forma encontrada pela classe trabalhadora de produzir juízos sobre seu lugar na sociedade. É claro que eu gostaria de ouvir letras de funk que falassem sobre a exploração de classe e que denunciassem as condições precárias em que vivem a maioria dos trabalhadores brasileiros, mas creio que seja contraditório exigir desses artistas um grau de conscientização social pré-determinado, sem que lhes seja oferecida a possibilidade dessa conscientização. Os preconceitos, as contradições sociais e as várias formas de opressão que aparecem no funk – de todas as tendências – refletem, apenas, aquilo que já está presente em todas as relações sociais do nosso cotidiano. Ignorar o funk não vai resolver. Não quero dizer, com isso, que devemos aceitar como natural a reprodução da ideologia dominante em suas letras. Mas acredito que a luta contra a hegemonia dominante não deve desprezar nenhuma via que ainda esteja em disputa e nem deve reproduzir a mesma opressão que está sendo combatida.
Quadrinhos sobre Natureza e Sociedade
1- Fazer uma lista com semelhanças e diferenças no tratamento médico.
2- Por que o tratamento médico é diferenciado? Relacione com as sociedades.
3- Qual é o melhor tratamento médico? Relacione com as sociedades.
1) Nos dois últimos quadrinhos é possível notar o efeito do humor no comentário da mãe, pois ela:
a) acreditou que a caça pode vir em bifes.
b) descobriu que o filho havia comprado os bifes no mercado.
c) ficou com pena do filho por não ter caçado os filhotinhos.
d) resolveu comprar bifes no armazém da cidade.
2) O uso do ponto de exclamação nos quadrinhos 11 e 12 indicam que o indiozinho está:
a) indeciso sobre o que fazer para levar comida para casa
b) decidido a não matar bichinhos simpáticos e filhotes.
c) resolvido a não atirar flechas nesses dia.
d) feliz por não conseguir levar o almoço para casa.
2- Por que o tratamento médico é diferenciado? Relacione com as sociedades.
3- Qual é o melhor tratamento médico? Relacione com as sociedades.
1) Nos dois últimos quadrinhos é possível notar o efeito do humor no comentário da mãe, pois ela:
a) acreditou que a caça pode vir em bifes.
b) descobriu que o filho havia comprado os bifes no mercado.
c) ficou com pena do filho por não ter caçado os filhotinhos.
d) resolveu comprar bifes no armazém da cidade.
2) O uso do ponto de exclamação nos quadrinhos 11 e 12 indicam que o indiozinho está:
a) indeciso sobre o que fazer para levar comida para casa
b) decidido a não matar bichinhos simpáticos e filhotes.
c) resolvido a não atirar flechas nesses dia.
d) feliz por não conseguir levar o almoço para casa.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Textos para o jornal da subsede da APEOESP-TABOÃO
repasso textos que fiz para o jornal da subsede da APEOESP-TABOÃO de janeiro de 2014.
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SOBRE
FALTAS MÉDICAS
As alterações na Resolução 8 relativo à Lei 1041 é altamente negativa
para a categoria, pois o professor somente terá direito à “falta médica
parcial” se ele tiver uma jornada completa/integral (32 aulas), senão será
considerada falta do dia inteiro.
SOBRE A
SAÚDE NO TABOÃO DA SERRA E EMBU DAS ARTES
Durante o
ano de 2013, a APEOESP (subsede Taboão da Serra) esteve
junto de algumas lutas por uma saúde de qualidade nos municípios de Taboão da
Serra e Embu das Artes.
No dia 7 de Março de 2013, apoiou-se os protestos por
melhorias no Pronto Socorro do Antena em Taboão da Serra, que sofre com a falta
de médicos enfermeiros, funcionários, medicamentos e o atraso no pagamento dos
salários de alguns funcionários. Defendeu-se também o rompimento imediato
do contrato da prefeitura de Taboão da Serra com a IACTA Saúde que administra o
Antena.
No dia 12 de
novembro de 2013, apoiou-se os atos em defesa da qualidade do atendimento no Pronto
Socorro do
Vazame, no município de Embu das Artes. Este OS sofre pela falta de uma boa
infra-estrutura (cadeiras, ventiladores, portas quebradas, falta de macas),
problemas de higiene (problema de lixo acumulado) e a falta de médicos.
A APEOESP (subsede Taboão da Serra) entende que não se deve
defender um maior número de convênios particulares do IANSPE nas clínicas
particulares localizadas no município de Taboão da Serra. A defesa é contra a
privatização da saúde pública, por uma saúde pública de qualidade no Taboão da
Serra e pela construção de um Hospital do Servidor Público do IANSPE no
município de Taboão da Serra.
QUESTÃO DAS TERCEIRIZAÇÕES
A terceirização nas escolas da rede estadual de
São Paulo já é um fato lamentável, refletindo uma postura neoliberal de “Estado
Mínimo” dos governos tucanos para o serviço público.
Esta terceirização já está em serviços de
limpeza, merenda, etc e pode estar chegando agora aos professores.
A PL 4330 é um forte ataque à categoria e devemos
lutar para que isso não ocorra. Esta é uma PL do deputado federal Sandro Mabel
(PMDB) que quer aumentar a precarização, geraria mais terceirização nas
escolas, tirando ainda mais a autonomia da escola. Esta definiria com que
empresas contratassem professores pelo regime temporário e precário de CLT.
No começo
do ano letivo de 2013, percebemos um aumento das terceirizações nas escolas
estaduais da região de Taboão da Serra, que avançou enormemente na parte de
alimentação/merenda. Isto ocorreu, muitas vezes, sem aprovação em conselhos de
escolas, ou seja, pela imposição de diretores (as) de escolas. Estas empresas
terceirizadas impuseram fortes mudanças em escolas, mudando o horário da janta
no período noturno para não pagar “adicional noturno” para seus funcionários,
que fazem desgastantes e extensas jornadas de trabalho.
A APEOESP (subsede Taboão da Serra) fez um
levantamento destas escolas com estes problemas de terceirização na merenda e
fez uma reunião com as supervisoras de ensino da Diretoria de Ensino do Taboão
da Serra.
A APEOESP (subsede Taboão da Serra) é contra a
terceirização do setor público, defendendo como premissa principal a educação
pública de qualidade e a
contratação de funcionários por concurso público.
QUESTÃO JURÍDICA
A APEOESP (subsede Taboão da Serra) auxilia os professores em diversas
ações jurídicas e todas as quintas-feiras o advogado do sindicato, Dr
Valdir, faz plantões no sindicato para os seus sócios.
Entre os processos defendidos pela APEOESP (subsede Taboão da Serra),
destaca-se os de: ações da GAM, bônus ao aposentado, quinquênio, 6ª
parte, mudança de categoria (do L e O para F), etc.
Destacamos também que o STF deu
parecer favorável aos trabalhadores em relação ao processo de
transição/conversão da URV para o Real.
SOBRE O PLC 34/13
O Projeto de Lei Complementar (PLC)
34/13 foi sancionado pelo governador Geraldo Alckmin no dia 31/10/2013 e define
algumas coisas importantes para a categoria de professores da rede estadual de
ensino de São Paulo, sendo uma conquista do movimento grevista de 2013. Esta
PLC alterará
a Lei Complementar 1093/2009, que
trata das contratações temporárias de professores e prevê:
o fim da prova obrigatória ao professor Categoria F; a mudança do caráter da
prova do professor Categoria O (de eliminatória para classificatória); a mudança na
duzentena do professor Categoria O de 200 dias para 40 dias; o fim da exigência
de 12 meses de “efetivo exercício” para a aquisição do “direito de férias” para
o professor Categoria O (modificando para apenas “exercício”); e a supressão do
termo "efetivo" no inciso II do artigo 12 da Lei Complementar 1093/2009, relativo
às férias dos temporários (com a retirada da expressão, uma única ausência não
mais impedirá a fruição de férias a que tem direito o professor contratado).
Entretanto,
muitas lutas ainda deverão ser travadas pela categoria de professores no ano de
2014. Lutaremos pela aprovação do PL que garante o direito ao atendimento
médico à todos os professores no IANSPE; a reposição de todas as perdas
salariais (dando um aumento real para o vergonhoso salário); a luta por um
plano de carreiro justo; a implementação da jornada da Lei do Piso; etc.
Wladimir
Jansen Ferreira (professor de geografia da EE Profª Maria Apparecida Nigro Gava)
SOBRE o CONCURSO para PROFESSORES da REDE ESTADUAL em 2013
repasso texto que fiz para o jornal da subsede da APEOESP-TABOÃO de janeiro de 2014.
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SOBRE O CONCURSO PARA PROFESSORES DA REDE ESTADUAL EM 2013
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SOBRE O CONCURSO PARA PROFESSORES DA REDE ESTADUAL EM 2013
Wladimir
Jansen Ferreira (professor de geografia da EE Profª Maria Apparecida Nigro Gava)
Dezembro de 2013
Atualmente temos
cerca de 200 mil professores na rede de ensino estadual de São Paulo, onde
somente metade deste total é efetiva e a outra metade se divide em OFA’s (de F
a O), que não possuem os mesmos direitos dos professores efetivos e muitos
estão em situação de precarização do trabalho (sobretudo nos professores
“Categoria O”).
Ao invés do governo
estadual realizar um grande concurso para a superação desta contradição, no dia
17 de novembro de 2013 cerca 320
mil professores/as realizaram o concurso para
professor (a) da rede estadual de ensino de São Paulo, mas este efetivará somente
59 mil professores (sendo teoricamente 20 mil em janeiro de 2014).
Muitas outras
contradições estiveram presentes durante a construção deste concurso, começando
pela polêmica do “ponto para tempo de trabalho” (quem trabalharia 20 anos
receberá o mesmo 1 ponto de quem está na rede somente 2 anos), ou na mudança da
bibliografia em cima da hora (sendo que várias
questões se referem a autores e obras que não constam da bibliografia do
concurso, ao mesmo tempo em que autores e obras exigidos na bibliografia não
foram utilizados), etc.
Foi revoltante a
total conivência da direção majoritária da APEOESP com o governo estadual. A
“presidenta” Bebel só falou do concurso como uma “grande conquista” do
sindicato, visando apenas a sua autopromoção. Nenhuma palavra foi dita para
criticar o caráter meritocrático, elitista e excludente deste concurso, bem
como de todas as provas, provinhas e provões que vem sendo feitos pela
secretaria de educação. Nenhum esclarecimento foi feito à categoria sobre a
mentira das 59 mil vagas, propaganda enganosa da dupla anti-educação
Alckmin/Hermann, que nunca pretenderam acabar com a precarização do trabalho na
rede pública de ensino.
Durante a realização
da prova do concurso, muitas outras irregularidades ocorreram,
principalmente pela incompetência da organizadora do concurso, a Fundação
Getúlio Vargas (FGV). A FGV realizou provas totalmente fora da realidade do
professor, com questões mal elaboradas, tendo respostas ambíguas e muitas
falhas durante a aplicação.
Inúmeras
questões da prova pedagógica e das provas específicas foram questionadas, fato
que obrigou a FGV retificar o gabarito da prova específica de Língua Portuguesa
(corrigindo as respostas de 14 questões, o que equivale a 47% do total de 30
questões da prova), além de anular questões e mudar a resposta de algumas
questões da prova pedagógica. As questões, principalmente das provas
específicas, foram formuladas com textos enormes e dúbios, sem objetividade, de
uma complexidade tecnicista que visava claramente induzir os concursantes ao
erro. Nas provas de disciplinas como Matemática, Química e Física, não havia
tempo humanamente viável para realizar os cálculos necessários, além de não
haver espaço no caderno de questões para fazer contas, sendo que não era
permitido levar papel para rascunho, nem lápis ou borracha. Ou seja, a FGV
preparou uma verdadeira “cama de gato” para dificultar a vida de todos!
A
estes erros e problemas na formulação das provas, acrescentam-se
irregularidades que comprometem a lisura do concurso. O mais flagrante ocorreu
em Taboão da Serra, em que faltaram provas de Inglês para 69 professores na EE
Profª Maria Apparecida Nigro Gava, pois a FGV trocou as provas de inglês
por educação física, atrasando o início da realização
desta prova (que estava prevista para as 14h, mas começou às 15h57min).
Neste intervalo de 2h
tudo aconteceu: os professores mexeram em celulares, uma funcionária da FGV
recebeu a prova de Inglês por e-mail, a prova de Inglês foi impressa na escola,
a coordenadora da FGV tentou induzir aos concursando que desistissem de fazer a
prova (assinassem um documento de desistência do concurso, revoltando os
professores), etc. Muitos
professores ficaram abalados psicologicamente e certamente afetou nos seus
rendimentos da prova.
Em virtude deste erro, a FGV teve
que recolher provas de inglês que sobraram das escolas vizinhas. Entretanto, a
quantidade recolhida não foi suficiente e 32 provas tiveram que ser
fotocopiadas (sendo que a FGV enviou por e-mail o
caderno da prova para que fosse xerocado).
Entretanto, os erros não
acabaram aqui, pois houve dois tipos de provas de inglês (“verde” e “branca”) e
a FGV encaminhou a prova de cor “branca” para o e-mail de
sua representante, Illen Nara Rodrigues, que providenciou estas 32
cópias na própria escola. Com essas fotocópias e as duas horas de atraso, o
sigilo da prova foi para o espaço.
Apesar das cópias feitas na
escola serem da prova de cor “branca”, muitos professores (as) foram obrigados
a anotar as suas respostas no gabarito da prova de cor “verde”. Há o risco de
estes professores serem prejudicados no momento da correção, pois os gabaritos
das provas de cor “verde” e “branca” não são os mesmos.
Ao saber deste ocorrido, o
Coordenador da Subsede da APEOESP de Taboão da Serra, Miguel Leme, junto com o
advogado do sindicato, Dr Valdir, se dirigiram imediatamente para a escola para
cobrar explicações dos representantes da FGV sobre esse desrespeito e exigir
que nenhum professor seja prejudicado. A justificativa dada pela FGV foi
esfarrapada: disseram, simplesmente, que houve um problema de “logística”.
Diante de toda esta situação,
a Subsede da APEOESP de Taboão da Serra orientou, na porta da escola, todos os
69 professores (as) a fazerem Boletim de Ocorrência (BO) e protocolar
requerimento na Diretoria Regional de Ensino de Taboão da Serra exigindo
explicações da Secretaria Estadual de Educação sobre todos esses problemas
descritos. Estes procedimentos são importantes, pois caso seja necessário,
ações judiciais serão ajuizadas para garantir os direitos destes professores
(as) que foram prejudicados (as).
Estes
fatos comprometeram irremediavelmente o sigilo das provas e levantam suspeitas
quanto aos procedimentos adotados pela FGV no concurso em todo o estado. Isto é
revoltante e inadmissível, só vendo aumentar a sensação de humilhação e
desrespeito a que somos submetidos cotidianamente pela secretaria de Educação e
pelo governo Alckmin.
Por
enquanto a FGV não se posicionou sobre as anulações das provas específicas e o
governo estadual não se posicionou frente às trapalhadas da FGV.
Após
vários dias da realização do concurso e das inúmeras denúncias de
irregularidades, a direção majoritária da APEOESP ainda não se posicionou ao
lado dos professores.
Os
milhares de professores que se encontram prejudicados pelo concurso da FGV/SEE
tem que entrar em luta para exigir que sua formação e sua experiência de
trabalho sejam respeitados:
-
Pela valorização do tempo de trabalho dos professores e professoras: que 50% do
valor da pontuação final sejam relativos ao tempo de trabalho em sala de aula.
-
Por um concurso bem elaborado que efetive pelo menos 100 mil professores na
rede estadual de São Paulo!
-
Pela apuração das irregularidades e anulação deste concurso!
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