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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Continentes e Oceanos - texto e mapa

- O Planeta Terra possui cerca de: 3/4 de água (71%) e 1/4 de terras emersas (29%).
- O Hemisfério Norte possui 40% de terras emersas e 60% de água.
- O Hemisfério Sul possui 19% de terras emersas e 81% de água.



- Destes 29% de terras emersas no Planeta Terra = 15% é deserto e terra gelada, 7% de florestas boreais e tropicais e somente 7% é modificada pelo homem, sendo uma participação muito pequena.
- As terras emersas se dividem em ilhas e em 6 continentes (Oceania, Antártida, América, África, Ásia e Europa).



- Dos 71% de água = somente 2,06% é de água doce e 97,04% é água salgada.
- Somente 0,01% da água doce serve para aproveitamento humano.
- Água doce são = rios, lagos, geleiras e água subterrânea/lençol freático.
- Água Salgada são 5 oceanos (Pacífico, Atlântico, Índico, Glacial Ártico e Glacial Antártico) e mares (que podem ser aberto/costeiro, interior/continental ou fechado/isolado).


Fonte: FISCHESSER; B., DUPUIS-TATE, M.F., 1996: Organização Andrea C. Panizza, 2010, p.58.




Atividade com Mapa do Brasil

Pinte o mapa das regiões brasileiras e responda as perguntas a seguir :




a) A única região que não banhada pelo mar é a ___________________.

b) A região com o maior número de estados é a ______________________.

c) As regiões com o menor número de estados são as_______________ e _________________.

d) O Brasil está localizado no continente____________________________.

e) A região ______________ apresenta limites com todas as demais regiões brasileiras.

f) A única região cortada pela linha do Equador é a __________________.

g) Quase toda a região _____ situa-se ao sul do Trópico de Capricórnio.

h) O oceano que banha o Brasil é o ________________.

i) Os 2 paralelos que corta o Brasil são _______________________e____________________________.

j) Os 2 países da América do Sul que não fazem fronteira com o Brasil são _______________________e____________________________.

k) A região que possui o estado aonde você mora é a ______________.

l) A região aonde se localiza Brasília (DF) é a__________________.

m) A região com maior área (território) é a ___________________________.

n) A região com menor área (território) é a ___________________________.

o) O Brasil está localizado no Hemisfério Norte ou Sul (ou nos dois)? _________________________.

p) O Brasil está localizado no Hemisfério Leste/Oriente ou Oeste/Ocidente? __________________.

q) As regiões que não apresentam fronteiras com países estrangeiros são a ______________________e________________________.


Sistema Solar - atividades e desenhos


  Sistema Solar - caça palavras


 Sistema Solar - tamanho proporcional

 Sistema Solar - planetas

Abastecimento de água em São Paulo

Como funciona o abastecimento de água em São Paulo:







Como é Usada a Água na Grande São Paulo





Sistema Cantareira -1




Sistema Cantareira -2
Fontehttp://www.carosamigos.com.br/index.php/cotidiano-2/3970-ma-gestao-leva-a-pior-crise-de-agua-da-sabesp




Sub-Bacias do Alto Tietê





Sub-Bacias do Alto Tietê

Atividade com Mapa - Bacia Hidrográficas Brasileiras

Atividade com Mapa sobre as Bacia Hidrográficas do Brasil.




sábado, 19 de abril de 2014

Mapas da Criméia - Rússia e Ucrânia

 Composição Étnica da População da Criméia
Fonte: http://rus.ruvr.ru/images/static/allbanners/etnokrimport.jpg







Formação do Território da Ucrânia Atual
Fonte: http://rus.ruvr.ru/images/static/infographycs/ukr_por.jpg






História da Criméia: http://portuguese.ruvr.ru/krim/

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Igreja Católica, a Bíblia e a Escravidão

A Igreja Católica, a Bíblia e a Escravidão

Wladimir Jansen Ferreira

A igreja Católica, na transição do Feudalismo para o Capitalismo, influenciou negativamente na reprodução de uma visão racista em relação aos negros africanos. Em meados dos anos 1500, muitos membros do Vaticano formulariam uma tese de que “todo negro seria descendente de Cam (filho de Noé), que teria desrespeitado o seu pai, recebendo uma “marca” e sendo amaldiçoado”: “Que ele seja o último dos escravos de seus irmãos” (Gênesis, 9: 5-27).
Muitos defensores da escravidão de negros africanos utilizaram a passagem bíblica do “pecado e zombaria de Cam (filho de Noé)” para justificar a escravidão no mundo. Entretanto, houve uma “leitura errada” de algumas pessoas durante muitos séculos (sobretudo no período escravista entre os séculos XVI e XIX). Além do mais, é imperdoável qualquer tipo de escravidão, sendo esta, destinada aos “cananeus” e não aos negros africanos.
Vamos à história bíblica. Cam e seu filho Canaã (em Genesis, Capítulo IX, versículos 21 a 27) teriam visto Noé bêbado e desmaiado despido no chão, zombando-o e chamando outros irmãos para verem a cena (sendo que Sem Jafé cobriram o pai). Quando Noé acorda, profetizaria bênçãos e maldições sobre os seus três filhos baseado nos acontecimentos. Teoricamente Noé teria amaldiçoado somente Canaã pelo desrespeito (algumas teses falam em tendências homossexuais dos dois e de incesto de Cam com sua mãe) e não teria amaldiçoado os outros filhos de Cam (Cuxe e Pute, que se tornariam os ancestrais dos etíopes e dos povos negros da África). Isto significa que os cananeus da Palestina (que seriam “notáveis por sua corrupção sexual”) deveriam ser escravos dos semitas (linhagem judaica) e dos jafetitas (povos indo-europeus). Segundo a posição de vários biblistas e historiadores, os canaanitas foram totalmente extintos.
Esta história bíblica do Antigo Testamento foi arbitrariamente aplicada à África Negra, e utilizada como instrumento para justificar a escravidão e os preconceitos raciais. Alguns escravagistas chegaram ao absurdo de sugerir que Deus ordenou a escravidão da raça negra e indígena como veremos abaixo.
A maldição de Cam foi usada por alguns membros de religiões abraâmicas (judaísmo, o cristianismo e o islamismo) para justificar o racismo e a escravidão eterna de negros africanos, quem acreditavam ser descendentes de Cam[1]. Nos Estados Unidos, muitos escravagistas invocaram consistentemente este relato da Bíblia ao longo do século 19 em resposta ao crescimento do movimento abolicionista[2]. Os Portugueses consideravam os negros descendentes de Cam e a sua cor era o sinal da maldição e justificava a escravidão[3]. No Brasil, a maldição de Cam serviu de justificativa para escravizar os índios, tendo missionário da Ordem de São Pedro João de Sousa Ferreira afirmado "Não há lei divina nem humana que proíba a possessão de escravos" e continuou "(e os índios brasileiros) são da descendência da maldição de Ham"[4].
Neste sentido, segundo ADAS (1993), no século XVI, o frei Bartolomeu de Las Casas era um denunciador das atrocidades a que eram submetidas os indígenas no continente americano, sugerindo à cora espanhola em 1517 que não escravizassem os indígenas, mas que importassem negros africanos para servir como mão-de-obra nas terras americanas. Em 1518, a coroa espanhola realizou o primeiro contrato para o tráfico de escravos africanos da história. Apesar do frei Bartolomeu de Las Casas ter se arrependido de sua “sugestão”, esta foi uma demonstração de como as elites daquela época já eram racistas.
Segundo RIBEIRO (1995, p. 39-40), o Vaticano estabeleceu as normas básicas de ação colonizadora ao justificar a exploração europeia contra os “pagãos”. Isto pode ser verificado na bula Romanus Pontifexde de janeiro
 de1454,do papa Nicolau V:


Não sem grande alegria chegou ao nosso conhecimento que nosso dileto filho infante D. Henrique, incendido no ardor da fé e zelo da salvação das almas, se esforça por fazer conhecer e venerar em todo o orbe o nome gloriosíssimo de Deus, reduzindo à sua fé não só os sarracenos, inimigos dela, como também quaisquer outros infiéis.
Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos foram trazidos ao reino, o que esperam os progrida até a conversão do povo ou ao menos de muitos mais. Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação, concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar, subjugar a quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo praticar em utilidade própria e dos seus descendentes. Tudo declaramos pertencer de direito in perpetum aos mesmos D. Afonso e seus sucessores, e ao infante. Se alguém, individuo ou coletividade, infringir essas determinações, seja excomungado [...] (in Baião 1939:36-7)


RIBEIRO (1995, p. 40), mostra que o Vaticano nbula Inter Coetera,
 de de maio de 1493, também legitimará a escravidão dos nativos indígenas da América pela Espanha e Portugal:
[...] por nossa mera liberalidade, e de ciência certa, e em razão da plenitude do poder Apostólico, todas ilhas e terras firmes achadas e por achar, descobertas ou por descobrir, para o Ocidente e o Meio-Dia, fazendo e construindo uma linha desde o pólo Ártico [...] quer sejam terras firmes e ilhas encontradas e por encontrar em direção à Índia, ou em direção a qualquer parte, a qual linha diste de qualquer das ilhas que vulgarmente são chamadas de Açores e Cabo Verde cem léguas para o Ocidente e o Meio-Dia [...] A Vós e a vossos herdeiros e sucessores (reis de Castela e Leão) pela autoridade do Deus onipotente a nós concedida em S. Pedro, assim como do vicariado de Jesus Cristo, a qual exercemos na terra, para sempre, no teor das presentes, vô-las doamos, concedemos e entregamos com todos os seus domínios, cidades, fortalezas, lugares, vilas, direitos, jurisdições e todas as pertenças. E a vós e aos sobreditos herdeiros e sucessores, vos fazemos, constituímos e deputamos por senhores das mesmas, com pleno, livre e onímodo poder, autoridade e jurisdição. [...] sujeitar a vós, por favor da Divina Clemência, as terras firmes e ilhas sobreditas, e os moradores e habitantes dela, e reduzi-los à Fé Católica [...] (in Macedo Soares, 1939: 25-8).

Esta passagem da BÍBLIA (2010, p. 88) também legitima a escravidão de povos:
O escravo ou a escrava que tiveres virão das nações que vos cercam. Deles podereis comprar escravos e escravas. Podereis também comprá-los entre os filhos dos estrangeiros que vivem convosco, nascidos no país, ou entre as famílias que moram convosco. Serão propriedade vossa, e podereis deixá-los como propriedade hereditária aos vossos filhos. Deles sempre podereis servir-vos como escravos, mas quantos aos vossos irmãos israelitas, ninguém domine com dureza o irmão. (in Levítico 25:44-46)


           A Igreja Católica contribuiu negativamente para a reprodução da escravidão. Apesar de muitos setores da Igreja Católica terem lutado contrariamente à escravidão (caso dos jesuítas que fizeram as "missões" na América Latina), em contra partida estava o aculturamento dos indígenas e a imposição de valores ocidentais-cristãos aos "primitivos indígenas".
O jesuíta José de Anchieta no poema épico "De gestis Mendi de Saa" descreve os índios como "lobos vorazes, furiosos cães e cruéis leões que nutriam o ávido ventre com carnes humanas". Estes índios "selvagens e animalescos" abandonaram Deus e precisavam ser catequizados para escaparem "das garras de Satanás". A gramática que Anchieta fez da língua geral se tornou uma ferramenta eficaz para aculturar os indígenas e impor a cultura europeia. Suas peças de teatro, de caráter pedagógico, encenadas pelos índios catequizados, classificaram como "demônios" os personagens da mitologia tupi, condenando o fumo, a medicina indígena, as malocas coletivas, o cauim e os rituais.
Anchieta foi um fiel servidor do sistema colonial, um “agente do Estado português”. Em uma de suas famosas carta (publicadas em agosto de 1980 pelo Porantim, jornal do Conselho Indigenista Missionário, o CIMI), Anchieta trata os Tupinambás como "inimigos carniceiros" e se rejubila por haver conseguido jogar os índios uns contra os outros nos conflitos entre portugueses e franceses:
E foi coisa maravilhosa que se achavam e encontravam a flechadas irmãos com irmãos, primos com primos, sobrinhos com tios e mais ainda dois filhos que eram cristãos e estavam do nosso lado contra seu pai que estava contra nós.

 Outro jesuíta, o padre Antônio Vieira, defendeu a catequese como única via para transformar o "índio bárbaro” em “civilizado”:
É uma pedra, como dizeis, o índio rude? Pois trabalhai e continuai com ele. Aplicai o cinzel um dia e outro dia; dai uma martelada e outra martelada e vereis como dessa pedra tosca e informe fazeis não só um homem senão um cristão e pode ser um santo.

      Portanto, a Igreja Católica tem muito que se retratar por ter se calado, consentido e apoiado a escravidão em vários momentos da história, sendo mais um momento vergonhoso desta instituição religiosa.






[1] Daly, John Patrick When Slavery Was Called Freedom: Evangelicalism, Proslavery, and the Causes of the Civil War (Religion in the South The University Press of Kentucky (31 Oct 2004) ISBN 978-0813190938 p.37) e Taslitz, Andrew E. Reconstructing the Fourth Amendment: a history of search and seizure, 1789-1868 New York University Press (15 Oct 2006) ISBN 978-0814782637 p.99.
[2] Sylvester A. Johnson. The myth of Ham in nineteenth-century American Christianity: race, heathens, and the people of God. [S.l.]: Macmillan, 2004. p. 37. ISBN 9781403965622.
[3] HISTÓRICA - Revista Eletrônica do Arquivo do Estado. historica.arquivoestado.sp.gov.br. Página visitada em 4 de dezembro de 2010.
[4] John Hemming,Carlos Eugênio Marcondes de MouraOuro Vermelho:A Conquista dos Índios Brasileiros. S.l.: s.n..

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Charge 50 anos do Golpe de 1964 na Periferia




Charge 50 anos do Golpe de 1964 na Periferia

ANCHIETA, o SANTO do PAU OCO

http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1081

ANCHIETA, O SANTO DO PAU OCO
José Ribamar Bessa Freire
06/04/2014 - Diário do Amazonas


Que Nhanderu me perdoe, mas não consigo me alegrar com a canonização de Anchieta decretada na quinta-feira pelo Papa Francisco. Enquanto a cerimônia era celebrada lá no Vaticano, aqui no Brasil os sinos das igrejas bimbalhavam festivamente, sem que as badaladas tocassem meu coração. Bem que me esforcei para compartilhar o júbilo de meus compatriotas com "o terceiro santo do Brasil". Inutilmente.
A incapacidade de participar da comunhão nacional gera um angustiante sentimento de exclusão. Já havia acontecido comigo na morte de Tancredo Neves espetacularizada pela mídia. O Brasil inteiro em prantos e eu, de olhos secos, coração endurecido. Só chorei a morte de Ulisses Guimarães, o homem que enfrentou os cães da polícia e que tinha nojo da ditadura.
Mas por que não festejar o novo santo? Porque creio que ele é do pau oco. A expressão usada aqui como metáfora não pretende desrespeitar a fé de ninguém. Acontece que para alguém ser santo, precisa comprovar pelo menos dois milagres. Anchieta foi dispensado disso pelo 'poder de chave' do Papa que usou o sensus fidelis, isto é, o sentimento dos fiéis, entre os quais estão minhas nove irmãs. Porém, como a sabedoria popular já comprovou que santo de casa não faz milagre, não é por isso que ele é do pau oco. É por causa do contrabando, do que está por trás da canonização.
Santo do pau oco - nos ensina Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro - se refere às "imagens de santos, esculpidas em madeira, que eram ocas e vinham de Portugal cheias de dinheiro falso". Essas estátuas, de diversos tamanhos, serviam também para contrabandear ouro e pedras preciosas. Sendo o poder da religião incomensurável, os fiscais não tinham coragem de abrir o santo para checar a muamba que continha. Se é assim, cabe perguntar: qual é o contrabando trazido de Roma com a canonização de Anchieta?
Devagar com o andor
É preciso abrir a imagem do novo santo para verificar o que ela esconde em seu interior. O diretor da Faculdade de Teologia da PUC/SP, padre Valeriano Costa, deu uma pista, quando definiu que a canonização "é uma grande oportunidade para a Igreja cultuar esse santo e se lembrar de alguns dos valores que pregava" (O Globo, 04/04/14). O que se está canonizando com Anchieta, portanto, é o trabalho missionário de catequização, conversão e "civilização" dos povos indígenas.
É disso que se trata. Dentro da imagem do santo, estão os valores da catequese empreendida pelos jesuítas sob os auspícios da Coroa de Portugal. Segundo o historiador Gabriel Bittencourt, autor de um livro sobre Anchieta, ele foi "um homem que soube lidar de forma diplomática com os índios, aprendeu o tupi-guarani, escreveu a primeira gramática da língua e estudou as crenças para montar peças teatrais que ajudassem os nativos a entender as lições de catecismo".
Onde vais tão apressado, periquito tangedor? Devagar com o andor, que o santo é de barro. Os meios usados por Anchieta nem sempre foram diplomáticos, como comprovam as cartas que ele escreveu, algumas delas publicadas em agosto de 1980 pelo Porantim, jornal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) editado, na época, em Manaus. Numa delas, Anchieta trata os Tupinambá como "inimigos carniceiros" e se rejubila por haver conseguido jogar os índios uns contra os outros nos conflitos entre portugueses e franceses:  
"E foi coisa maravilhosa que se achavam e encontravam a flechadas irmãos com irmãos, primos com primos, sobrinhos com tios e mais ainda dois filhos que eram cristãos e estavam do nosso lado contra seu pai que estava contra nós".
A representação dos índios no discurso de Anchieta pode ser avaliada nos versos do poema épico "De gestis Mendi de Saa", escrito em latim para elogiar o poder na pessoa do governador-geral Mem de Sá. Lá os índios são "lobos vorazes, furiosos cães e cruéis leões que nutriam o ávido ventre com carnes humanas". Estes índios "selvagens e animalescos" abandonaram Deus e precisavam ser catequizados para escaparem "das garras de Satanás".
O inquestionável trabalho de Anchieta no campo da linguística, longe de servir para reconhecer as culturas indígenas, foi usado para destruí-las. A gramática que ele fez da língua geral se tornou ferramenta eficaz para veicular valores que negavam e satanizavam as religiões locais, o pensamento, a cosmovisão e os saberes indígenas. Suas peças de teatro, de caráter pedagógico, encenadas pelos índios catequizados, classificaram como "demônios" os personagens da mitologia tupi, condenando o fumo, a medicina indígena, as malocas coletivas, o cauim e os rituais.
O santo é de barro
Se a canonização de Anchieta serve para fazer a apologia da catequese, então estamos mesmo diante de contrabando. O catolicismo guerreiro, arrogante, só admitia um caminho para Deus: o de Roma. As religiões indígenas foram desprezadas, perseguidas, extirpadas a ferro e fogo.
Outro jesuíta, o padre Antônio Vieira, defendeu a catequese como única via para transformar o "índio bárbaro", considerado tábula rasa, folha de papel em branco. O missionário era o escultor que daria feições humanas aos índios:
- É uma pedra, como dizeis, o índio rude? Pois trabalhai e continuai com ele. Aplicai o cinzel um dia e outro dia; dai uma martelada e outra martelada e vereis como dessa pedra tosca e informe fazeis não só um homem senão um cristão e pode ser um santo - escreveu Vieira.
Apesar da quantidade massiva de mártires indígenas, não se tem notícias de nenhum deles declarado santo, oficialmente reconhecido pela Igreja, mas o barulho de algumas "marteladas" chegaram até os dias de hoje, com notícias sobre as violências cometidas contra os índios, cujas religiões eram consideradas como "superstições", perseguidas pela intolerância.
O resultado da catequese foi avaliado por outro jesuíta brilhante, João Daniel, que viveu 16 anos na Amazônia (1741 a 1757) e relatou suas andanças. Os castigos corporais sistemáticos e o batismo não criaram cristãos que Anchieta e Vieira queriam: "a religião ficou pouco intrinsicada no coração dos índios", com uma "fé morta no uso das cousas sagradas e na pouca reverência aos sacramentos". Segundo João Daniel, os índios gostavam muito "de medalhas, de verônicas, de escapulários, mas não era por respeito e devoção" e sim para "com eles enfeitar seus macacos e cachorrinhos, atando-lhes ao pescoço".
A muamba que vem escondida dentro do novo santo é essa: um contrabando ideológico, que faz a apologia da prática missionária de Anchieta, sem o menor senso crítico, quando o próprio CIMI, em sua 3ª Assembleia Geral realizada em Goiânia, em julho de 1979, produziu um documento final, assinado também pelos luteranos ali presentes, que diz tudo no seu primeiro parágrafo:
"Reconhecendo os erros que cometemos como Igreja na nossa atuação missionária junto aos povos indígenas, pedimos perdão a eles e a Deus". O CIMI se compromete a mudar sua prática e a respeitar as religiões indígenas "que inclui assumir necessariamente os mitos e a vida religiosa através dos quais cada povo recebe a Revelação de Deus".
Anchieta é um dos responsáveis por esses erros. Foi um fiel servidor do sistema colonial, ao contrário de Bartolomé De Las Casas, o dominicano espanhol que na mesma época ousou romper com o sistema. Anchieta pode até ser santo, desde que venha sem esse contrabando. E mesmo assim jamais será santo para os índios. Canonizá-lo para reforçar essas práticas é um retrocesso, uma reafirmação daquilo que o sociólogo Anibal Quijano chama de colonialidade, que é mais profunda e duradoura do que o colonialismo. Esse santo quer reza. De mim, não terá nenhuma.

A importância do Estado para os Socialistas

A IMPORTÂNCIA DO ESTADO PARA OS SOCIALISTAS

Transcreverei vários trechos do artigo “Marxismo e anarquismo” (http://www.pstu.org.br/node/20138) e abaixo me posicionarei a respeito:
O socialismo nunca negou a defesa de um Estado como um instrumento revolucionário. É necessário inicialmente polemizar com o anarquismo e o reformismo da socialdemocracia para melhor compreendermos este posicionamento.
Defender o Estado é reformista, mas é algo transitório. Como veremos no artigo transcrito a seguir, o Estado defendido pelo socialismo é o Estado-popular, sendo utilizado no momento de transição e posteriormente descartado. É necessário compreender como se organizará o Estado-popular, de maneira democrática, horizontal e participativa.
Para os marxistas, o Estado não é o "criador da miséria ou da desigualdade" (ou a "origem da opressão ou da falta de liberdade humana"), sendo o produto de uma determinada realidade social, ou seja, o Estado é a ferramenta da qual se utilizam os exploradores para perpetuar sua dominação. O Estado não passa de um instrumento nas mãos de uma classe. O marxismo acredita que não é possível abolir o Estado enquanto não sejam abolidas as condições materiais (sociais e econômicas) que levaram ao aparecimento deste Estado. A abolição do Estado (que corresponde à libertação definitiva de toda a humanidade) será lenta e gradual, se assemelhando muito mais a um “desaparecimento progressivo”.
Vamos ao artigo:

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Para começar, evitemos as caricaturas. O termo anarquia provém do grego (an + arkhos) e quer dizer “ausência de governo” ou “ausência de poder”. Ou seja, anarquia não quer dizer “ausência de ordem” ou “desordem”, como em geral se pensa. Ao contrário, os anarquistas visam estabelecer a mais completa e perfeita ordem social. Porém, acreditam que esta ordem só pode ser estabelecida se todo governo e todo poder forem abolidos.
Como doutrina política, o anarquismo se caracteriza pela luta contra o Estado. Os anarquistas acreditam que o Estado – esta instituição política que concentra todas as funções de governo, administração e repressão em nossa sociedade – é o responsável pela falta de liberdade do homem. Pregam que o Estado, com suas forças armadas, suas escolas, suas leis, seus impostos, sua religião oficial etc., é a fonte de toda injustiça, desigualdade e miséria espiritual em que vivemos. A tarefa consistiria, portanto, em acabar com esta instituição, abolí-la imediatamente e por completo, e instaurar o auto-governo da população em geral e de cada indivíduo em particular.
Segundo os anarquistas, ao invés de Estados nacionais centralizados, como existe hoje, a sociedade deveria se organizar em “comunas livres”, ou seja, pequenas comunidades de caráter local, auto-governadas, independentes umas das outras, não submetidas a qualquer comando ou lei geral. Essas comunas (a denominação pode variar de autor para autor) seriam unidades políticas e econômicas totalmente autônomas, cada uma com seu próprio sistema de produção e distribuição de riquezas, e que viveriam do livre intercâmbio de bens e serviços umas com as outras.
Os anarquistas pensam que o que torna o homem mesquinho, violento e egoísta é o próprio Estado e que, uma vez que este seja abolido, as pessoas viverão em harmonia, resolvendo elas próprias seus problemas, vivendo sua vida de maneira pacífica e auto-suficiente, sem a necessidade de qualquer lei escrita, instituição especial, controle, repressão etc.
Sobre os inimigos da liberdade e do povo, os anarquistas afirmam que se o Estado for abolido, nada mais restará a estes senhores, uma vez que eles são a ínfima minoria na sociedade, e sua dominação se baseia exclusivamente no poder do Estado.
Da mesma forma que renegam todo e qualquer Estado (inclusive a hipótese de um Estado controlado pelos trabalhadores), os anarquistas, em geral, renegam também os partidos políticos da classe trabalhadora. Segundo eles (repetimos: há distintas vertentes e pode haver matizes entre elas), todo partido é uma estrutura hierárquica, vertical, organizada nacionalmente, e portanto oposta ao ideal de liberdade e auto-governo inerente ao anarquismo. Assim, toda ação do povo deve se dar de maneira auto-organizada, sem uma direção específica.
Estes são, em linhas gerais, os princípios mais importantes do anarquismo. Como dissemos acima, não há somente um anarquismo, mas vários, e por isso toda generalização pode conter imprecisões. Esperamos não ter distorcido qualquer das ideias aqui apresentadas, pois o objetivo desta parte do texto era tão somente uma exposição sintética do anarquismo, e não sua crítica.
O marxismo reconhece o Estado como uma das mais cruéis e sanguinárias instituições. Certamente, o Estado oprime e esmaga, e junto com os anarquistas, os marxistas declaram que seu objetivo último é o fim do Estado e a construção de uma sociedade de produtores livres auto-organizados. Mas infelizmente, terminam aí nossas coincidências.
Diferente do anarquismo, o marxismo não vê o Estado como criador da miséria ou da desigualdade, nem como a origem da opressão ou da falta de liberdade humana. Para os marxistas, o Estado é apenas o produto de uma determinada realidade social.
Segundo o marxismo, o mal fundamental da sociedade é a propriedade privada dos meios de produção (fábricas, bancos, terras, empresas etc), ou seja, o fato de que a sociedade se encontra dividida em classes sociais opostas: explorados e exploradores. O Estado existe porque a dominação econômica de uma classe sobre a outra precisa ser fixada na forma de leis, instituições, ideias. E depois, se preciso, defendida com armas. Se não houvesse esta organização especial chamada Estado, as classes sociais se degladiariam em uma luta sem fim e a sociedade entraria em colapso. A exploração econômica, para que seja estável, precisa de seu complemento: a dominação política, militar e ideológica – o Estado. Por isso o Estado é sempre o Estado da classe dominante.
Ou seja, o Estado é a ferramenta da qual se utilizam os exploradores para perpetuar sua dominação. Mas ele não é a própria dominação. Longe de ser uma realidade autônoma, com vida própria, o Estado não passa de um instrumento nas mãos de uma classe.
Assim, o marxismo acredita que não é possível abolir o Estado enquanto não sejam abolidas as condições materiais (sociais e econômicas) que levaram ao aparecimento deste Estado. Ao se abolir o Estado por simples decreto, permanecerão as condições que o criaram (propriedade privada, desigualdade) e portanto seu renascimento, em um prazo mais ou menos curto, é simplesmente inevitável.
Marx afirmou que o Estado era sempre o Estado da classe dominante. Essa definição fundamental determina também a visão do marxismo sobre a revolução socialista e as tarefas do proletariado depois da derrubada da burguesia.
Para o criador do socialismo científico, a classe trabalhadora, ao expulsar os capitalistas do poder, não poderia simplesmente “ocupar” o antigo Estado burguês e usá-lo no seu interesse. Ela precisaria destruir o antigo Estado, com todas as suas instituições, leis, hierarquia etc. Mas uma vez destruído este Estado, o proletariado seria obrigado, pela própria realidade, a construir outro, completamente distinto do anterior, baseado nas organizações da classe trabalhadora e controlado por esta – mas ainda assim um Estado. Segundo Marx, a máquina estatal era necessária ao proletariado para: 1) vencer a resistência dos antigos exploradores, que, não aceitando pacificamente a derrota, se organizariam para retomar o poder e restabelecer seu domínio; 2) reconstruir a sociedade sobre novas bases igualitárias, ou seja, a transição econômica socialista. Estas duas complexas tarefas ocupariam todo um período histórico. Foi o que Marx chamou deditadura do proletariado.
Os trabalhadores, embora sejam a imensa maioria da sociedade, são uma classe explorada, oprimida e alienada, que depois de derrotar uma minoria extremamente ativa, culta, violenta e poderosa, precisa realizar uma gigantesca obra histórica. Por isso, o proletariado cometeria um suicídio histórico se abrisse mão do poder de Estado.
Mas os trabalhadores, segundo Marx, não tomam o poder de Estado para eternizar sua dominação. Ao contrário, uma vez vencida a resistência da burguesia, o proletariado começa a trabalhar para aumentar a riqueza produzida, distribuí-la equitativamente, e com isso acabar com toda e qualquer diferenciação social. Com o fim das diferenciações sociais e depois de um longo processo histórico de reeducação do homem, a sociedade poderá abolir o Estado como instrumento de dominação e controle, mantendo dele apenas as funções técnicas de administração econômica, contabilidade, assistência etc. A dissolução do Estado na comunidade de produtores livres auto-organizados corresponde ao início da fase comunista de desenvolvimento da sociedade. Leon Trotsky, o grande dirigente da Revolução Russa da 1917, combatia aqueles que qualificavam de “utopia” a estratégia da dissolução do Estado, e explicava de maneira simples o conteúdo científico do marxismo:
A base material do comunismo deve consistir em um desenvolvimento do poder econômico do homem de tal modo que o trabalho produtivo, deixando de ser uma carga e um incômodo, não tenha a necessidade de qualquer coação; nem existam outros controles sobre a distribuição, além dos da educação, do hábito e da opinião pública, exatamente como é hoje em uma família abastada. É necessário, para falar francamente, uma grande dose de estupidez para considerar como utópica uma perspectiva, em definitivo, tão modesta. (A Revolução Traída).

Lênin se coloca sobre o assunto:
 Não somos utopistas. Nunca 'sonhamos' poder dispensar bruscamente, de um dia para o outro, toda e qualquer administração, toda e qualquer subordinação; isso são sonhos anarquistas resultantes da incompreensão do papel da ditadura proletária, sonhos que nada têm em comum com o marxismo e que na realidade não servem senão para adiar a revolução socialista até que os homens venham a ser de outra essência. Não, nós queremos a revolução socialista com os homens tais como são hoje. (O Estado e a revolução).

Como se vê, diferente do anarquismo, que imagina uma revolução e um homem ideais, o marxismo tem consciência das enormes dificuldades que o proletariado (herdeiro de toda a miséria e podridão capitalistas) enfrentará na luta pela sua libertação. Consequentemente, o marxismo reconhece a necessidade de um longo período de luta e desenvolvimento social, até que as bases materiais que deram origem ao Estado tenham desaparecido, e este possa ser abolido. Mesmo assim, a abolição do Estado (que corresponde à libertação definitiva de toda a humanidade) será lenta e gradual, se assemelhando muito mais a um “desaparecimento progressivo”, que ocorrerá na mesma velocidade em que a sociedade vá assumindo em suas próprias mãos as funções de administração e controle.

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domingo, 6 de abril de 2014

O NAZISMO NÃO ERA de ESQUERDA!!!!!!

O NAZISMO NÃO ERA DE ESQUERDA!!!!!!

Wladimir Jansen Ferreira

A paranóia atual da direita é dizer que o “nazismo era de esquerda”. As insanidades começam ao dizer que o nazismo era socialista por ter “socialista” no nome de seu partido “Partido Nacional Socialista” e pelo fato de A. Hitler defender um Estado controlador/intervencionista.
Hitler era populista e oportunista, aproveitando-se politicamente do nome "socialista” para chegar às massas. O discurso dele era bem parecido com pessoas como Olavo de Carvalho (discurso da ética, preconceitos, conspirações, etc). O socialismo ao qual o nazismo se referia era o socialismo para a raça ariana, mais isto não era socialismo, era racismo, etc.
Mesmo incorporando elementos comuns tanto da direita política quanto da esquerda política, o nazismo é considerado de extrema direita. Era uma combinação de várias ideologias e filosofias centradas principalmente no nacionalismo, no anticomunismo e no tradicionalismo.
Hitler não era nem um pouco "socialista" (sobretudo nos moldes marxista, o "socialismo científico"), pois perseguiu e matou milhões de socialistas (tal como judeus, ciganos, islâmicos, estrangeiros, negros, deficientes, etc). Hitler dizia que o termo "socialista" era uma palavra de origem alemã, correspondente a um modelo ideal de terras semicoletivas, semiprivadas, que existia entre os antigos povos germânicos do 1º Reich, e afirmava que Karl Marx, um judeu, havia roubado essa palavra para sua teoria subversiva, o comunismo. Foi justamente para diferenciar a sua proposta de novo modelo de sociedade do "socialismo primitivo", que Marx criou o termo comunismo (enquanto estágio pós-socialista). Hitler defendia o retorno ao socialismo germânico do 1º Reich. Assim, na Alemanha, havia uma disputa retórica e linguístico-formal entre nazistas e comunistas, em torno do uso e do significado do termo "socialismo" na língua alemã.
As três passagens a seguir mostra um pouco do oportunismo nazista nas palavras do próprio Hitler:
A Alemanha e a Rússia [bolchevista] se completam de maneira maravilhosa. Elas são feitas verdadeiramente uma para a outra. (Adolph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, p, 154).

Meu socialismo é outra coisa que o marxismo. Meu socialismo não é a luta de classes, mas a ordem (...). Eu vos peço que leveis convosco a convicção que o socialismo, tal qual nos o compreendemos, visa não à felicidade dos indivíduos, mas sim a grandeza e o futuro da nação inteira. É um socialismo heróico. É o laço de uma fraternidade de armas que não enriquece ninguém e põe tudo em comum. (Adoph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, p. 201).

Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso. (...) O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos (...). Todo o Nacional Socialismo está contido lá dentro (...) O nacional socialismo é aquilo que o marxismo poderia ter sido se ele fosse libertado dos entraves estúpidos e artificiais de uma pretensa ordem democrática. (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, pp.211- 212).

No início da década de 1930 a Alemanha estava economicamente quebrada (pela Crise de 1929 e a perda da Primeira Guerra Mundial) e humilhada belicamente pelas outras potências. O governo nazista de Adolf Hitler estava adotando medidas intervencionistas-keynesianistas na economia para sair da crise, mas isto foi tendência de todos os países do mundo (tal como os EUA, Inglaterra, etc) e não significa que o nazismo era socialista ou “estatista”. Em tempos de crise do capitalismo, este sempre se utilizará do Estado. Aliás, o neoliberalismo jamais deixou o Estado totalmente de lado.
Apesar do Liberalismo Clássico (depois o Neoliberalismo) se opor a autoridade do Estado essencialmente nas leis que determinam o que deva ser produzido, o Capitalismo utiliza-se do Estado nos momentos de crise econômica e no seu poder coercitivo[1]. Aparentemente a “filosofia liberal” entraria em contradição com a existência do Estado e o seu papel absoluto e organizador, mas não é bem assim como se parece. HUNT & SHERMAN (1977, p. 60) disseram que:
(...) um dos princípios do liberalismo clássico era que os homens (sobretudo os homens de negócio) deveriam dispor de liberdade para dar vazão a seus impulsos egoístas, o que implicava a supressão dos mecanismos de controle e coerção impostos pela sociedade, exceto os dispensáveis.

Portanto “existem os dispensáveis”, coisas que o Estado nunca deixará de buscar organizar. Neste sentido, os autores HUNT & SHERMAN (1977, p. 67) disseram que a coerção estatal é essencial à própria existência do capitalismo, pois:
(...) Atribuir ao governo a função de proteger as relações de propriedade significava atribuir a missão de proteger a fonte de onde emanava o poder que fazia dos capitalistas a classe política e economicamente dominante.
A função de zelar pela execução dos contratos era também essencial para o bom funcionamento do capitalismo. (...) Em vista disso a execução dos contratos, indispensáveis para o funcionamento do sistema capitalista transformou-se em dever do Estado, exercido por meio da coerção.

O Keynesianismo ou Intervencionismo foi influenciado na experiência soviética e é um planejamento macro-capitalista, surgindo para salvar o capitalismo, solucionando e amenizando nas crises cíclicas do capital. Este diz que o Estado tem de ser regulador, indutor e organizador, mas não deve intervir nas empresas. O Keynesianismo é necessário para que seja instalado o “espaço fordista” no território.
MOREIRA (2004, p.56) diz que o Estado Liberal é convertido no Welfare-State (o Estado do Bem-Estar Social). O Estado geraria a sociedade “para viabilizar a acumulação do capital pelos grandes monopólios econômicos”, tendo a “tarefados investimentos em infra-estrutura (transportes, indústrias de equipamento, comunicações, etc) e em meios de consumo coletivo (escolas, hospitais, transportes urbanos de massa, etc), com recursos públicos”. Temos a socialização de recursos para a maior acumulação privada dos grandes monopólios econômicos.
O Keynesianismo se utiliza da social-democracia (e o Estado do Bem-Estar Social) para ser reformista e humanizar o capitalismo. Ele deixará alguns serviços gratuitos e contribuirá para que outros serviços sejam ofertados por empresas privadas, fato que também contribuirá no aumento do consumismo.
Os EUA na década de 1930 lançará as práticas Keynesianistas através do programa New Deal, que foi implementado pelo presidente F. Rooseevelt. O Keynesianismo esteve presente em praticamente todos os países do mundo entre as décadas de 1930 à 1980[2].
Para os marxistas, o Estado não é o "criador da miséria ou da desigualdade" (ou a "origem da opressão ou da falta de liberdade humana"), sendo o produto de uma determinada realidade social, ou seja, o Estado é a ferramenta da qual se utilizam os exploradores para perpetuar sua dominação. O Estado não passa de um instrumento nas mãos de uma classe. O marxismo acredita que não é possível abolir o Estado enquanto não sejam abolidas as condições materiais (sociais e econômicas) que levaram ao aparecimento deste Estado. A abolição do Estado (que corresponde à libertação definitiva de toda a humanidade) será lenta e gradual, se assemelhando muito mais a um “desaparecimento progressivo”.
Hitler era tão “socialista”, mas em sua Alemanha nazista manteve as classes sociais, a propriedade privada, perseguiu partidos de esquerda, fez acordo com inúmeros empresários, sob a complacência de setores da burguesia e da Igreja Católica.
Para encerrar esta “falsa polêmica”, transcreverei estas duas passagens de Adolf Hitler:
Nós somos socialistas, nós somos inimigos do sistema capitalista atual, mas nosso socialismo não tem nada a ver com o marxismo.marxismo é anti-propriedade, o verdadeiro socialismo não é. Nós devemos encorajar a propriedade privada. (HITLER, 1/05/1927).

Partido Nacional Socialista não é exclusividade dos trabalhadores, é para todas as empresas honestas e é um movimento liberal lutando contra o reacionarismo clérico-feudal e os privilégios mercantis do recentes mercatismo judeu. Neste tempo, abriram-se os meus olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, eram nítidos de sua significância para o povo alemão: o marxismo e o judaísmo. (HITLER, A.. “Minha Luta”, 1925 e cabeçalho do “Partido Nacional Socialista”, 1925)

Portanto, nazismo nunca foi de esquerda e afirma esta incoerência é reproduzir uma paranóia oportunista propagada pela burguesia.

REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS

HUNT, E. K. & SHERMAN, Howard J., O Liberalismo Clássico e o Triunfo do Capitalismo industrial. In: História do Pensamento Econômico, Rio de Janeiro: 1977, Vozes.
MOREIRA, Ruy. O círculo e a espiral – para a critica da geografia que se ensina. Niterói: Edições AGB-Niterói, 2004
______________. Para onde vai o pensamento geográfico? – por uma epistemologia crítica. São Paulo: Contexto, 2006.

LINKS

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo#cite_note-10
http://www.centrodosocialismo.com.br/2013/04/comunismo-igual-ao-nazismo.html
https://www.youtube.com/watch?v=MCiYo1zp1DY




[1] Adam Smith em “Riqueza das Nações, livro de referência do Liberalismo Clássico, já dizia que os governos teriam 3 funções: proteger o país contra invasores estrangeiros, proteger os cidadãos contra “injustiças” cometidas por outros cidadãos e do dever de erigir e manter as instituições e obras públicas.
[2] Podemos citar o Keynesianismo belicista na Alemanha de Hitler, o Keynesianismo do Plano Columbu no Japão, o Keynesianismo na Coréia. O Keynesianismo brasileiro se deu com Getulio Vargas e com o nacional-desenvolvimentismo de Juscelino Kubitchek (Plano de Metas).