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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS REDES GEOGRÁFICAS - TEXTO E MAPAS

repasso texto que fiz sobre redes com mapas no final.


O capitalismo necessita se globalizar ou se mundializar para que extraia mais-valia nos mais diferentes locais do mundo, ou seja, é uma globalização do processo de produção. As grandes empresas não precisam de um território como um todo, pois elas trabalham com pontos particulares que são alavancas da realização da sua riqueza. SANTOS (1985) diz que:  
O mais pequeno lugar, na mais distante fração do território tem, hoje, relações diretas ou indiretas com outros lugares de onde lhe vêm matérias-prima, capital, mão de obra, recursos diversos e ordens (...) em nossos dias, o espaço é apropriado, ou ao menos, comandado, segundo leis mundiais.

Estudar e compreender o lugar significa entender o que acontece no espaço onde se vive, pois muitas vezes as explicações podem estar fora,  sendo necessário, muitas vezes, buscarmos motivos tanto internos como externos para se compreender o que acontece em cada lugar. O "meio técnico-científico-informacional" é uma criação da sociedade capitalista, sendo decisivo para a otimização da realização do capital. O capitalismo tem uma dimensão social (na cultura, relações trabalhistas, etc) e tem uma dimensão espacial-territorial. A sociedade capitalista está globalizando a sua produção e criou o "meio técnico-científico-informacional" para a sua própria existência.
Nas últimas décadas do século XX, com o esgotamento do fordismo e a emergência da revolução tecnocientífica, os novos padrões locacionais apontam no sentido da desconcentração espacial das indústrias. As antigas concentrações industriais dos países desenvolvidos vêm perdendo terreno para novas regiões produtivas marcadas pelo uso de tecnologias modernas e pela forte integração com os centros de produção de pesquisa e desenvolvimento das universidades.
A estrutura em rede das corporações transnacionais se dissemina a partir da década de 1970, com a emergência do ciclo de inovações conhecido como revolução tecnocientífica. A revolução tecnocientífica tem seu núcleo na informática, ou seja, no entrelaçamento da indústria de computadores e softwares com as de telecomunicações. Os avanços nas técnicas de armazenamento e processamento de informações foram potencializados pelas redes digitais, cabos de fibra ótica e satélites de comunicações. Essas novas tecnologias permitem a gestão informatizada dos fluxos de informação e de produtos e inauguram o regime de acumulação flexível. HARVEY (2001, p140) fala a respeito disso:
A acumulação flexível, como vou chamá-la, é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrão de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento, de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego, no chamado “setor de serviços”, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas (...). [grifo do autor]

Portanto, o espaço geográfico, na vigência deste "meio técnico-científico-informacional", está organizado de uma maneira onde os fluxos se aceleram, sendo esta a ordem das redes geográficas. A idéia de "rede" é importante para poder explicar a realidade, pois as relações culturais-produtivas-sociais estão cada vez mais horizontalizadas. Estas redes são a forma principal dos espaços da globalização, sendo essenciais para que este fenômeno se materialize ou se concretize. As redes geográficas levam em conta “espaços descontínuos”, com uma abrangência horizontal, mas intensamente articulados.
Para a melhor potencialização da produção são necessárias uma padronização dos lugares e uma horizontalização dos pressupostos capitalistas, fazendo fluir mais dinamicamente a produção em uma “destruição criativa”. A inclusão na Rede se dá como disputa monopolística, mas o preço a ser pago é muito caro, ou seja, afastam-se os aspectos produtivos e sociais locais ou a individualidade das pessoas, como pode ser visto em MOREIRA (1997, p.4):
A corrida pela inclusão na rede a um só tempo aproxima e afasta as componentes sociais do lugar. Acirra as disputas internas dos lugares e entre as forças dos distintos lugares. E assim um caráter novo de luta política aparece dentro e em decorrência do que é o novo caráter do espaço, exigindo que se reinvente as formas de ação e que se deixe em posição subalterna as formas clássicas mais antigas.

As redes geográficas são a expressão do “espaço pós-fordista” (ou toyotista), sendo essenciais para que o processo de globalização ocorrer, para a sociedade capitalista sobreviver e para que o "meio técnico-científico-informacional" se realize.
SANTOS (2002, p. 262) citará CURIEN[1] (1988, p.212) para fazer uma definição formal de rede:
(...) toda infra-estrutura, permitindo o transporte de matéria, de energia ou de informação, e que se inscreve sobre um território onde se caracteriza pela topologia dos seus pontos de acesso ou pontos terminais, seus arcos de transmissão, seus nós de bifurcação ou de comunicação.

Entretanto, Milton Santos ressalva que as redes são também “social e política, pelas pessoas, mensagens, valores que a freqüentam”. Segundo SENA (s/d):
As redes são realidades concretas, formadas por pontos interligados, que tendem a se espalhar por toda a superfície terrestre, ainda que de maneira descontínua. Essas redes se constituem na base da modernidade atual e na condição necessária para a plena realização da economia global. Elas formam ou constituem o veículo que permite o fluxo das informações, que são hoje o motor principal da globalização[2].

No Brasil, o “espaço fordista” só se consolidará totalmente durante o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006-2010), pela consolidação do consumo (destacando programas de aumento de renda familiar, tal como a “Bolsa Família”). Atualmente temos em nosso território o “espaço pós-fordista ou toyotista”, levando a globalização produtiva da sociedade capitalista às últimas conseqüências, integrando horizontalmente vários locais distantes localmente. A exclusão e a desigualdade social e territorial estão ainda maiores e cada vez mais planejadas.
O “espaço pós-fordista ou toyotista” cria territórios de exclusão, levando o processo de globalização às ultimas conseqüências. A globalização, as “redes geográficas” e o "meio técnico-científico-informacional" estão mais desenvolvidos na sociedade capitalista, até para que a produção capitalista ocorra de maneira mais lucrativa para a burguesia, fazendo com que o capital se reproduza de maneira mais potencializada. Com o advindo do espaço toyotista, teremos um “embaralhamento de territorialidades” em uma “rede produtiva”, cujo sentido pode ser visualizado na passagem de MOREIRA (1997, p.3) a seguir:
 (...) Extinguem-se, assim, os espaços do mundo organizados em regiões singulares e de compartimentos fechados, a intensidade e a globalidade das interligações ainda mais aumentam, a mobilidade territorial mais se agiliza, a distância entre os lugares e suas coisas mais se encurta, a espessura do tecido espacial mais se adensa, e o espaço do planeta se comprime.

Para que esta rede produtiva seja instalada, o Estado deve exercer importante função, como pode ser visto nesta passagem de MOREIRA, (1985, p.107):
É embaixo da pesada repressão policial-militar que sobrevém aos confrontos de 1934-1935 que o bloco industrial agrário impõe ao movimento operário esta ampla tutela: a jurídico política (tutela sindical-trabalhista) e a ideológico-cultural (tutela escolar). Desarticulado organicamente pelos aparatos repressivos do Estado, o operariado e igualmente desarticulado em seus parâmetros de existência. Progressivamente, completa-se a desagregação da sua condição de classe, sob um modo de vida imposto pelas articulações do capital, via Estado corporativo: no espaço-fabril-bairro se dissolve no espaço-mercado, e a consciência de classe se dissolve na cultura formal-escolar.

Principalmente através destes aparatos, temos uma verdadeira “globalização” produtiva e de territórios, com unificação de lugares e de espaços regionais dantes isolados. Esta globalização em rede também se dá na padronização dos modos de vida dos moradores das cidades e dos campos, possibilitando a perda da individualidade e muito da identidade local destas pessoas. Podemos refletir sobre como se constrói e dinamiza o tecido de relações da rede produtiva capitalista nesta passagem de SANTOS (1978, p.16):
 (...) Em todo o lugar a tendência é a concentração do capital, mesmo que, excepcionalmente, haja possibilidade de descentralizar um pouco a produção. Ora, o excedente é antes de tudo um fluxo. No regime capitalista, onde a lei fundamental é a da acumulação de capital o mais rápido possível, os fluxos de excedentes só podem convergir para o lugar onde se encontram os mecanismos mais eficazes para sua multiplicação.

Nestas duas passagens de SANTOS (2002, p.244 e p.336), ele ressaltará que as fronteiras dos territórios nacionais estão sendo ultrapassadas e transcendidas, além de mostrar o poder das transnacionais na sociedade moderna:
(...) os territórios nacionais se transformam num espaço nacional da economia internacional e os sistemas de engenharia mais modernos, criados em cada país, são mais bem utilizados por firmas transnacionais que pela própria sociedade nacional.
(...)
(...) O interesse das grandes empresas é economizar tempo, aumentando a velocidade da circulação. (...) corporação do território, com a destinação prioritária de recursos para atender as necessidades geográficas das grandes empresas, acaba por afetar toda a sociedade.

            Compreender a rede geográfica é determinante para compreender o fenômeno de globalização, a sociedade e o espaço contemporâneo. As exclusões e desigualdades espaciais e sociais são a raiz do Modo de Produção Capitalista e é uma contradição do capital compreendida na “lei do desenvolvimento desigual e combinado”. Só há uma igualdade aparente no mercado, que desaparecerá na esfera da circulação, com a desigual distribuição de renda ou das riquezas (ao patrão cabe a riqueza e ao empregado a pobreza). Há também uma desigualdade nas taxas de mais-valia entre os capitalistas nas diferentes empresas. Esta desigualdade combinada só tende a ampliar na reprodução da acumulação do capital.


[1] CURIEN, Nicolas. D’une problématique générale dês réseaux du transport dês informations. In: DUPUY, Gabriel. Réseaux territoriaux. Caen, Paradigme, 1988, pp. 211-228
[2] Passagem presente em um artigo de Caio César de Sena intitulado de “Redes”, encontrado em http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAdgAAC/redes


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FERREIRA, Wladimir Jansen. Uma Leitura Geográfica da Formação da Cidade de São Paulo na Obra de Adoniran Barbosa. Trabalho de Conclusão de Curso de Geografia na PUC-SP. São Paulo: PUC-SP, 2005.
_________________________. Uma Análise Crítica do Conceito de Natureza no Currículo de Geografia do Estado de São Paulo. Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Ensino de Geografia na PUC-SP. São Paulo: PUC-SP, 2011.
HARVEY, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
_____________. Espaços de Esperança, São Paulo: Edições Loyola, 2004.
_____________. O “Novo Imperialismo”: ajustes espaço-temporais e acumulação por dessapossamento. In: Lutas Sociais, n° 13/14, São Paulo: Sitta Gráfica e Editora, 2005.
MOREIRA, Ruy. O que é geografia? São Paulo: Brasiliense, 1981.
_____________. Da região à rede e ao lugar: a nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. In: Ciência Geográfica, N° 6, Bauru: AGB-Bauru, 1997.
______________. O círculo e a espiral – para a critica da geografia que se ensina. Niterói: Edições AGB-Niterói, 2004-a.
______________. Para onde vai o pensamento geográfico? – por uma epistemologia crítica. São Paulo: Contexto, 2006.
SANTOS, Milton. Espaço e Dominação. In: Seleção de Textos Nº 4 da AGB-SP, Junho de 1978, São Paulo: AGB-SP, 1978.
_____________. Por Uma Geografia Nova, São Paulo: Hucitec, 1978.
_____________. Espaço e método. São Paulo: Nobel, 1985.
_____________. A Natureza do Espaço: espaço e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2002.
SENA, Caio César de. Redes. Edição Virtual em http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAdgAAC/redes.



Mapa - Uma visão multimodal do sistema de Transportes no Brasil


Mapa Brasil - Redes Geográficas





Rede geográfica de produção e de distribuição da Toyota - Atlas de la mondialisation - 2007



Mapa locais produção e mercados Toyota - DURAND_MF_Atlas da mundialização_compreender o espaço mundial contemporâneo





Especialização e troca entre filiais de uma corporação automobilística no Sudeste Asiático




 Mapa Brasil - empresas instaladas antes de1996 - associadas à Anfavea






Mapa Brasil - empresas instaladas após 1996 - não associadas à Anfavea





Mapa Brasil - empresas instaladas após 1996 - associadas à Anfavea





Mapa da configuração atual da rede mundial de computadores






Mapa dos Principais Pontos Financeiros em 2007





Mapa dos fluxos do comércio mundial de mercadorias - COMÉRCIO TRIPOLAR





Mapa em Anamorfose de Exportação de veículos de passeio





 Mapas_rotas marítimas e aéreas




 Mapa Cidades Globais


Mapa da Internet no Mundo (2012). O mapa mostra a densidade de dispositivos conectados à Internet entre Junho e Outubro/2012 (total de 460 milhões). Fonte: Internet Census.

Um comentário:

  1. Nossa! Esses mapas realmente eme alegraram e me ajudaram muito no meu artigo. Parabéns pelo trabalho!

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