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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

TEXTO com EXERCÍCIOS sobre GLOBALIZAÇÃO


"Eu moro em Portland, Oregon, onde a Nike tem sua sede empresarial e onde foi construída a primeira loja Niketown, mas há vários anos venho usando tênis Reebok. No último inverno meus Reeboks começaram a ficar gastos e precisei comprar tênis novos.
Comecei a procurar tênis. Eu pegava um tênis aerodinâmico atrás do outro e lia as pequenas etiquetas dentro: Made in China, Made in Korea, Made in Indonésia, Made in Thailand.
Alguns anos atrás as praticas trabalhistas da Nike no exterior vieram a público e o pequeno escândalo que se seguiu tornou claro que as operações estrangeiras de vários fabricantes americanos de tênis deixam muito a desejar.
 Meus Reeboks foram fabricados na Coréia e eu prometi a mim mesma que meu próximo par de tênis seria produzido nos Estados Unidos.
Comecei a pedir tênis fabricados nos Estados Unidos aos balconistas. Os poucos que não ficaram confusos com meu pedido disseram que não existe tênis fabricado nos Estados Unidos.
Telefonei para a Nike e falei com o responsável pelo atendimento aos clientes. Quando expliquei meu problema, ele me respondeu que a empresa “ainda está manufaturando na Indonésia e em vários outros paises da região”.
“Você sabe se os trabalhadores de alguma dessas fábricas são sindicalizados?”, perguntei. Houve um pequeno silêncio. Finalmente ouvi a resposta: “Nem sei se existem sindicatos na Indonésia”.
Liguei para a sede da L.A. Gear, em Santa Mônica. “Quero informações sobre os tênis que vocês produzem”, eu disse à moça do setor de atendimento aos clientes. “São fabricados nos E.U.A.?” . “Fabricados aqui?” Espantada, ela em explicou que seus tênis são produzidos no Brasil e na Ásia.
Bill Krenn, Gerente de relações publicas dos sapatos K-Swiss, retornou minha ligação, mas me interrompeu antes que eu pudesse concluir minhas perguntas. “Não fornecemos informações sobre a produção”, disse. “Só posso dizer que é realizada no exterior”.
A maioria dos operários que produzem sapatos no sudeste asiático é de adolescentes e mulheres jovens. Eles trabalham de 15 a 16 horas diários. Muitas mulheres vivem em alojamentos, separadas de suas famílias; em alguns casos são virtuais prisioneiras, proibidas de deixar as instalações da fábrica sem um passe especial. O salário mínimo na Indonésia é de 1,80 dólar por dia.
Telefonei para a Nike mais uma vez, na condição de jornalista. Falei com Keith Peters, diretor de relações públicas. Entre longos silêncios, ele disse que não é “economicamente viável”, para a Nike fabricar seus sapatos nos Estados Unidos.
(...)”
 
(Citado no Jornal Folha de S. Paulo, 2/7/1994 – Sally Tisdade, The New Republic)

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EXERCÍCIOS:
1)    Quais são os lugares citados no texto?
2)    Qual o assunto retratado pelo texto?
3)    Quando e onde aconteceram tais fatos?
4)    Aonde são fabricados os produtos consumidos nos EUA?
5)    Porque os EUA produzem e compram tênis na Ásia e não fabricam em seu próprio país? Explique.

Um comentário:

  1. Tristan, estava procurando na internet textos sobre globalização o Gugou me direcionou pro seu blog!! hahahah, valeu pelo texto!
    Beijos!

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