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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"Consumismo, Ostentação, Capitalismo e Endividamento"

texto feito em conjunto.

"Consumismo, Ostentação, Capitalismo e Endividamento"
Wladimir Jansen Ferreira e Ney Jansen Ferreira Neto

O super-consumo gera um consumismo e um endividamento das pessoas. O brasileiro teve um incremento de renda principalmente pela aplicação das políticas de transferências de renda, que são práticas paliativas e compensatórias, que foram iniciadas nos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso e possuem a aprovação do Banco Mundial. Esta política era necessária para incrementar renda para as classes menos abastadas, entretanto, esta virou uma importante fórmula de controle social. Os brasileiros com esta verba à mais está consumindo mais, obtendo mais bens materiais. É importante deixar claro que "ter não é ser", pois possuir bens materiais não significa uma emancipação social, fato que somente ocorrerá com a derrocada da sociedade capitalista. Ter bens materiais gerou uma falsa sensação de liberdade, mas aguçou o individualismo na sociedade brasileira, fato que freia mobilizações sociais e reproduz o egoísmo “ostentatório” entre as pessoas. A fetichização da mercadoria está em suas últimas consequências. 
Ao incentivar alienadamente os programas assistencialistas, o PT despolitiza os debates e a necessária crítica às contradições da sociedade capitalista. Segundo o DIEESE[1], o brasileiro pode estar com mais renda, mas está cada vez mais endividado, onde 118 milhões de brasileiros são endividados, sendo 37 milhões com contas atrasadas e 12 milhões que não podem pagar suas dívidas. Por estarmos entre os países com maiores taxas de juros no mundo, se uma pessoa pegasse R$ 100 emprestados no início do ano, pagaria R$ 188 no final.
O capitalismo mantém um controle sobre a economia graças à uma política de crédito (empréstimos) visando o endividamento do consumidor/trabalhador, além dos próprios Estados/governos como tem ocorrido em países como EUA, e em vários países da Europa como Grécia, Espanha, Portugal, Inglaterra. Emerge uma política baseada no endividamento do consumidor
Nos EUA a crise de 2008 foi fruto de uma crise de endividamento das famílias. O consumo das famílias representa impressionantes 72% do PIB acompanhadas por uma estagnação dos salários a partir dos anos 1970. Essa “relação simbiótica” ocorre via permanência do consumo impulsionado pelo endividamento em níveis extremamente altos e salários e orçamentos familiares arrochados. As dívidas das famílias como porcentagem da renda disponível aumentou nos Estados Unidos de 62% em 1975 para 127% em 2006. Na França o aumento foi de 33% em 1975 para 68% em 2006. Nos EUA, fatores internos potencializaram a crise das hipotecas sub-prime tais como: a mentalidade do american way of life baseado na ideologia do enriquecimento rápido, a constituição de um Estado baseado numa estrutura quase inexistente de serviços públicos como educação, saúde, transporte, a redução de impostos aos ricos e às grandes empresas.
Uma verdadeira “indústria do crédito” nos EUA prolifera via empréstimos a estudantes, os financiamentos de carros, a criação de agências de análise de crédito que avaliam a reputação de cada família americana, conselheiros de débitos, agências de cobrança e consultores financeiros. A “popularização” do sistema de crédito (cooperativas de créditos, financeiras), potencializou uma política de endividamento do consumidor, do trabalhador. Os bancos pegam essas dívidas, empacotam em títulos (T) e vendem e revendem no mercado financeiro para outros especuladores.
Uma política de salários arrochados e orçamentos endividados levou a população nos EUA a recorrer às hipotecas para poder ter acesso às políticas do “crédito fácil”. O preço dos imóveis inflados consequência das hipotecas criaram uma bolha imobiliária. As agências de financiamento passaram a “não verificar” a real capacidade de pagamento dos consumidores. Os papéis que ficaram conhecidos como “sub-prime” (sem capacidade de pagamento pelos consumidores) eram vendidos e revendidos quase sem limites. O resultado: milhares de famílias foram desalojadas de suas casas hipotecadas. E o “mercado” diante da falta de pagamento, viu os preços dos títulos especulativos despencarem.. E o que pediram os bancos e os especuladores? “Socorro”. Trilhões são despejados no “mercado”.
A política do “crédito fácil” e do endividamento de milhões de pessoas cumpre a função de adiar as crises e, ao mesmo tempo, gerar novas crises. Na hora da crise os capitalistas acionistas de bancos, seguradoras, fundos de pensão privados, empresas, lembram que tem uma “nacionalidade” e apelam em nome do “interesse nacional” a “ajuda” do Estado -leia-se trilhões ou bilhões de dinheiro público.
Em nome da “crise”, governos aplicam receitas de “austeridade fiscal” mas negam-se a reduzir o financiamento à indústria bélica, como no caso dos EUA como destacou Iturbe:
“(...) Em 2001 os EUA tinham um superávit fiscal de US$ 128 bilhões. Depois, com a invasão militar no Afeganistão e no Iraque, em 2006 o déficit era de US$ 337 bilhões. Em 2007 esse déficit diminuiu para US$ 163 bilhões fruto de uma política de impostos sobre lucros realizada pelo governo federal. Em 2008 e 2009 anos das políticas de “resgate dos bancos” o déficit aumentou para US$ 400 e US$ 447 bilhões respectivamente (...)”
ITURBE, Alejandro. O Sistema Financeiro e a Crise da Economia Mundial. Sundermann. São Paulo. 2009.





[1] Extraído em http://www.pstu.org.br/node/19672 (“Brasil mais endividado que nunca”, de 18 de Julho de 2013)






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