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terça-feira, 28 de outubro de 2014

A CRISE HÍDRICA em SÃO PAULO

A CRISE HÍDRICA EM SÃO PAULO

Wladimir Jansen Ferreira

ÁGUA e SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL E NO MUNDO
O Planeta Terra é composto em quase 3/4 por água (cerca de 71%) e somente 29% de terras emersas. FISCHESSER e DUPUIS-TATE (1996, p.58) dizem que da água existente no planeta, cerca de 97,4% é Salgada (Oceanos e Mares) e cerca de 2,6% é Doce (rios, lagos, lençol freático e geleiras).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2003), a quantidade ideal de água potável para o bem-estar e a higiene de uma pessoa, seria de 50 a 100 litros por dia. Mais de 1,1 bilhões de pessoas vivem sem água potável no planeta Terra. O Brasileiro gasta acima da média e do recomendado, sendo 187 litros de água por dia. Este consumo é inferior ao Canadá (que está no topo da tabela com cerca de 600 litros por dia), mas é bem superior aos países africanos da Região Subsaariana (com cerca de 20 litros por dia).
Apesar da Cobertura de água potável no Brasil estar em nível adequado com cerca de 90% (Brasil 2000 e 2003), a cobertura de saneamento básico no Brasil não está em nível adequado, com cerca de 75%.
A OMS (2003) afirma que existem cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo sem acesso aos serviços de saneamento básico. Diariamente, dois milhões de toneladas de resíduos contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água (UNEP, “Água Doente”). A ausência de saneamento básico faz as pessoas consumirem água poluída, o que mata cerca de 1,8 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade no mundo.
No Brasil cerca de 26,9 milhões de residências (34,8%) não possuem coleta de esgoto (IBGE, 2008). O Brasil em 2011 ocupava a 112ª posição em um conjunto de 200 países no quesito saneamento básico, com o Índice de Desenvolvimento do Saneamento atingindo 0,581 (CEBDS e TRATA BRASIL, 2014).
A situação de saneamento básico é mais crítica no interior do Brasil, sobretudo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que somam, juntas, 25,3% de ausência de acesso na coleta de esgoto, de um total de 34,8% no Brasil. Pode-se ver um pouco mais no mapa a seguir:




Mapa 1 - Municípios com serviço de rede coletora de esgoto - Brasil – 2008. IBGE (2008)

UTILIZAÇÃO DA ÁGUA NO BRASIL E EM SÃO PAULO
O Brasil é um dos países com maior oferta hídrica no mundo, com 12% de toda água doce do planeta, grandes bacias hidrográficas e considerável quantidade de água subterrânea (lençol freático).
Diferentemente da Região Metropolitana de São Paulo, no Brasil se utiliza mais água para fins produtivos (agricultura e indústria):

Gráfico 1 - Uso de Água no Brasil (Fonte: Caminho das Águas, 2006, p33).

Na Grande São Paulo, a água é utilizada principalmente para abastecimento público:
Gráfico 2 – Como é Utilizado a Água na Grande São Paulo, FUSP (2009).

A Bacia Hidrográfica que banha a Região Metropolitana de São Paulo é a do Alto Tietê, abastecendo cerca de 20.284.891 de pessoas em 39 municípios, em uma área de 7.946,84 Km².
Existem 6 Sub-Bacias na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê:

Mapa 2: Sub-Bacias Hidrográficas do Alto Tietê.

CRISE HÍDRICA EM SÃO PAULO
É fato que está ocorrendo o fenômeno climático do La Niña, que aquece as águas do oceano Pacífico e diminuiu as chuvas do final de 2013 e durante todo o ano 2014 no Centro-Sul da América do Sul.
As consequências desta falta de chuva foram terríveis no estado de São Paulo, que está passando por uma longa estiagem e seca nos reservatórios de água das represas. Combinado com a falta de chuva, a SABESP (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) passa por um processo de privatização, terceirização e precarização sem precedentes.
A crise hídrica têm atingido os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e principalmente São Paulo. São 133 cidades destes três estados com problemas de falta de água, abarcando cerca de 27,6 milhões de pessoas, em uma região responsável por 23% do PIB brasileiro (R$ 946,4 bilhões em 2011 e provavelmente R$ 1,1 trilhão em 2014). No estado de São Paulo são cerca de 92 municípios de um total de 645 municípios estão passando por problemas de crise hídrica.
Os quase 20 anos de gestão tucana no estado de São Paulo têm sido muito nocivos na precarização da SABESP e na incompetência de não fazer políticas públicas de ampliação da captação de água e do uso racional da água.
O governo do Estado de São Paulo tem privatizado sistematicamente a SABESP, empresa pela qual administra de maneira indireta, pois é detentora da maioria das ações, mas quase a metade do capital acionário está nas mãos de acionistas privados. Isto significa que a busca por lucro é que determina o destino da companhia e o não o bem-estar da população ou o uso racional da água das represas paulistas.
Não é privilégio do estado de São Paulo ter a privatização de sua empresa de saneamento básico. Nos anos 90, sob a batuta do Banco Mundial e do governo FHC, os governos iniciaram um amplo processo de privatização das empresas municipais, regionais e estaduais de saneamento básico. Os governos do PT na esfera federal não fizeram nada pra impedir a privatização. Nesse processo, a CEDAE (Rio de Janeiro) e a CESAN (Espírito Santo) estão sendo preparadas para serem vendidas ao capital privado, assim como a CASAN (Santa Catarina), esta através de um processo de municipalização que, após rompimento do contrato com a concessionária estadual, é terceirizada e privatizada pelos prefeitos e vereadores . Tal como a SABESP, a SANEPAR (Paraná) abriu seu capital. A COMPESA (Pernambuco) e a COSAMA (Amazonas) foram privatizadas. Já a COSANPA (Pará) encontra-se ameaçada de privatização.
A empresa é altamente lucrativa, chegando à dar um lucro líquido de 1,9 bilhão de reais em 2013, mas os investimentos do governo estadual são muito baixo. Em 1998, a companhia fez investimentos de R$ 1,18 bilhão e em 1999 o valor foi reduzido à R$ 457 milhões. O mesmo patamar só foi retomado em 2008, quando ela investiu R$ 1,85 bilhão.
Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, têm criminalizado os consumidores pela crise hídrica no estado. Ele despolitiza a situação ao jogar a responsabilidade em “São Pedro” e nos habitantes da Região Metropolitana de São Paulo. Não assume as suas (ir)responsabilidades no assunto e penaliza a classe trabalhadora ao racionar ilegalmente a água nos bairros periféricos.
A crise hídrica em São Paulo já afeta a economia e a classe trabalhadora, pois as empresas já estão começando a demitir trabalhadores e a diminuir sua produtividade (caso da safra de cana-de-açúcar 11,7% menor). O preço do Caminhão-Pipa disparou, de R$ 600,00 para R$ 1.200,00 por 10 mil litros de água.
A situação está crítica em todas as Sub-Bacias do Alto Tietê, principalmente no Sistema Juqueri-Cantareira, que está com o nível da água à menos de 5% e já utilizou sua segunda cota do “volume morto”. O Sistema Cantareira é muito importante, pois abastece cerca de 8,8 milhões de pessoas no interior e Grande São Paulo e está prestes à secar.
O “volume morto” é a água localizada abaixo do nível de capacitação normal das comportas das represas que compõem o Sistema Cantareira, que é altamente poluída com metais pesados e necessita passar por um custoso processo de despoluição. Neste temos cerca de 400 bilhões de litros de água de um total de 1,46 trilhões de litros de água em todo o Sistema Cantareira.
A solução para este problema não é esperar as chuvas voltarem ou responsabilizar somente o uso doméstico. Em curto prazo tem que criar soluções de utilização emergenciais em represas vizinhas que tenham água sobrando, fazendo campanhas de racionamento efetivas e previamente avisadas à população. Em longo prazo é necessário investir pesadamente em infraestrutura de saneamento básico no estado de São Paulo e reestatizar a SABESP.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Caminho das Águas, Rio de Janeiro: Ipsis, 2006.
_______. Dados para água e saneamento baseados no Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2003.
_______. Dados para água e saneamento baseados no  Censo, 2000.
CEBDS e TRATA BRASIL, Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro, 2014.
FISCHESSER; B., DUPUIS-TATE, M.F., Le guide illustre de l’ecologie. Paris :
Martiniere–Cemagref, 1996
IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 2008.
OMS. O direito à água. ONU, 2003
OMS e UNICEF, Programa de Monitoramento Conjunto OMS e UNICEF(JMP), ONU, 2006.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mapas de Erosão e Assoreamento no Brasil

  Distribuição espacial dos municípios que apresentam problemas de assoreamento da rede de
drenagem - Brasil - 2008









Distribuição espacial dos municípios que apresentam problemas de erosão na área urbana nos últimos 5 anos - Brasil - 2008




ANÁLISE RÁPIDA dos RESULTADOS das ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

ANÁLISE RÁPIDA DOS RESULTADOS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Wladimir Jansen Ferreira

É fato que não é de hoje que o PT se afastou dos movimentos sociais e de suas bandeiras históricas de defesa da classe trabalhadora.
Também é fato que o PSDB representa a burguesia em sua plenitude, o neoliberalismo violento, que não tem pudor em arrochar e tirar os direitos da classe trabalhadora.
A eleição de Lula em 2002 significou uma crise de esgotamento do neoliberalismo tucano e significaria conquistas para a classe trabalhadora. Entretanto, os 12 anos de governos do PT no governo federal significou a introdução da vergonhosa "frente popular", que significa uma derrota para a classe trabalhadora.
Esta "frente popular" continua governando para a burguesia e dá algumas concessões para a classe trabalhadora.
A quase eleição de Aécio Neves, significa que estamos tendo agora uma crise de esgotamento da "frente popular" petista. O capitalismo necessita crescer mais e a burguesia necessita enriquecer mais. Para isso ela quis acabar com a "frente popular" e colocar um "governo burguês puro" (na figura de Aécio Neves). A eleição de Aécio Neves seria um desastre para a classe trabalhadora, porque ele iria atacar os direitos dos trabalhadores e arrocharia seus salários, para poder aumentar o lucro do capital.

Dilma Roussef e PT. O povo deu a resposta nas ruas. Não queremos mais perda de direitos da classe trabalhadora e queremos mais conquistas. Chega de política de conciliação de classes! Chega de  "frente popular"! Rompa imediatamente com a burguesia! Faça uma política de frente única com os setores progressistas da classe trabalhadora! Queremos a "tática operária-camponesa" sem a presença de partidos burgueses e sem perdas para o proletariado!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ATIVIDADE com MAPA da ANTIGA ORDEM MUNDIAL - 1

-          Título: “Mapa da Antiga Ordem Mundial (1945-1991)”.

-          Escala: 1:30.000.000

-          Nome dos 5 Oceanos.

-          Nome dos 5 principais Paralelos.

-          Legenda:
[] PAÍSES DO PRIMEIRO MUNDO = AMÉRICA (EUA, Canadá), ÁSIA (Japão e Coréia do Sul), OCEANIA (Austrália e Nova Zelândia), EUROPA (França, Itália, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Islândia, Noruega, Suécia, Suíça, Finlândia, Dinamarca, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Alemanha Ocidental).
[] PAÍSES DO SEGUNDO MUNDO = AMÉRICA (Cuba), ÁSIA (China, Vietnã, Coréia do Norte, Laos, Camboja e Mongólia), ÁFRICA (Gâmbia, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola), EUROPA (Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Áustria, Albânia, Alemanha Oriental), Tchecoeslováquia (República Tcheca e Eslováquia), Iugoslávia (Macedônia, Sérvia, Bósnia, Croácia, Montenegro, Eslovênia, Kosovo), URSS (Rússia, Moldávia, Ucrânia, Belarus, Lituânia, Letônia, Estônia, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tadjquistão, Afeganistão e Uzbesquistão).

[] PAÍSES DO TERCEIRO MUNDO = o restante.



Mapa Mudo:



Ficar parecido com este:

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

RESENHA e ATIVIDADE FILME: “O Homem que virou Suco”

Filme: “O Homem que virou Suco”.
Perguntas do filme:
1)    Por que Deraldo foi confundido com outra pessoa? Vocês acham que ocorreu algum tipo de preconceito?
2)   Qual era a importância de se ter documentos? Só ter documentos é o suficiente para ser “cidadão de fato”?
3)    porque o empregado matou o patrão? O que José tinha feito na empresa?
4)    Por que Deraldo conseguia empregos de baixa qualificação? Ser poeta e escritor de cordel pode ser considerado uma profissão?

5)    O que significa as pessoas “virarem suco”? Por que isso ocorre?


escrevi esta resenha em meados de 2008.

RESENHA DO FILME “O HOMEM QUE VIROU SUCO”

Wladimir Jansen Ferreira

O filme conta a história de dois migrantes nordestinos, um poeta popular (escritor de cordel) e um operário que tinha assassinado o seu patrão, mas a trama começa quando o primeiro personagem é confundido com o segundo. O filme se utiliza de várias metáforas para criticar a desigualdade social e o processo de urbanização da cidade de São Paulo.
O migrante paraibano Deraldo é um poeta popular e uma pessoa com posicionamentos críticos e politizados, tendo como fonte de renda a venda autônoma como ambulante dos seus poemas de cordel. Ele é um recém-chegado na cidade de São Paulo e não possui documentos de identidade, fato que faz ser constantemente perseguido e reprimido por policiais e fiscais da prefeitura.
Esta situação constrangedora em que passa cotidianamente e pela opressão sofrida por viver em péssimas condições de vida, faz com que Deraldo se torne uma pessoa revoltada e inconformada com as injustiças da realidade.
Entretanto, o estopim para que a revolta de Deraldo seja extravasada, foi uma confusão em que fizeram dele com José Severino, um operário também nordestino (só que desta feita do Ceará). Este operário era fisicamente idêntico à Deraldo e estava foragido por ter matado o patrão na cerimônia em que estava sendo condecorado.
Teremos agora uma estafante jornada de Deraldo para tentar “limpar seu nome” e também para entender porque José assassinou o seu patrão. Esta sua jornada também é uma forma de buscar sua identidade no meio de uma megalópole tão formal e insensível como a cidade de São Paulo. A confusão não foi algo despropositado, pois a maioria dos migrantes em São Paulo são submetidos à condições de vida adversas e miseráveis, sendo preconceituosamente confundidos e rotulados como uma grande massa sem individualidade ou identidade própria.
Nesta constante busca, Deraldo vais lentamente e alucinadamente derrubando preconceitos e visões exploratórias, através de posicionamentos éticos e humanistas. Inicialmente, ele não se acomoda com as humilhações do “chefe de obras” de uma grande construção imobiliária de alta classe (onde tragicamente a maioria de seus companheiros de obra são nordestinos e analfabetos), depois não aceita o tratamento dado por sua patroa rica (ironicamente com parente nordestinos, só que um abastado coronel) e por fim questiona veementemente as condições exploratórias em que ele e seus colegas operários passam no estafante trabalho de construção do metrô paulistano do fim da década de 1970.
Interessante destacar dentre estas situações, a propaganda e a “lavagem cerebral” que os engenheiros do metrô estavam realizando com seus operários, tentando induzir a estes que o trabalho e o respeito total ao patrão seria algo indispensável para que conseguissem o emprego, além do que, deviam abortar de todos os costumes e modos de vida “atrasados”, que “supostamente” levavam em sua terra natal, no nordeste brasileiro.
Depois de ter passado por estas privações e provações, Deraldo que estava sendo perseguido pela polícia, começará a ficar ruim de saúde, tendo quase enlouquecido (ou virado “suco”). Será internado numa clínica filantrópica, que é constantemente visitado por madames de alta classe e de organizações com “responsabilidade social”. Entretanto, ele se indisporá com estas pessoas e fugirá desta clinica para terminar sua busca.
Nesta sua empreitada final, Deraldo (que tinha se comprometido com um amigo em fazer um cordel que contaria a “história do operário que matara o patrão”) procura os antigos colegas de fábrica de José. Estes lhe disseram que José tinha “pisado na cabeça de outros funcionários” para subir na hierarquia da empresa e que tinha feito acordos escusos com o patrão na finalidade de entregar os operários sindicalizados e agitadores. No entanto, esta subida na vida de José foi breve, acompanhada com muitas brigas e de um boicote ao trabalho de seus colegas descontentes com José, fazendo com que o patrão o demitisse.
Ironicamente no dia em que Jose receberia uma condecoração da empresa, ele estava desempregado e decide matar o seu patrão. Depois de realizado o crime, Jose “vira suco” e enlouquece, sendo encontrado por Deraldo em situação degradante em sua casa na periferia de São Paulo.

O brilhante filme se encerra com o desvendamento e o esclarecimento desta confusão criada entre Deraldo e José. Conquanto, situações exploratórias com trabalhadores de baixa renda, moradias e bairros com pouca infra-estrutura e rede de serviços, além das humilhações inconseqüentes com migrantes nordestinos ainda acontecem “às pencas” na cidade de São Paulo. Este cumpre perfeitamente um papel denunciativo e de formação de uma consciência crítica e questionadora da realidade que não mudou tanto de 1979 para cá.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os TRANSTORNOS de APRENDIZAGEM e o FUNCIONAMENTO do CÉREBRO

OS TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM E O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

Wladimir Jansen Ferreira

O conhecimento sobre a saúde mental dos alunos por parte dos educadores é muito importante para que seus alunos tenham um bom desempenho no aprendizado escolar e para se reverter alguns quadros (ou alguns sintomas, dependendo do transtorno). Tendo um conhecimento sobre a saúde mental dos alunos, o professor estará melhor capacitado e poderá melhor escolher os métodos de ensino-aprendizagem mais apropriadas e mais eficazes para a dificuldade específica deste aluno.

O CÉREBRO HUMANO e a EDUCAÇÃO
As duas imagens que se seguem mostram os “lobos cerebrais”:

FIGURA 1: Os lobos cerebrais[1]


FIGURA 2: Lobos Cerebrais[2]

O cérebro humano pesa cerca de 1,5Kg e ocupa menos de 20% do corpo humano e tendo 100 bilhões de neurônios. Não existe um cérebro igual à outro, pois são diferentes no tamanho, na organização e estruturas cerebrais e nas características das conexões cerebrais. Existem 4 lobos cerebrais (Temporal, Ociptal, Parietal e Frontal) e 2 Hemisférios cerebrais (o Direito – responsável pelas habilidades espaciais e reconhecimento de imagens – e o Esquerdo – que controla as redes neurais da linguagem, matemática e lógica).
O Lobo Frontal é responsável pelo planejamento e ação, julgamento e memória, sendo o último a ser formado pelo ser humano. O Lobo Temporal é responsável pela audição, memória e reconhecimento de objetos. O Lobo Parietal é responsável pela sensação e processamento espacial. O Lobo Ociptal é responsável pela visão. A “Área de Broca” é responsável pelo processamento e compreensão da fala. A “Área de Wernicke” (que fica entre os Lobos Temporal e Parietal) é responsável pelo reconhecimento da fala. O “Córtex Visual Primário” (localizado acima do cerebelo e dentro do Lobo Ociptal) é responsável pela discriminação e movimento de cores. O cérebro ainda tem o Cerebelo, o Sulco Central e o Sulco Lateral.
A compreensão do desenvolvimento do cérebro dos seres humanos é essencial para que o educador perceba, por exemplo, que a instabilidade comportamental dos jovens se dá pelo fato do córtex pré-frontal estar em desenvolvimento. Outro exemplo, é que os desenvolvimentos das habilidades mentais estão mais presentes em faixas etárias específicas (principalmente na infância e na puberdade), podendo ser, principalmente, nos “períodos sensíveis”.
Com acompanhamento e compreensão do funcionamento do cérebro dos alunos, o professor poderá realizar um trabalho mais eficaz na superação das dificuldades apresentadas pelos alunos e estes poderão ter uma aprendizagem significativa.

PLASTICIDADE CEREBRAL e a EDUCAÇÃO
Plasticidade cerebral é a capacidade do cérebro de se moldar e se modificar em sua estrutura ao longo do tempo, sendo esta capacidade inerente ao ser humano, podendo estar presente à todos (principalmente naqueles que sofreram acidentes motores), em qualquer faixa etária, em todos os momento da vida de um indivíduo e se realizando de maneira diferenciada com as pessoas.
Existem dois tipos de plasticidade cerebral: a “experiência expectante” (sendo uma tendência genética ás modificações estruturais do cérebro do início da vida à velhice) e a “experiência dependente” (onde as modificações estruturais do cérebro ocorrem pelas experiências vivenciadas ao longo da vida deste ser humano). Portanto, a plasticidade cerebral ocorrerá com qualquer ser humano, mas de maneira diferenciada.
A plasticidade cerebral ocorrerá a partir do momento do cérebro ser estimulado de maneira diferenciada, fazendo este se reprogramar e criar novos caminhos entre os neurônios, sendo que, quando mais jovem, o cérebro será mais suscetível e maleável à mudanças estruturais.
Os educadores poderiam se aproveitar deste fato para superar dificuldades de aprendizagem dos alunos, pois as crianças podem ser estimuladas para sua mudança de comportamento, fazendo o seu cérebro se reorganizar, tendo novos aprendizados, novas memorizações e novas adaptações. Para esta ação é necessário de laudos médicos e acompanhamentos médicos especializados, integrando a família com a escola. Esta ação é primordial para se superar dificuldades de aprendizagem dos alunos (ou mesmo problemas disciplinares, etc) e se atingir uma aprendizagem significativa por parte dos educandos.

OS TRANSTORNOS de APRENDIZAGEM e a EDUCAÇÃO
Importante diferenciar “transtornos (ou distúrbios) de aprendizagem”, de “dificuldade ou problema de aprendizagem” e de “deficiência intelectual”.
As dificuldades de aprendizagem são desordens na aprendizagem de maneira geral, sendo fatores removíveis e não necessariamente de causa orgânica[3].
Deficiência intelectual não é dificuldade de aprendizagem, é biológico e o indivíduo pode avançar em ritmo diferenciado.
Os “transtornos de aprendizagem” existem por uma disfunção do sistema nervoso central, sendo um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da fala, escrita, raciocínio e habilidades matemáticas[4]. Este não desaparecerá, mas se ocorrer um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, o indivíduo com estes transtornos poderão melhorar seu desempenho escolar.
Existem vários “transtornos de aprendizagem”, listarei os principais:
Transtorno Desafiador Opositivo, inicia-se com cerca de 6 anos de idade, sendo de origem biológica e ambiental. O aluno está com frequente impaciência com os adultos, desafiador e se opondo a regras ou solicitações, desafiando a autoridade dos professores, sendo impulsivo e manipulador, enraivecido quando contrariado e brigando constantemente, implica com as pessoas responsabilizando-as pelos seus erros, estando sempre enraivecido (além de irritado, ressentido, rancoroso e com ideias de vingança). O aluno possui baixa auto-estima, fraca tolerância à frustrações, humor deprimido, ataques de raiva, tendo poucos amigos, sendo rejeitado por colegas e querendo resolver sozinho os seus problemas. Se não tratado, poderá evoluir para o Transtorno de Conduta.
Transtorno de Conduta ocorre mais em meninos de 10 a 12 anos e nas meninas de 14 a 16 anos de idade, sendo de origem genética e ambiental. O aluno constantemente viola regras, possuindo comportamento anti-social, agredindo pessoas e animais, usando armas em brigas, não tendo culpa ou arrependimento no que faz, sendo desafiadores e hostis, destruindo patrimônio alheio, fugindo de casa, consumindo álcool e outros tipos de drogas, tendo comportamento sexual de risco, com dificuldade de respeitar regras, tendo sadismo, executando bullying nos colegas de escola. O diagnóstico cedo é essencial para a reintegração e adaptação do convívio do jovem na sociedade. É necessário que haja intervenções da família com medidas sócio-educativas, treinamento das habilidades sociais e de técnicas cognitivo-comportamentais e tratamento médico especializado em saúde mental.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome neurológica (pelas alterações do córtex pré-frontal e estruturas subcortiais do cérebro) mais comum nas crianças de 0 a 7 anos de idade e o fator genético é o mais provável. O aluno “não para quieto” e se remexe na cadeira (pula e grita), não presta atenção nas aulas, possui dificuldades de aprendizagem, não possui concentração, é hiperativo, é elétrico e com excesso de energia, distraindo-se facilmente e com dificuldade em se focar em um único objeto. Geralmente este aluno não termina deveres, possui dificuldades em se organizar, perde materiais escolares, é atrasado, não brincando em silencio, possui insônia e é estressado. Se não tratados, podem se tornar adultos inseguros, poucos habilidosos socialmente e com menos anos na educação escolar. O tratamento deve ocorrer pela ação multidisciplinar, com medicamentos e com medidas da escola (fazendo este se sentar perto da lousa e longe das janelas, criando rotina de estudos, horários pré-determinados e combinados, pausas regulares no estudo, ambiente de estudo silencioso, etc).
A Depressão Infantil ocorre principalmente em adolescentes, tendo causas genéticas, fatores bio-químicos, hormonais e ambientais. O aluno demonstra apatia, tristeza, isolamento, queda nas notas, fala tênue e fraca, desesperança, ideia de suicídio, desmotivado, solitário, com explosões de raiva, com humor deprimido-instável-irritável, algumas brigas na escola, etc. Este possui baixa serotonina e norodrenalina na fenda sináptica (áreas de comunicação entre células nervosas) e deve ser tratado com medicamento, tratamento psicoterápico, psicoeducação e trabalho cognitivo.
O Autismo Infantil é um transtorno do espectro autista, tendo fatores genéticos, de desenvolvimento do cérebro na gestação e fatores congênitos (adquiridos com doenças como rubéola, encefalite e meningite). O aluno possui prejuízos na interação social, tendo atraso na aquisição de linguagem, comportamento estereotipado e repetitivo, sendo anti-social, não demonstrando emoções (não chora, não sorri), não acompanhando objetos que os pais mostram, “escondendo-se e se isolando do mundo” e não fala palavras. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato pode reverter alguns sintomas. O tratamento deve ocorrer pela ação multidisciplinar (com médico, psicólogo, fonoaudiólogo, etc), buscando o treinamento das habilidades sociais, medicação, brincadeiras em grupo na escola (buscando a relação social com colegas, a correção de comportamentos repetitivos e o acalmamento do estudante em situações de irritabilidade-impulsividade).
O Transtorno Ansioso é de causa genética e ambiental (pela ansiedade paterna, relação com pais, estilo da criação, morte de parentes, situações ansiogênicas na TV, etc). o aluno possui desconforto, inquietação, ansiedade e sintomas somáticos (sudorese, boca-seca, taquicardia, nervosismo, etc). o tratamento deve passar pela terapia cognitiva e corporal, pelo auto-reconhecimento (dos sintomas, sentimentos, pensamentos e reações do organismo) e medicação.
O Transtorno de Ansiedade de Separação ocorre mais em crianças de até 7 anos de idade. O aluno possui uma ansiedade exasperada de separação familiar, não dormindo sozinho, não participando de atividades extra-escolares, não dormem em casa de colegas, com dores de cabeça e estomacais, prejuízos acadêmicos, dificuldade de relacionamento, círculo restrito de amigos, baixa auto-estima, falta e atrasos escolares. O tratamento pode se dar com atividades fora da sala de aula e em outros espaços escolares, com contação de histórias sobre o assunto, relato de colegas, permanência da família na escola por um pequeno período, por contratos com a criança, etc.
A Esquizofrenia de Início Precoce ocorre antes dos 18 anos de idade, possuindo origem neurobiológica e alterações químicas de origem genética, além de fatores ambientais (estresse, violência doméstica-física-emocional, negligência e pobreza extrema). Os alunos possuem prejuízos na cognição e afeto, prejuízos nas relações interpressoais, prejuízos no desempenho acadêmico, alucinações, delírios, embotamento afetivo, empobrecimento da fala, desorganização do pensamento, isolamento social, “não olha nos olhos” e descuido com higiene pessoal. O tratamento deve ocorrer com psicoterapia familiar e cognitiva, com técnicas para resolver problemas e tratamento de habilidades sociais e medicação.
A Dislexia pode surgir no início da alfabetização da criança. O aluno tem dificuldade em prestar atenção nas aulas, dificuldade em ler e escrever (leitura lenta e monossilábica, com pouca entonação de voz, sem interpretação, prejudicando o significado), desempenho fraco em português e inglês, leitura vagarosa (abaixo do esperado para a idade), dificuldades de entender enunciado nas provas e de elaborar ou compreender textos, não associa letra ao som, possui processo lento, dificuldade na construção de frase, etc. O tratamento deve ocorrer com profissionais de deficiências visuais-auditivos, fonoaudiólogos e com trabalho psicoeducacional.

PAPEL do PROFESSOR FRENTE aos TRANSTORNOS de APRENDIZAGEM
Os ideais da política de “inclusão” de alunos com necessidades especiais estão presentes na Conferência de Salamanca[5], que foi organizada pela UNESCO e o Ministério da Educação e Ciência de Espanha (além de 88 governos e 25 organizações internacionais) no ano de 1994.
O papel do professor não é fazer diagnóstico, cabendo um profissional de saúde mental o fazer, pois isto despende anos de observação e estudo médico. Isto reforça a importância da articulação da família com a escola e a necessidade do acompanhamento médico em saúde mental das crianças.
Cabe ao professor e aos educadores buscarem a aprendizagem dos alunos na sua disciplina, à inclusão dos alunos e respeito à diversidade, à socialização e sentimentos de cooperação entre alunos. Estes devem diagnosticar quais os motivos da não-aprendizagem dos alunos. Os educadores podem traçar quadros da saúde mental e comportamento de cada aluno, que deverá ser encaminhado à coordenação pedagógica em forma de relatório e aos pais/responsáveis destes alunos em momentos específicos (reuniões, etc).
O professor poderá intervir positivamente para a superação de alguns sintomas de transtornos de aprendizagem, tendo em vista que deve atuar conjuntamente com familiares, com outros colegas na escola e profissionais da saúde mental.
É necessário que haja plasticidade aos profissionais de ensino na realização dos seus planos de ensino, ou seja, estes devem realizar modificações em seus planos de ensino com vias de incluir os alunos com necessidades especiais e com Transtorno de Aprendizagem. A realidade é diversa e os seres humanos são heterogêneos, buscando o atendimento não preconceituoso à estes alunos com o tratamento diferenciado, mas inclusivo.
O professor deve adaptar o currículo e seus planos de aulas ao contexto social com vista a qualidade para todos, ou seja, deve estar preparado para a heterogeneidade dos alunos e para o trabalho com alunos com necessidades especiais e com Transtorno de Aprendizagem.
Muitas vezes o professor e a escola não possuem o laudo deste aluno, sendo que estes transtornos se tornam evidentes durante o percurso, ou seja, durante o ano letivo. O professor e a escola não são obrigados a realizar o laudo médico de transtorno de aprendizagem, mas pode participar diagnosticando alguns dos comportamentos destes alunos, convocando seus pais e encaminhando para atendimento médico especializado. Em um segundo momento, a escola deve caminhar conjuntamente com a família e os profissionais médicos especializados.
Quando diagnosticado o transtornos de aprendizagem no aluno, o professor deve adaptar o seu currículo e plano de aulas para um trabalho diferenciado e adaptado às dificuldades deste aluno.
O professor poderá realizar atividades que desenvolva as habilidades sociais, técnicas cognitivas, trabalhos e brincadeiras em grupo (para desenvolver relações sociais com colegas, corrigir comportamentos repetitivos e acalmando estudante em situações de irritabilidade e impulsividade), colocar alunos longe das janelas e próximos da lousa (em caso de TDAH), desenvolver rotina de estudos nos alunos, traçar horários predeterminados e combinados com crianças, pausas regulares no estudo, ambiente silencioso e diminuição de estímulos visuais (caso de TDAH), etc.
A escola pública como instituição pública, que deve atender os preceitos da democracia participativa e inclusiva, deve garantir um ensino de qualidade para todos os alunos, independentemente de sua classe social, etnia, religião e transtorno de aprendizagem. Com os alunos com transtornos de aprendizagem. A escola deve ser ainda mais inclusiva e preocupada em não diferenciar discriminatoriamente estes alunos, auxiliando em realizar diagnósticos, convocando pais e responsáveis deste, encaminhando para o atendimento médico especializado, além de fazer o acompanhamento conjunto em parceria com a família e os profissionais médicos especializados para a superação de alguns sintomas dos transtornos de aprendizagem ou a sua radical extinção (em alguns casos).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COLLARES, C. A. L. e MOYSÉS, M. A. A. A História não Contada dos Distúrbios de Aprendizagem. Cadernos CEDES no28, Campinas: Papirus, 1992, pp.31-48.
GUZZO, Raquel Souza Lobo. Saúde psicológica, sucesso escolar e eficácia da escola: desafios do novo milênio para a psicologia escolar. In: DEL PRETTE, Z. A. P. (Org). Psicologia Escolar e Educacional: Saúde e Qualidade de vida. Campinas: Alínea, 2001.
UNESCO & MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA DE ESPANHA. Declaração de Salamanca - Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais, UNESCO, 1994.



[1] Fonte: http://daquepensar.com/wp-content/uploads/2012/11/C%C3%A9rebro.jpg
[2] Revista Mente e Cérebro, nº 34, Edição Especial, Ed. Duetto.
[3] GUZZO, In: DEL PRETTE (2001).
[4] COLLARES, C. A. L. e MOYSÉS, M. A. A., 1992, p. 31.
[5] http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf

domingo, 21 de setembro de 2014

10 mitos de criação da vida e humana



Fonte: http://www.historiadigital.org/curiosidades/10-mitos-de-criacao-da-vida-e-humana/





10 mitos de criação da vida e humana




Cada sociedade, cultura ou civilização tem a sua própria maneira de explicar a origem da vida e do ser humano. Geralmente, as histórias de criação fazem parte do conjunto de mitos destas sociedades e acaba sendo adotado como verdade em suas manifestações religiosas. Aliás, o estudo das origens da vida e humana é chamado de cosmogonia. Neste post, você vai conhecer aspectos da cosmogonia de várias civilizações e/oureligiões antigas. Não há possibilidade de inserir o conteúdo completo pois, dependendo da situação, é imenso. Portanto, trabalhamos com fragmentos de 10 mitos de criação da vida e humana.
Para os professores de Ensino Religioso, é uma boa forma de apresentar para os alunos a importância de respeitar a diversidade religiosa e como muitas destas mitologias têm pontos em comum. Aliás, o laço que une as várias religiões que existem no planeta é abordado no artigo abaixo.

1- Mitologia Tupi-Guarani

Deus Tupã
A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderu ou Tupã), o deus Sol e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa lua Araci, Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte na região do Aregúa, Paraguai, e deste local criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento. Tupã então criou a humanidade em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu.

2- Mitologia Asteca

Deus Nanahuatzin
Segundo um mito, no princípio, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria que se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, Tecuciztecatl retrocede ante o fogo; mas o segundo, um pequeno deus, humilde e pobre, Nanahuatzin, se lança sem vacilar à fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, o primeiro deus, sentindo coragem, decide jogar-se transformando-se na Lua.  Ainda assim, os dois astros continuam inertes e é indispensável alimentá-los para que se movam.

 3- Mitologia Navajo

Deus Tsohanoai
Os índios Navajo da América do Norte, acreditavam que Tsohanoai era o deus Sol. Ele assume forma humana e carrega o Sol às costas, todos os dias através do céu. À noite, o Sol descansa, pendurado numa pega na parede ocidental da casa de Tsohanoai.  Os dois filhos de Tsohanoai, Nayenezgani (Matador de Inimigos) e Tobadzistsini (Criança de Água) viviam separados do pai, em casa da sua mãe, no extremo ocidente. Quando se tornaram adultos, os dois decidiram procurar o seu pai e pedir-lhe ajuda para combater os espíritos maléficos que aterrorizavam e atormentavam a humanidade.

4- Mitologia Iorubá

Deus Olodumare
Na mitologia iorubá o deus supremo é Olorum, chamado também de Olodumare. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove espaços do Orun.  Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras. Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse o homem.  Oxalá criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra – era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo.

5- Mitologia Babilônica

Deus Shamash
O universo surgiu quando Nammu, um abismo sem forma, enrolou-se em si mesmo num ato de auto-procriação, gerando An, deus do céu, e Antu (Ki), deusa da Terra. A união de An e Ki produziu Enlil, senhor dos ventos, que eventualmente tornou-se líder do panteão dos deuses. Após o banimento de Enlil de Dilmun (a morada dos deuses) por violentar Ninlil, a deusa teve um filho, Nanna, o deus da lua (mais tarde chamado de Sin (ou Sinnu). Da união posterior entre Sin e Ningal nasceram Inanna (deusa do amor e da guerra) e Utu (deus do sol, depois chamado de Shamash).

6- Mitologia Persa

Deus Ormuz
Ormuz é o mestre e criador do mundo. Ele é soberano, onisciente, deus da ordem. O Sol é seu olho, o céu suas vestes bordadas de estrelas. Atar, o relâmpago, é seu cílio. Apô, as águas, são suas esposas. Ahura Mazda é o criador de outras sete divindades supremas, os Amesha Spenta, que reinam, cada um, sobre uma parte da criação e que parecem ser desdobramentos de Ahura Mazda. Assim como Ahura Mazda estava cercado por seis Amesha Spenta e de outras divindades, Angra Mainyu (Ahriman) — o deus malfazejo que invade a criação para perturbar a ordem e que é concebido como uma serpente — é acompanhado de seis demônios procedentes das trevas cósmicas e de um grande número de outras divindades malignas.

7- Mitologia Nórdica

Na mitologia nórdica, se acreditava que a terra era formada por um enorme disco liso. Asgard, onde os deuses viviam, se situava no centro do disco e poderia ser alcançado somente atravessando um enorme arco-íris (a ponte de Bifrost).  Os gigantes viviam em um domicílio equivalente chamado Jotunheim (Casa dos Gigantes). Uma enorme ábade no subsolo escuro e frio formava o Niflheim, que era governada pela deusa Hel. Este era a moradia eventual da maioria dos mortos. Situado em algum lugar no sul ficava o reino impetuoso de Musphelhein, repouso dos gigantes do fogo.  Outros reinos adicionais da mitologia nórdica incluem o Alfheim, repouso dos elfos luminosos (Ljósálfar), Svartalfheim, repouso dos elfos escuros, e Nidavellir, as minas dos anões. Entre Asgard e Niflheim estava Midgard, o mundo dos homens.

8- Mitologia Egípcia

Deus Ra
No princípio emergiu das águas uma ilha, e nela havia um ovo, do qual saiu Rá, iluminando todas as coisas. Todos os outros deuses seriam filhos de Rá (Nut, Chu e Geb). A deusa Nut se casou com Geb em segredo. Depois de algum tempo, Rá descobriu o que tinha acontecido, e ficou furioso com Nut. Como castigo tornou Nut estéril. Com isso Nut usou sua criatividade desafiando Thot, em um jogo de dados. Com sua vitória, consegui que Thot acrescentasse cinco novos dias ao calendário de 360 dias. Com os novos dias, que não eram vigiados por Rá, teve seus filhos: Osíris, Ísis, Set e Néftis.

9- Mitologia Grega

Deusa Hemera
Primeiro só havia o Caos (o Universo), depois do caos surgem Géia ou Gaia (a Terra, a grande mãe de peitos largos), depois o brumoso Tártaro (submundo,que fica debaixo da Terra) e Eros (o Amor, capaz de inspirar criação). De Caos também nasceram Hérebo (a trevas suprema,o que fica debaixo da Terra) e Nix (a Noite). Da Noite nasceram Hemera (o dia) e Éter (o ar puro ou ar superior onde vivem os deuses). A Terra deu à luz primeiro a seu consorte Urano ou Coelos (céu estrelado para cobri-la), também deu a luz Óreas (às montanhas) e às ninfas que nelas habitam e Ponto (o mar não colhido).

10- Mitologia Judaica

Deus Jeova
No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.  E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.

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Esta imagem abaixo complementa o texto  sobre Mitos da criação do universo/Terra/vida segundo ciência e algumas religiões.