Esta carta defende a revogação da Reforma do Ensino Médio, critica duramente a BNCC e as reformas educacionais no Brasil.
Carta de João Pessoa - XIX Encontro Nacional de Geógrafos, 07 de
julho de 2018.
PELA REVOGAÇÃO DA LEI DA REFORMA DO ENSINO
MÉDIO 13.415-2017
A Associação de
Geógrafos Brasileiros (AGB) reunida no XIX Encontro Nacional de Geógrafos,
realizada entre os dias 01 a 07 de julho de 2018, na cidade de João Pessoa
(PB), vem por meio desta se posicionar contra a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) e a Reforma do Ensino Médio (Lei 13.415/17), somando nosso repúdio aos
já manifestados por outras entidades e coletivos organizados, como Associação
Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), Associação Nacional
de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE) e Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centro de
Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR),
entre outros.
No primeiro
momento destacamos que tal posicionamento não se restringe apenas às
contrarreformas em curso para educação, mas a todo o conjunto de ações institucionais
voltadas para o retrocesso dos direitos sociais conquistados por meio da luta
da classe trabalhadora e que atingem a sociedade como um todo.
Compreendemos que
a BNCC e a Reforma do Ensino Médio se inserem no processo de ataque do capital,
com seus principais agentes, sobre a
educação pública, tendo como protagonista o movimento Todos Pela Educação, que
representa o empresariado global nas
questões educacionais e reproduzem no território nacional a agenda dos
organismos intersetoriais e financeiros. Isso ocorre por meio da consolidação
ideológica dos sentidos da qualidade da educação, resultando na intensificação
do controle da formação-atuação docente, na reconfiguração dos mecanismos
político-pedagógicos e do aprimoramento dos instrumentos de regulação e
controle educacionais – currículo, materiais didáticos, formação de professores
e avaliação – que logram os sentidos formativos para a competição administrada
(meritocracia), em tempos de intensificação da precariedade, que visa
aprofundar ainda mais as desigualdades e iniquidades sócio-espaciais. Tais
mecanismos promovem uma hierarquia educacional, uma educação para dirigentes e
outra para trabalhadores.
Por
tudo isso, não aceitamos a BNCC, devido a negação à comunidade acadêmica, aos
profissionais da educação e as organizações da sociedade civil; pela sua
estruturação com foco na aprendizagem sem a consideração do papel do professor
no processo de produção do conhecimento, abrindo um flanco para a inserção das
apostilas, materiais didáticos e das tecnologias produzidas pelo oligopólio
educacional presente hoje no país; pela consolidação da Pedagogia das
Competências, que funda programaticamente pela formação flexível e pragmática
em tempos de precarização do trabalho e apropriação da subjetividade da classe
trabalhadora; pela falácia discursiva de que uma padronização curricular
promoverá as mesmas condições de aprendizagem para sujeitos de realidades sociais,
culturais e territorialmente distintas; e pelo descarte de conceitos e temas
relevantes para a construção do pensamento social crítico.
Defendemos um currículo
autônomo, construído cotidiana e coletivamente, pelas comunidades escolares.
Denunciamos que a implementação da Reforma e da BNCC: acentua a precarização da
formação integral dos sujeitos sociais, por estar associada à retirada de disciplinas
da Educação Básica; conduz ao cerceamento da autonomia docente sem considerar a
precariedade do trabalho e dos sistemas públicos de ensino; promove a abertura para o processo de
privatização da educação pública. Além
disso, influencia a formação docente dando-lhe caráter neotecnicista,
flexível-polivalente tão evidentes
na reforma curricular do ensino superior e com a criação do programa Residência
Pedagógica. Tais reformas primam pela intensificação da lógica de ranqueamento
e exclusão dos estudantes e suas escolas. Além disso, se apresentam no contexto
de ajuste fiscal e homologação da PEC 55/2017.
Considerando os
argumentos expostos, a Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB, se coloca em
favor da REVOGAÇÃO DA LEI DA REFORMA DO
ENSINO MÉDIO 13.415-2017.

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