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terça-feira, 29 de novembro de 2016

117 COMUNIDADES QUILOMBOLAS no ESTADO de SÃO PAULO


117 COMUNIDADES QUILOMBOLAS NO ESTADO DE SÃO PAULO
ATUALIZAÇÃO PARCIAL ATRAVÉS DE CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES: (16/09/2013)
Nº. - MUNICÍPIOS - COMUNIDADES QUILOMBOLAS PAULISTAS
1. AGUDOS - ESPÍRITO SANTO DA FORTALEZA DE PORCINOS E OUTROS
2. BARRA DO CHAPEU - ANTA MAGRA
3. BARRA DO CHAPEU - TOCOS
4. BARRA DO TURVO - CERCO
5. BARRA DO TURVO - PARAÍSO
6. BARRA DO TURVO - PEDRA PRETA
7. BARRA DO TURVO - REGINALDO
8. BARRA DO TURVO - RIBEIRÃO GRANDE
9. BARRA DO TURVO - TERRA SECA
10. BARRA DO TURVO - NEGRA RURAL CERCO
11. CAJATI - ABÓBORA
12. CAJATI - CAPITÃO BRAZ
13. CAJATI - MANDIRA
14. CAJATI - VILA ANDREIA
15. CANANEIA - PORTO DO CUBATÃO (VALE DO RIBEIRA)
16. CANANEIA - TAQUARI
17. CANANÉIA - ARIRI
18. CANANÉIA - MANDIRA
19. CANANÉIA - SANTA MARIA
20. CANANÉIA - SÃO PAULO BAGRE
21. CANANÉIA - TAQUARI*
22. CANANÉIA - VARADOURO
23. CANANEIA - BAIRRO RETIRO - EX COLONIA VELHA
24. CANANEIA - RIO DAS MINAS
25. CAPIVARI - CAPIVARI
26. ELDORADO ABROBAL (ABOBRAL MARGEM ESQUERDA)
27. ELDORADO - ANDRÉ LOPES
28. ELDORADO - BANANAL PEQUENO
29. ELDORADO - BANANAL VALE DO RIBEIRA
30. ELDORADO - BARRA DE SÃO PEDRO
31. ELDORADO - BATATAL (VALE DO RIBEIRA)
32. ELDORADO - BOA ESPERANÇA
33. ELDORADO - CAFUNDÓ
34. ELDORADO - ENGENHO
35. ELDORADO - GALVÃO (VALE DO RIBEIRA)
36. ELDORADO - IVAPORANDUVA
37. ELDORADO - IVAPORANDUVINHA
38. ELDORADO - MANDIRA
39. ELDORADO - NHUNGUARÁ
40. ELDORADO - PEDRO CUBAS
41. ELDORADO - PEDRO CUBAS DE CIMA
42. ELDORADO - PEQUENO (VALE DO RIBEIRA)
43. ELDORADO - POÇA (VALE DO RIBEIRA)
44. ELDORADO - PRAIA GRANDE (VALE DO RIBEIRA)
45. ELDORADO - SÃO LOURENÇO
46. ELDORADO - SÃO PEDRO
47. ELDORADO - SAPATU (VALE DO RIBEIRA)
48. ELDORADO - ILHA ROSA
49. FRANCO DA ROCHA - GOMEIA TOLUA
50. GUARATINGUETA - TAMANDARE
51. IGUAPE - ALDEIA
52. IGUAPE - COUVEIRO
53. IGUAPE - ITATINS
54. IGUAPE - MAMONA
55. IGUAPE - MORRO SECO
56. IGUAPE - PATRIMÔNIO
57. IGUAPE - PAVOA
58. IPORANGA - ANTA GORDA
59. IPORANGA - APIAÍ
60. IPORANGA - APIAL
61. IPORANGA - BETARI
62. IPORANGA - BOMBAS
63. IPORANGA - CAFUNDÓ
64. IPORANGA - CASTELHANOS
65. IPORANGA - CLAUDIA
66. IPORANGA - ENSEADA
67. IPORANGA - GALVÃO
68. IPORANGA - IPORANGA
69. IPORANGA - JOÃO SURRÁ
70. IPORANGA - JURUMIRIM
71. IPORANGA - MARIA CLAUDIA
72. IPORANGA - MARIA ROSA
73. IPORANGA - MORRO SECO
74. IPORANGA - NHUNGARÁ
75. IPORANGA - PILÕES
76. IPORANGA - PIRIRICA
77. IPORANGA - POÇO GRANDE
78. IPORANGA - PORTO DOS PILÕES
79. IPORANGA - PORTO VELHO
80. IPORANGA - PRAIA GRANDE
81. IPORANGA - RIBEIRÃO
82. IPORANGA - SÃO PEDRO
83. IPORANGA - SERRA
84. ITAÓCA - CANGUME*
85. ITAPEVA - ALDEIA DE JAÓ
86. ITAPEVA - ITAPEVA
87. ITATIBA - BROTAS
88. JAU - JAU
89. MIRACATU - BIGUÁ PRETO
90. MIRACATU - BIGUAZINHO
91. PILAR DO SUL - FAZENDA PILAR
92. PILAR DO SUL - FAZENDINHA PILAR
93. REGISTRO - CAIACANGA
94. REGISTRO - PEROAVA
95. REGISTRO - BAIRRO PEROAVA
96. REGISTRO - CORREGO DAS MOCAS
97. RIO CLARO - CHACARA DOS PRETOS
98. SALTO DE PIRAPORA - CAFUNDÓ
99. SALTO DE PIRAPORA - JOSÉ JOAQUIM DE CAMARGO
100. SALTO DE PIRAPORA - FAZENDINHA DOS PRETOS
101. SALTO DE PIRAPORA - ITINGA
102. SALTO DE PIRAPORA - JUCURUPAVA
103. SALTO DE PIRAPORA - PIRAPORINHA
104. SÃO ROQUE - CARMO*
105. SARAPUÍ - TERRAS DE CAXAMBU
106. SARAPUI - CAXAMBU
107. UBATUBA - CAÇANDOCA
108. UBATUBA - CAÇANDOQUINHA
109. UBATUBA - CAMBURY OU CAMBURI
110. UBATUBA - CASSANGA
111. UBATUBA - FAZENDA DA CAIXA
112. UBATUBA - FRADE
113. UBATUBA - RAPOSA
114. UBATUBA - SERTÃO DO ITAMAMBUCA
115. UBATUBA - CAZANGA
116. UBATUBA - SACO DAS BANANAS
117. VOTORANTIM - OS CARMAGOS
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MATERIAL PARA PESQUISA;
1. BAIXE MAPA DO ESTADO DE SÃO PAULO (PDF):ftp://geoftp.ibge.gov.br/…/fisico/unidades_fe…/sp_fisico.pdf
2. BAIXE MAPA DO ESPADO DE SÃO PAULO (JPG):http://www.ibge.gov.br/vamoscontar20…/mapas/nm_sao_paulo.jpg
3. ANALISE ESTE MAPA VOLTADO ÀS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE SÃO PAULO: http://www.cpisp.org.br/comunidades/img/mapas/mapa.html

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Novo Mapa de Relevo da América do Sul

Novo Mapa de Relevo da América do Sul

“São dunas!”, admirou-se o geógrafo Jurandyr Ross, professor da Universidade de São Paulo, diante das elevações de solo arenoso ocupadas por raros tufos de plantas espinhosas, ovelhas e lhamas, próximas às chapadas conhecidas como mesetas do deserto da Patagônia, no sudoeste da Argentina, logo depois do Natal de 2015. 

Sob sol intenso, em uma viagem de 16 dias e 9 mil quilômetros, Ross e outros geógrafos tiravam as dúvidas finais sobre as imagens de radar e satélite usadas para preparar o mapa de relevo da América do Sul em que ele e sua equipe trabalharam ao longo do ano.

Publicado como parte de um artigo na edição de agosto de 2016 da Revista Brasileira de Geografia, o novo mapa substitui o anterior, bastante simples, da década de 1940, e destaca em 35 unidades distintas as particularidades dos três grandes blocos formadores do continente: a Cordilheira dos Andes a oeste, a grande planície central adjacente às montanhas e os planaltos de baixa altitude que formam a quase totalidade do território brasileiro. As divisões, algumas com centenas de quilômetros quadrados, oferecem uma visão integrada do continente e refletem a vinculação do relevo brasileiro com a cordilheira andina.

“Embora as estruturas que sustentam o relevo brasileiro sejam muito antigas, as formas atuais resultam de fortes influências da atividade tectônica dos Andes, que é geologicamente bem mais recente”, diz Ross. O soerguimento da cordilheira, como resultado da pressão de placas tectônicas sobre o assoalho marinho, determinou a mudança da direção – de oeste para leste – do rio Amazonas e de outros da Bacia Amazônica. Além disso, segundo o pesquisador, as serras do Mar e da Mantiqueira, ao longo do litoral, e o Vale do Paraíba, na região de Taubaté, formaram-se como resultado da pressão e do enrugamento da cordilheira sobre a estrutura rochosa a leste.

“Hoje vivemos uma época de calmaria tectônica, mas a reconfiguração do relevo já foi muito mais intensa, em decorrência dos Andes”, diz o geógrafo Silvio Rodrigues, professor da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. Segundo ele, os Andes ainda influenciam o continente porque estão sobre duas placas tectônicas ativas, a de Nazca e a Sul-americana, que geram energia, por meio de processos tectônicos, que pode chegar ao litoral do Atlântico. “Como o relevo brasileiro já é bastante conhecido, o que mais interessa neste mapa é a análise dos Andes e da depressão central, entre os Andes e o território brasileiro.”

Depois de fazer o mapa do relevo brasileiro na escala 1:5 milhões (de 1 para 5 milhões; 1 centímetro no mapa equivale a 50 quilômetros), publicado em 1996 no livro Geografia do Brasil (Edusp), e o do relevo do estado de São Paulo na escala 1:500.000, dois anos depois (ver Pesquisa Fapesp no 35), Ross resolveu fazer uma síntese do relevo da América do Sul porque não encontrava nenhum mapa atualizado para usar em suas aulas. O único que achou, já com seu trabalho avançado, era de 1942, feito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Ele usou principalmente as imagens de radar do satélite Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, complementadas pelas do Google Earth, pelo mapa geológico da América do Sul produzido pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública do Ministério de Minas e Energia, e por trabalhos acadêmicos.

Na escala de 1:8 milhões, o novo mapa pode ser útil no planejamento ambiental e econômico. “O relevo, os solos e o clima condicionam a ocupação humana e o agronegócio”, diz Ross, associando os terrenos planos de Mato Grosso ao cultivo de soja e de cana-de-açúcar, e os vales do Chile, em meio às montanhas, com a produção de frutas. As formas do relevo, ele observa, expressam tanto as forças internas da Terra, como os movimentos do magma, quanto as externas, como a erosão e as intempéries.

O mapa delimita as unidades dos três blocos fundamentais do continente com base em diferenças da constituição geológica, solos e formas de relevo.

O bloco a leste reúne planaltos de baixa altitude, com as bacias dos principais rios brasileiros, delimitadas pelas áreas em azul no mapa, as depressões em laranja, as serras litorâneas em vermelho. É a parte mais antiga do continente, com mais de 1 bilhão de anos, formada na era geológica conhecida como pré-Cambriano.

Esse bloco fazia parte, com as atuais África e Índia, do supercontinente Gondwana, que começou a se fragmentar cerca de 150 milhões de anos atrás, no período Jurássico, marcado também pela abertura do Atlântico Sul. O cráton amazônico, a norte e sul das planícies do rio Amazonas, forma as estruturas rochosas mais antigas do continente, com cerca de 2,5 bilhões de anos. Em vermelho, os morros e serras representam os resquícios já bastante erodidos de cordilheiras mais antigas que os Andes. “Quando se formaram, entre 550 milhões e 1,5 bilhão de anos, eram tão altas quanto os Andes”, diz Ross.

A oeste encontra-se a Cordilheira dos Andes, bloco geologicamente mais recente do que a porção leste. Ross destacou o trecho mais antigo e mais alto, a Cordilheira Oriental, com cerca de 100 milhões de anos de idade e altitudes de 4 mil metros, na Bolívia e na Argentina.

A Montanha Mais Jovem

A cadeia montanhosa predominante, estendendo-se de norte a sul do continente, com altitudes de 1.500 a 2.600 metros, é a Cordilheira Ocidental, formada em duas fases, uma há cerca de 85 milhões de anos e outra há 40 milhões de anos. A Cordilheira Costeira é ainda mais recente, do final do período Cenozoico, entre 1,7 milhão e 23 milhões de anos. Entre as montanhas há vales ocupados por cidades como Santiago, a 800 metros de altitude, e o deserto de Atacama, que Ross visitou em novembro, em outra viagem de checagem de campo, impressionando-se com a película branca de sal sobre o solo árido vermelho.

Entre as montanhas e os planaltos baixos do Brasil estende-se a Depressão Central Sul-americana, formada por planícies com trechos alagáveis como as dos rios Orenoco na Venezuela, do Mamoré-Beni na Bolívia e do Paraguai no Brasil, Paraguai e Argentina. A idade média da superfície dessa área (em amarelo no mapa) varia de 10 mil a 3 milhões de anos, com altitude máxima de 200 metros na região entre o Paraguai e a Bolívia. “Toda essa área muito baixa, com colinas de topo plano, vales levemente entalhados, planícies e pantanais chamadas de chaco, era um grande mar, há milhões de anos, antes de os Andes emergirem”, diz Ross.

A geógrafa Isabel Cristina Gouveia, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Presidente Prudente, comenta que dois grandes geógrafos brasileiros do século passado, Aziz Ab’Saber e Fernando de Almeida, contribuíram bastante para o conhecimento sobre o território nacional mesmo sem imagens de satélites, hoje de fácil acesso. “Curiosamente”, diz ela, “mesmo com imagens de alta resolução e recursos de Sistemas de Informação Geográfica, ainda são poucos os estudos que valorizam o mapeamento geomorfológico como método de análise e sistematização do conhecimento sobre o relevo”.

Artigo científico
ROSS, J. L. S. Compartimentação do relevo da América do Sul. Revista Brasileira de Geografia. v. 61, n. 1, p.21-58, 2016.

Fontes: http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/08/19/sob-a-forca-dos-andes/?cat=ciencia

https://www.facebook.com/geografiaesociedade/photos/a.602878663106090.1073741828.601585606568729/1200232266704057/?type=3&theater

Mapas coropléticos da cidade de São Paulo

Mapas coropléticos da cidade de São Paulo
- Infraestrutura de transporte coletivo
- Concentração de renda domiciliar média
- Crimes contra o patrimônio
- Concentração de equipamentos culturais
- Concentração de antenas para rede de telefonia móvel
- Concentração de PokéStops e Ginásios

#pokemongo #segregaçãourbana #pokemongo #segregaçãourbana

Fontes:
https://www.facebook.com/geografiaacademica/posts/716593858496448
http://giphy.com/gifs/pokemongo-segregaourbana-3oz8xtkeUvSYhPd4lO/fullscreen

GIF - Evolução dos Municípios do Estado de São Paulo desde 1600


A evolução dos municípios do Estado de São Paulo desde 1600, através da Fundação Seade

ricardokadouaki cidades geografia municípios municípios

Fontes:
https://giphy.com/gifs/cidades-municpios-demografia-l2SpZM0dIetOS8bMk
Fonte: www.imp.seade.gov.br

MAPA da CONCENTRAÇÃO de NEGROS-PARDOS na CIDADE de SP

MAPA da CONCENTRAÇÃO de NEGROS-PARDOS na CIDADE de SP


Fonte:https://medium.com/@sandrovaleriano/o-significado-das-pautas-do-vereador-fernando-holiday-sob-a-perspectiva-da-sua-base-eleitoral-45acc63694ed#.41culb2sg

NOTA da AGB-SP SOBRE a REFORMA do ENSINO MÉDIO

NOTA DA AGB-SP SOBRE A REFORMA DO ENSINO MÉDIO

A AGB-SP (Associação dos Geógrafos Brasileiros, seção São Paulo) vem, através desta, se posicionar sobre a Medida Provisória 746/2016 que busca alterar o Ensino Médio no Brasil. Tal MP representa uma medida vertical, reducionista e autoritária, que não possibilita o debate com os diferentes segmentos da sociedade civil e reproduz uma lógica de interdição do discurso dos professores, professoras, alunos e alunas da educação básica. Tal lógica tem norteado uma série de políticas educacionais postas em práticas nas últimas décadas e tem como pano de fundo a atuação de grupos empresariais e organismos internacionais que buscam definir a educação púbica brasileira a partir de seus próprios interesses.
Como exemplos destas políticas defendidas pelo Banco Mundial em documento publicado em 2010[1], destacam-se programas de bonificação docente, precarização e flexibilização da carreira e da formação dos educadores, políticas de avaliação pautadas em testes padronizados, imposição de currículos únicos e construídos de forma centralizados. Tratam de políticas que ferem a autonomia pedagógica da escola e dos educadores em sala de aula e que já vem sofrendo inúmeras críticas, inclusive de seus antigos defensores[2], em diversas partes do mundo.
No entanto, apesar destas críticas, a MP 746/2016 da Reforma do Ensino Médio impõe várias destas políticas defendidas no documento do Banco Mundial de 2010, dentre as quais destacamos:
·         A flexibilização curricular, com a não obrigatoriedade de disciplinas, como Educação Física, Artes, Sociologia, Espanhol e Filosofia;
·         A imposição da modalidade integral nesta etapa do Ensino Médio, sem, no entanto, garantir os recursos necessários para a efetivação da mesma e não reconhecendo a condição de trabalhador de uma importante parcela dos discentes do ensino médio no Brasil,
·         A não obrigatoriedade da formação específica do professor, com a permissão para a contratação de profissionais denominados de “notório saber”. Em nossa perspectiva, este é um dos principais retrocessos da Medida Provisória, pois afeta profundamente a formação e a profissionalização docente em nosso país, reafirmando uma imagem de senso comum de que “qualquer um pode ser professor”

Estas são algumas das imposições trazidas pela MP com profundas implicações no cotidiano das escolas públicas em nosso país, o que requer, portanto, no mínimo, espaço de diálogo e entendimento. No entanto, o instrumento legislativo da MP utilizado pelo MEC impossibilita este diálogo e abre dúvidas sobre os reais interesses da medida. Por isso, achamos pudente compartilhar algumas destas dúvidas que consideramos fundamentais:
1. Uma reforma que não prevê ampliação de recursos de forma suficiente para garantir oportunidades a todos os estudantes não pode resultar em aumento da precarização do Ensino Médio e das desigualdades educacionais em nosso país?
2. Diante de um quadro de limitação do gasto público, com a possibilidade de aprovação da PEC 241, a reforma do ensino médio não cria as condições para as parcerias com o setor privado, que passaria a fazer a gestão das escolas de Ensino Médio, conforme modelo existente no Estado de Goiás? Este não seria um dos motivos principais do apoio de grupos empresariais à reforma? Vale ressaltar que as parceiras público-privada são defendidas pelo Banco Mundial no documento de 2010.
            3. Como ficam o ENEM e o SISU diante desta flexibilização curricular? Não seria a reforma do ensino médio uma tentativa de diminuir a pressão dos alunos e alunas da escola pública em relação ao acesso ao ensino superior? Não correríamos o risco da volta dos vestibulares e, consequentemente, da elitização, do Ensino Superior no Brasil?
            4. Qual o lugar da Geografia Escolar nesta reforma? Não estaríamos produzindo uma lógica curricular semelhante aos Estudos Sociais apresentados pelos militares na década de 1970?
5. A ênfase no ensino técnico e profissionalizante não criaria uma ilusão de que o mesmo seria a “salvação do ensino brasileiro”, dando ao Ensino Médio um caráter de terminalidade, principalmente aos alunos e alunas da classe trabalhadora? Isso não poderia resultar no aprofundamento da desigualdade de condições entre os discentes da escola pública em relação àqueles provenientes da escola privada, principalmente no que se refere ao acesso ao Ensino Superior? Da mesma forma, a ênfase no ensino técnico e profissionalizante não teria como principal objetivo produzir uma “inflação de diplomados” nesta etapa e modalidade da educação básica, contribuindo para a redução do custo de trabalho no Brasil, outro elemento apontado no documento do Banco Mundial como um dos entraves para o desenvolvimento do país?
            Portanto, diante destas e de outras dúvidas que a leitura da MP suscita, a AGB-SP defende a abertura de uma ampla discussão, através da elaboração de efetivos fóruns de debates que possibilitem a ampla participação de representantes dos professores, alunos, universidades, entidades de classe, sindicatos, enfim, as partes envolvidas e demais interessados para construção de uma educação pública, equitativa e da qualidade para todos em nosso país. São inúmeras as pesquisas, debates e práticas educativas que apontam possibilidades de construção de uma proposta para um novo ensino médio no país. A imposição de uma reforma do Ensino Médio através de uma MP despreza este acúmulo, impedindo que a pluralidade de posições, ideias, concepções e práticas sejam postas em movimento na busca de construção de um projeto comum e democrático, e não pode ser o caminho da educação pública no Brasil. Os que assim pensam, agem em prol dos seus próprios interesses e desrespeitam todos aqueles que, com seus sonhos e trabalho, constroem, apesar de toda adversidade, a escola pública no Brasil. É ao lado destes que a AGB-São Paulo, mantendo sua tradição histórica, se posiciona neste momento fundamental da história do país.




[1]     Trata-se do documento “Achieving World Class Education in Brazil: the next agenda”
[2]     Para mais, ver “Vida e morte do grande sistema escolar americano” de Diane Ravitch